Crédito: Arquivo DC

Em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), as mineradoras têm se unido para continuar a produção e garantir o abastecimento das indústrias, sem, contudo, se descuidar da segurança. A informação foi divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que anunciou as medidas que têm sido tomadas neste momento de crise.

De acordo com a entidade, o teletrabalho ou home office já foi determinado para aqueles colaboradores que atuam nos setores administrativos e também de suporte às operações.

Além disso, as organizações do segmento, segundo o Ibram, “vetaram viagens a serviço e reuniões presenciais; redobraram os cuidados com a limpeza e de monitoramento da saúde das pessoas, por meio de triagem e medição de temperatura corporal; cederam EPIs (equipamento de proteção individual); estabeleceram distância mínima entre pessoas durante a execução das suas atividades, no transporte até as unidades e também nos refeitórios, entre outras medidas preventivas que contribuem para proteger terceiros também, como fornecedores e as comunidades”.

O diretor-presidente do Ibram, Flávio Ottoni Penido, destaca o quanto é importante que as medidas sejam tomadas para que as empresas do setor não paralisem. “As operações continuam no sentido de suprir a cadeia produtiva. Há uma série de outras indústrias que são dependentes da mineração, como a de fertilizantes, de aço, entre outras”, ressalta.
“Temos que fazer todo o necessário para que a economia continue girando. Paralisar tudo seria um caos financeiro total”, diz.

Dessa forma, segundo Flávio Ottoni, além das ações em relação à saúde e à segurança dos colaboradores, existe também uma preocupação por parte das mineradoras, inclusive de Minas Gerais, de agir de forma a manter os empregos em toda a cadeia produtiva.

“Algumas empresas já estão tomando providências no sentido de trabalhar ajudando todos aqueles que estão envolvidos na mineração. Em relação às pequenas e médias que prestam serviços, por exemplo, algumas mineradoras já estão fazendo antecipação de pagamentos”, afirma.

O diretor-presidente do Ibram diz que, por enquanto, não se fala em redução da oferta de minério. Algumas mineradoras, diz ele, chegaram a ter problemas com prefeituras para continuarem em funcionamento, mas conseguiram mostrar que estavam tomando todas as medidas para a proteção dos colaboradores. “Esperamos que isso seja mantido de maneira geral”, destaca ele, que afirma, ainda, que o segmento não fez nenhum pedido específico às autoridades no que diz respeito a suporte financeiro neste momento.

“Houve impactos no setor, pois está focado apenas nas operações essenciais. Outras operações estão sendo postergadas”, diz ele, que frisa, ainda, que o monitoramento das barragens permanece e não pode parar. “Agora é a hora de união de todos os setores. Junto vamos sair dessa”, destaca.

Recomendação – A Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil
(Amig) também se posicionou em relação ao assunto. Em nota, a entidade destacou uma série de ações que devem ser tomadas para conter a propagação do novo coronavírus entre os colaboradores do segmento.

As ações incluem escalonamento do horário de almoço, sistema de rodízio de funcionários, processo de triagem nas portarias e/ou rodoviárias, reforço no número de ônibus para a redução de pessoas nos veículos, entre outras.

A Amig reforça que mineradoras já têm adotado esses procedimentos e existe a sugestão de que eles sejam padronizados e unificados, respeitando as particularidades de cada operação e dos territórios minerados.

“Em meio às incertezas em relação ao impacto econômico no setor mineral decorrente da pandemia, dada a importância econômica desta atividade para as cidades, que sejam implementadas medidas de contingência para a manutenção dos níveis de emprego e produção nas cidades mineradoras. E, desta forma, que as operações de produção ocorram de maneira mais eficaz possível”, diz a entidade.