Crédito: Paulo Whitaker/Reuters Usada em 17-12-19

A primeira estimativa para a safra 2020 de café, em Minas Gerais, apontou uma produção variando entre 30,7 milhões de sacas e 32 milhões de sacas. Os números representam incremento entre 25,1% e 30,7%, respectivamente, em relação à temporada anterior.

O aumento da produtividade média impactado pelo efeito da bienalidade positiva, assim como o acréscimo de área em produção, influenciaram diretamente na ampliação da safra. Os dados foram divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em Minas Gerais, de acordo com o levantamento, a produção estimada para 2020 está muito próxima à de 2018, ano em que a bienalidade da cultura também foi positiva e o Estado colheu 31,8 milhões de sacas de café.

Os dados da Conab mostram que a área em produção no Estado cresceu 5,1% na safra 2020, passando de 983,7 mil hectares em 2019 para um pouco mais de 1 milhão de hectares neste ano. A produtividade esperada é de 29,72 a 31,04 sacas por hectare, o que pode significar um aumento entre 19,1% e 24,4%. A bienalidade positiva justifica a variação.

De acordo com o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, este é o primeiro levantamento da safra de café 2020, com os dados coletados entre novembro e dezembro de 2019. Por ser o primeiro, poderão ocorrer modificações com o avanço da safra.

“Este levantamento é o retrato do início da nova safra de café. Em maio, quando se inicia a colheita, teremos informações do que realmente aconteceu em relação à produtividade. Em Minas Gerais, foram verificados volumes de chuvas inferiores à média dos últimos dois anos. O Estado, que responde por cerca de 50% da produção nacional, teve chuvas abaixo da média em setembro, período de florada. Depois, as chuvas normalizaram e favoreceram o desenvolvimento. Porém, em 2020, estamos com chuvas irregulares e temperaturas elevadas, e isso impacta de forma negativa na produtividade”, explicou Santana.

Regiões – Na região Sul do Estado, que responde por 25% da produção nacional de café, a estimativa é de uma safra entre 17 milhões e 17,8 milhões de sacas, sinalizando crescimento de 21,9% até 27,3% em comparação à safra 2019. A produtividade estimada está variando entre 31,6 e 33,11 sacas por hectare, o que representa um avanço de 12,6% a 17,6% frente à safra anterior. Em relação à área em produção, houve um aumento de 8,2%, somando 537,4 mil hectares.

De acordo com os técnicos da Conab, no Sul de Minas, as condições climáticas estão adequadas no momento, com ocorrência de chuvas regulares desde novembro de 2019. Porém, o desenvolvimento dos chumbinhos é considerado um pouco atrasado devido, principalmente, ao estresse hídrico verificado em outubro de 2019, com os baixos índices pluviométricos registrados no período. Com a volta das chuvas, em novembro, os frutos retomaram o crescimento normal.

Na região do Cerrado Mineiro, a produção esperada está entre 5,8 milhões e 6 milhões de sacas de café, o que representa um aumento de 26,6% até 32,3% em relação a 2019. Ao longo do desenvolvimento das lavouras, o clima oscilou bastante na região. A produtividade média pode alcançar o máximo de 31,4 sacas por hectare, o que representaria um avanço de 27%. A área em produção ficou 4,2% superior, passando de 185,6 mil hectares em 2019 para 193,4 mil hectares em 2020.

Na região da Zona da Mata, a expectativa é de uma produção entre 7,2 milhões e 7,5 milhões de sacas, representando incremento de 34,6% a 40,6% em comparação à temporada passada. De acordo com a Conab, a expectativa de crescimento se deve à bienalidade positiva das lavouras e às duas excelentes floradas ocorridas na região, com condições climáticas favoráveis durante o período.

No local, a produtividade esperada é de, no máximo, 27,14 sacas por hectare, aumento de 40,2%. A área em produção, 277,3 mil hectares, ficou praticamente estável, com variação positiva de apenas 0,3%.

Nas regiões Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri, estima-se uma produção entre 655,7 mil e 684,9 mil sacas, apresentando variação positiva entre 4,3% e 8,9%, respectivamente, quando comparadas à safra anterior. A área em produção é de 25,1 mil hectares e está 1% maior que a de 2019. A produtividade média máxima foi estimada em 27,24 sacas por hectare, alta de 7,9%.

Bienalidade também deve favorecer o País

São Paulo – A safra total de café do Brasil em 2020 deve somar de 57,15 milhões a 62,02 milhões de sacas, alta de até 25,8% frente 2019, em ano de bienalidade positiva para a cultura no País e com aumento na área cultivada, disse a estatal Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no primeiro levantamento para a temporada.

A produção de café arábica foi estimada entre 43,20 milhões e 45,98 milhões de sacas, alta de 26% a 34% na comparação com o ano anterior, quando foi impactada por ano negativo de seu ciclo de produção.

Já a safra de robusta deve ficar entre 13,95 milhões e 16,04 milhões de sacas, o que pode representar queda de 7,1% a alta de 6,8% ante 2019. “O acréscimo de área em produção, bem como o indicativo de produtividade média superior a 2019, são fatores importantes para esta expectativa otimista”, acrescentou a Conab em boletim divulgado ontem.

A área total cultivada no País com café foi estimada em 2,16 milhões de hectares, alta de 1,4% frente ao ano anterior. “Nos últimos anos, a área de café no País vem apresentando redução. Na safra de 2020, é possível, no entanto, perceber leve retomada no crescimento da área total nos principais estados produtores de café, como Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia”, afirmou a Conab.

Tanto as áreas de arábica quanto de robusta deverão avançar 1,4% no ano, segundo a estatal, para 1,75 milhão de hectares e 404,3 mil hectares, respectivamente.

Com a bienalidade positiva, a produtividade do café arábica foi projetada entre 30,31 e 32,89 sacas por hectare, o que representaria aumento de 11,4% a 20,9% em relação à temporada passada.

“O aumento deve ocorrer em quase todas as principais regiões produtoras. Onde predomina o cultivo de conilon, a expectativa é de produtividades próximas à da safra passada em virtude das boas condições climáticas”, explicou a Conab. (Reuters)