Crédito: Renan Silva/Flickr

Cesar Vanucci*

“É preciso construir pontes.”
(Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso)

Alinhamos na sequência, ouvidas em diferentes vozes, narrativas de sugestivos flagrantes da atualidade brasileira.

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “O Brasil é um país muito diverso, é difícil você exercer influência. Estamos em um momento em que é preciso construir pontes. É mais difícil do que saltar no vazio. E estamos construindo muralhas.”

Jornalista Carlos Drummond: “Os números decepcionam e esfriam o entusiasmo de quem enxerga o Brasil no caminho certo. (…) Déficit na balança comercial, fuga de dólares, queda da produção industrial, a realidade não anda tão cor-de-rosa.”

Jornalista Rodrigo Martins: “A informalidade bate recorde, aprofunda a desigualdade e contribui para uma recuperação econômica anêmica. (…) São 38,8 milhões de trabalhadores sem carteira assinada ou que atuam por conta própria, sem proteção. (…) A baixa renda dos trabalhadores informais ameaça a arrecadação da Previdência.”

Ex-ministro de Estado Antônio Delfim Netto: “Nossa Constituição foi redigida por uma sociedade que nela se definiu laica e deixou plena liberdade para todos os seus grupos étnicos, religiosos, identitários etc. escolherem como desejam viver suas vidas privadas. É ela que está acima de todos da vida pública: o garante da livre escolha para quem se sente pertinente ao conjunto da “pátria amada.”” (…) “Outro fato que se acentuou em 2019 foi a fúria da judicialização da atividade política, o que provocou uma reação natural: o controle político da Justiça.

É dessa disputa de poder entre burocracias não eleitas, escolhidas por concursos públicos, promovidas politicamente e que ficam indignadas com a simples ideia de ter algum controle, que vem o maior risco ao nosso Estado Democrático de Direito, e não do comportamento de um presidente legitimamente eleito. Este é insolente e preconceituoso, mas está sujeito às restrições constitucionais, sob o controle do Supremo Tribunal Federal quando este decide no Pleno.”

Jornalista Miriam Leitão: “Se na China há falta de informação sobre o tamanho real da paralisação, aqui no Brasil entidades setoriais têm feito sondagens para medir os impactos econômicos do coronavírus. O presidente da Abinee, que representa o setor de eletroeletrônicos, Humberto Barbato, explica que o problema é que algumas informações são consideradas estratégicas pelas companhias. “Ninguém quer mostrar o seu nível de estoque. É uma informação guardada a sete chaves porque pode demonstrar vulnerabilidade. Nossa melhor expectativa é que a China consiga superar a crise neste mês e volte a produzir plenamente em abril”.

Os segmentos de telefonia celular e computadores têm sido os mais afetados dentro do setor de eletroeletrônicos no Brasil, pela falta de peças e componentes. E não há outros fornecedores disponíveis no mundo. Até porque é preciso um período de testes que minimizem o risco das fábricas brasileiras.

O maior problema sempre será a proteção da vida humana e a luta para vencer um vírus que ainda não está sob o controle dos médicos e dos cientistas. Ainda se aprende a cada dia sobre sua capacidade de dispersão e letalidade. Enquanto isso, a economia mundial oscila entre o pânico e a incerteza.”

Nivio Freitas Silva Filho, procurador federal: “Está me afligindo. Está muito difícil. Os vencimentos já não chegam ao fim do mês. É uma situação aflitiva. (…) Confesso que estou ficando muito preocupado se tenho condições de me manter no exercício de minha função.” (Declaração feita em reunião do Ministério Público, defendendo a elevação de vencimentos, inclusive a concessão de auxílio-moradia. As notícias de jornal relativas ao caso acrescentam que o salário do procurador, acima do teto constitucional, era até recentemente de R$ 42 mil mensais, equivalente 40 vezes ao salário mínimo vigente.)

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)