O faturamento das vendas externas de café do Estado aumentou 8,6% em 2019 - Crédito: Edu Garcia

As exportações do agronegócio de Minas Gerais encerraram 2019 com queda de 3,5% em faturamento frente ao ano anterior. A movimentação financeira fechou os 12 meses em US$ 7,85 bilhões.

Ao todo, foram destinados ao mercado internacional 10,33 milhões de toneladas de produtos do agronegócio, volume 5,1% inferior ao registrado em 2018. Os principais produtos exportados foram o café, soja e carnes. Os dados são da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

O resultado negativo verificado no faturamento dos embarques ao longo de 2019, segundo a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira de Oliveira, teve como uma das influências a queda dos preços da tonelada de importantes produtos.

“Essa conjuntura de redução da receita das exportações é corroborada pela queda dos preços médios praticados no mercado internacional dos principais produtos da pauta mineira, como o café, soja e açúcar”, explica Manoela de Oliveira.

Os principais destinos dos produtos do agronegócio mineiro foram China, com movimentação de US$ 1,94 bilhão, seguida pelos Estados Unidos (US$ 903,9 milhões), Alemanha (US$ 780,83 milhões), Itália (US$ 441,89 milhões) e Japão (US$ 412,31 milhões).

De acordo com os dados da Seapa, em 2019, os embarques do agronegócio responderam por 31,6% do faturamento gerado com as exportações totais de Minas Gerais, que encerraram o período em US$ 24,8 bilhões.

O superávit na balança comercial do setor alcançou um saldo, em 2019, de US$ 7,2 bilhões, valor 3,73% menor quando comparado aos US$ 7,48 bilhões gerados em 2018.

Mantendo a mesma base de comparação, as importações do agronegócio somaram US$ 652,36 milhões, frente ao valor de US$ 662,1 milhões movimentados anteriormente, retração de 1,49%. Ao todo, Minas Gerais importou 695,5 mil toneladas de produtos agropecuários, alta de 3,33%, frente as 673,1 mil toneladas importadas entre janeiro e dezembro de 2018.

Produtos – De acordo com os dados da Seapa, o café, responsável por 44,5% das exportações do agronegócio mineiro, movimentou US$ 3,5 bilhões, alta de 8,6%. Em volume, foi verificado avanço de 23,2%, com o embarque de 1,6 milhão de toneladas. O valor pago pela tonelada do grão recuou 11,8% em 2019, caindo de uma média de US$ 2,45 mil por tonelada em 2018 para US$ 2,16 mil em 2019.

“O café mineiro foi enviado para 90 países, sendo dez estreantes: Belize, Guiana Francesa, Uzbequistão, Irã, Tailândia, Iraque, Malta, Guiana, Moçambique e Maldivas”, conta Manoela.

No complexo soja, as exportações movimentaram US$ 1,44 bilhão, o que representou uma queda de 27,7% frente a 2018. Em volumes, foram embarcadas 3,8 milhões de toneladas de produtos de soja, retração de 21,5%. O preço médio pago pela tonelada, US$ 378,54, ficou 7,8% inferior.

Na soja em grão, a queda no faturamento (US$ 1,14 bilhão) foi de 35,2% e em volume (3,2 milhões de toneladas) de 26,9%. Já os embarques de farelo de soja subiram 29,4% em faturamento (US$ 275 milhões) e 33,7% em volume, encerrando 2019 com o embarque de 547 mil toneladas.

De acordo com a assessora técnica da Seapa, a peste suína africana que afetou o rebanho chinês foi o principal motivo da redução dos embarques do grão. “O impacto só não foi maior devido ao aumento das aquisições de outros países, como Tailândia, Holanda, Espanha e Vietnã”, afirma.

Carnes – As exportações do grupo de carnes ficaram maiores em 2019. Segundo os dados da Seapa, ao longo do ano, o grupo foi responsável por um faturamento de US$ 1 bilhão, aumento de 25,8% quando comparado com os US$ 833 milhões movimentados em 2018. Em volume, a expansão chegou a 4,2%, com a exportação de 294,7 mil toneladas de carnes. O valor médio pago pela tonelada em 2019, US$ 3,55 mil, ficou 20,7% superior.

De acordo com Manoela, neste grupo, destacaram-se as exportações de carne bovina, que chegaram a US$ 804,82 milhões, acréscimo de 33% ante o ano anterior (US$ 605,27 milhões). Ao todo, foram exportadas 180 mil toneladas de carne bovina, variação positiva de 22,4%.

As carnes de frango também obtiveram bom desempenho, com US$ 201,51 milhões, acréscimo de 11,2%. As exportações de carne suína somaram US$ 25,4 milhões, alta de 26,7%.

“A peste suína africana, que dizimou mais da metade do rebanho chinês, também foi o motivo atrelado ao desempenho histórico das carnes brasileiras e mineiras. A alta demanda por proteína animal aumentou o seu preço nos mercados internacional e nacional”, destaca.

Os embarques do complexo sucroalcooleiro ficaram menores em 2019. Os dados mostram um recuo de 8,9% em faturamento (US$ 710,3 milhões) e de 2,8% em volume, com a exportação de 2,4 milhões de toneladas.