Crédito: Marcelo Coelho

Maria Brizola*

A pandemia do vírus Covid-19 impactou as cadeias produtivas pelo mundo todo, e o Mercado da Arte não foi diferente. Diferentemente de outros segmentos do varejo, o consumo da Arte ainda está, prioritariamente, vinculado à experiência e à vivência. Quando se vai a uma exposição em museus ou galerias de arte os sentidos – tanto a visão, como o olfato, a audição e, por vezes, o tato – são, em certa medida, estimulados, buscando uma experiência completa. Levando o espectador a viver e decifrar as obras.

É uma experiência particular, única, e o que permite esse caráter singular é essa percepção conjunta. O estar inebriado pelo influxo de sensações. No contexto atual, em que a grande maioria dos eventos culturais, exibições em galerias privadas ou museus foram cancelados ou adiados por tempo indeterminado, o mercado da Arte acelera o que já se mostrava como uma tendência mundial inexorável, e aposta em atividades prioritariamente virtuais.

O investimento no acesso ao mercado da Arte a distância já se desenhava por inúmeras outras razões e a pandemia de Covid-19 apenas acelerou esse processo. É fato, portanto, que a experiência de admirar e consumir arte precisa se reinventar e se adaptar às novas realidades do mundo.

Com o cancelamento de diversas feiras de Arte que aconteceriam nos próximos meses, a gigante Art Basel Hong Kong oferecerá, pela primeira vez, salas de exibição on-line que irão substituir a experiência de compra física no evento, com um acervo estimado em US$ 270 milhões. A galeria de Arte David Zwirner , uma das maiores do mundo, antecipou-se e ainda em 2017, criou as salas de visualização virtual , que também permitem ao visitante fazer um tour on-line por toda a galeria. A Galeria Pace, que também lançou salas de exibição on-line privadas no ano passado, começou a oferecê-las ao grande público, começando com uma sala do artista Sam Gilliam .

Após o anúncio do fechamento dos maiores museus do mundo, como Metropolitan Museum of Art, em Nova York ou o Louvre , em Paris, o resto mundo da arte seguiu o movimento, e lançou, através de plataformas como a Google Art&Culture, campanhas de visitas on-line. Alguns dos grandes museus que disponibilizaram seu acervo ao público, que agora pode percorrer as salas sem sair de casa, foram a Pinacoteca de São Paulo, MoMa, em Nova York, e ainda o Van Gogh Museum , em Amsterdã.

Na capital mineira, atores do mundo da arte também seguiram a tendência, aumentando a presença on-line. Galerias privadas, como Celma Albuquerque, investiram no maior uso das redes sociais, principalmente o instagram. Também é possível visitar o maior a céu aberto da América Latina, Instituto Inhotim, ou ainda, revisitar exposições passadas do CCBB BH, como a do artista Iberê Camargo (2016).

Apesar de não substituírem na sua plenitude a experiência da visitação física, as alternativas virtuais possuem inúmeras vantagens. Permitem uma maior democratização das exposições, na medida em que elimina o fator de intimidação, ao entrar em uma galeria ou em uma casa de leilão, e ainda permitem que um maior número de pessoas possam fazer as visitas, já que não se faz necessário o deslocamento físico. Acima de qualquer dessas questões, no entanto, se faz prioritária a situação da crise de saúde mundial.

A visita virtual é a opção que se apresenta. Seja como for, a tendência virtual veio para ficar, e é parte importante do futuro do mercado mundial. E, nesse contexto, o Mercado da Arte sai na frente. Não só porque já caminhava nesse sentido. Mas, talvez, principalmente, porque a inovação é inerente ao ramo artístico. A adaptação está no DNA do Mercado da Arte e se mostra como apenas mais uma oportunidade de estar à frente do seu tempo como tem sido por toda a história da manifestação artística pela humanidade.

* Internacionalista, Art Advisor e Consultora em Acervo de Arte