Entre os dias 24 de janeiro e 1º de fevereiro a cidade histórica no Campo das Vertentes se tornará a capital do cinema brasileiro | Crédito: Leo Lara / Universo Producção

Os números da 23ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes são realmente impressionantes. A cidade do Campo das Vertentes, com pouco menos de 8 mil habitantes – segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para 2019 -, deve receber 35 mil visitantes entre os dias 24 de janeiro e 1º de fevereiro, para a exibição de 113 filmes (31 longas, 1 média e 81 curtas-metragens), divididos em 53 sessões de cinema, e ainda, 39 mesas de debates, diálogos audiovisuais e a série Encontro com os Filmes, performances artísticas e musicais, oficinas e lançamentos de livros.

A cidade histórica abre o calendário oficial do audiovisual brasileiro e, mesmo sem ter, sequer, uma sala de exibição, será transformada na capital do cinema brasileiro. Para isso é montada toda infraestrutura com instalação de quatro espaços principais para sediar a programação e receber a população local e milhares de turistas: Cine Copasa na Praça, Cine-Tenda, Sesc Cine-Lounge e Centro Cultural Sesiminas Yves Alves.

Tudo isso, claro, exige investimento financeiro e um alto grau de organização e planejamento. O evento, consolidado em mais de duas décadas de realização ininterrupta, já passou por fases mais tranquilas no que diz respeito aos patrocínios. De acordo com a coordenadora-geral da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Raquel Hallak, o valor total do evento é de R$ 3 milhões e até agora apenas 65% do volume foi captado.

“É incrível que depois de tanto tempo um evento como este ainda precise batalhar tanto para conseguir patrocínio. E olha que estamos falando de apoio incentivado, não é investimento direto das empresas. Este ano as estatais federais não vão conceder nenhum apoio à cultura. Isso é um baque para todo o setor”, lamenta Raquel Hallak.

Para fazer a Mostra acontecer, a Universo Produção, empresa responsável pela organização, contrata serviços e produtos de 250 diferentes empresas mineiras, boa parte delas do próprio Campo das Vertentes. Cerca de 2,5 mil empregos diretos e indiretos são gerados desde novembro, quando a produção acelera o ritmo e o evento começa a aparecer na mídia. Em 2019, segundo dados da Prefeitura de Tiradentes, durante o evento a cidade movimentou cerca de R$ 18 milhões.

Raquel Hallak: Mostra, de certa forma, dita o ritmo dos festivais | Crédito: Leo Lara/Divulgação

Preparação – Os trabalhos na antiga São José Del Rei já começaram. Toda a estrutura – um complexo de tendas de 1,4 mil metros quadrados – tem que ser erguido. Ao mesmo tempo, trabalhadores de diferentes serviços são capacitados para trabalhar na linha de frente, como atendimento, limpeza e segurança, entre outros.

“Como evento que abre o calendário, a Mostra de Tiradentes, de certa forma, dita o ritmo dos festivais de audiovisual no Brasil. As pessoas esperam o que vai acontecer aqui para marcar suas agendas. Temos a presença de curadores internacionais que vêm conhecer a produção brasileira para levar para as suas mostras e que discutem possibilidades de cooperação e coprodução. Tudo isso exige um grande esforço logístico. E fazemos tudo isso numa época de baixíssima temporada no Estado. No verão todo mundo quer ir para a praia e nós fazemos com que as atenções se voltem para Minas. Isso é muito importante do ponto de vista artístico e econômico”, explica a coordenadora geral da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes.