Operações mineiras da Gerdau receberão R$ 1 bilhão em 2 anos
Com nova área, a Gerdau pretende produzir 1 milhão de toneladas de minério por ano - Crédito: Studio Roberto Lima e Pablo Sobral Fotografos Profissionais

A Gerdau segue focada nos investimentos voltados para as operações em Minas Gerais e deve investir cerca de R$ 1 bilhão nas operações no Estado nos próximos dois anos. Além disso, no final do ano passado, a empresa obteve a licença para a nova área chamada Várzea Leste Norte, que faz parte do complexo Várzea do Lopes, localizado em Itabirito/Moeda.

O empreendimento contará com a produção de 1 milhão de toneladas de minério de ferro ao ano e as obras serão iniciadas entre final de março e início de abril.  Também estão previstos investimentos próximos a R$ 40 milhões na descaracterização de barragens em 2020.

“Tivemos importantes avanços no final de 2019. Na operação de mineração, cujo foco é o abastecimento interno, obtivemos, em dezembro, licença para a nova área Várzea Leste Norte, que contará com a produção de 1 milhão de toneladas de minério de ferro ao ano. Outro avanço foi o nosso plano de solução para descaracterização do alteamento a montante da barragem dos Alemães, que foi aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM)”, explicou o diretor-presidente (CEO) da Gerdau, Gustavo Werneck.

O investimento previsto para a descaracterização da barragem dos Alemães, em Ouro Preto, é de R$ 40 milhões em 2020.

Werneck explica que Minas Gerais é um estado muito importante para a Gerdau, por isso, nos próximos anos, uma parte muito significativa dos investimentos previstos para o Brasil será direcionada para o Estado.

“Na mineração, vamos fazer investimentos importantes em processamento a seco e vamos aportar na descaracterização da barragem. Na usina de Ouro Branco vamos ter um ciclo de investimentos importante de 2020 a 2024. A unidade passará por manutenções, modernização tecnológica e melhoria da competitividade. Vamos ter uma obra relevante no alto-forno 1 por volta de 2023. Boa parte do capex previsto para o Brasil vai ser direcionado para Ouro Branco. Nos próximos dois anos, serão investidos R$ 1 bilhão em Minas Gerais especialmente na mineração e na usina”.

Em 2019, os investimentos da Gerdau somaram R$ 1,7 bilhão, sendo R$ 797 milhões para manutenção geral, R$ 424 milhões para manutenção da usina de Ouro Branco e R$ 525 milhões para expansão e atualização tecnológica. Do valor total desembolsado no ano, 49% foram destinados para a operação Brasil, 24% para a Aços Especiais, 23% para a América do Norte e 4% para a América do Sul.

O plano de investimentos global da companhia para 2020 continua sendo de R$ 2,6 bilhões, que faz parte do programa de capex de R$ 7 bilhões para o período de 3 anos (2019-2021).

Resultados – A Gerdau apresentou queda de 73,8% no lucro líquido ao longo do último trimestre de 2019, frente igual período do ano anterior, com o valor recuando de R$ 389 milhões para R$ 102 milhões. De acordo com balanço divulgado ontem pela a companhia, o resultado negativo registrado no último trimestre do ano elevou a queda no fechamento de 2019. Na conclusão do ano, a siderúrgica registrou uma retração de 47,7%, com o lucro líquido somando R$ 1,2 bilhão, ante os R$ 2,3 bilhões registrados ao longo de 2018.

Queda também foi registrada na receita líquida trimestral. Entre outubro e dezembro, a receita caiu 12,5%, passando de R$ 10,9 bilhões para R$ 9,5 bilhões. No acumulado de 2019, a receita retraiu 14,1%, encerrando o período em R$ 39,64 bilhões, ante os R$ 46,1 bilhões registrados no ano anterior.

No lucro ante juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi registrada queda de 19,4%, caindo de R$ 1,4 bilhão no quarto trimestre de 2018 para R$ 1,1 bilhão em igual período de 2019. No ano, a queda ficou em 14,2%, com o valor de R$ 5,7 bilhões, ante os R$ 6,6 bilhões registrados em 2018.

De acordo com o vice-presidente executivo de finanças (CFO) da Gerdau, Harley Scardoelli, a queda se deve ao mercado e a paradas realizadas pela empresa.

“No Brasil, o resultado foi afetado, principalmente, pelas paradas nos fornos elétricos no trimestre e pela maior exportação de produtos semiacabados no período, com margens inferiores as praticadas no final de 2018 devido aos menores preços de aço no mercado internacional”.

Produção de aço bruto tem queda em 2019

A produção de aço bruto da Gerdau chegou a 2,9 milhões de toneladas no quarto trimestre, contra 3,2 milhões de toneladas um ano antes, queda de 8,4%. Já as vendas chegaram a 3 milhões de toneladas entre outubro e dezembro de 2019, enquanto na mesma época de 2018 havia sido de 3,1 milhões de toneladas. Resultado 2,8% menor.

No acumulado do ano, a produção da siderúrgica caiu de 15,3 milhões de toneladas em 2018 para 12,4 milhões de toneladas em 2019, volume 18,8% inferior. As vendas também ficaram menores, saindo de 143,5 milhões de toneladas para 12 milhões de toneladas em 2019, retração de 17%.

Na Operação de Negócio Brasil (ON Brasil), ao longo do quarto trimestre de 2019, a produção de aço bruto somou 1,4 milhão de toneladas, queda de 1% frente a igual período anterior. Mantendo a mesma base de comparação, foi verificada alta de 13,2% nas vendas totais internas somando 1,4 milhão de toneladas. As vendas internas de aços longos, 1 milhão de toneladas, cresceram 14,9% e de aços planos,  434 mil toneladas, aumentaram  11,4%.

O diretor-presidente (CEO) da Gerdau, Gustavo Werneck, destaca que, no Brasil, ao longo do quarto trimestre de 2019, houve um crescimento acima da média do mercado doméstico de aços planos e longos. No período, as vendas de aços planos cresceram 11,4%, impulsionadas, principalmente, pelo avanço da estratégia em chapas grossas nos setores eólicos, máquinas e equipamentos, embarcações e óleo e gás. Para 2020, as perspectivas são positivas e os negócios serão estimulados pelos avanços na construção civil e nos projetos de infraestrutura.

“A cadeia consumidora de aço encerrou 2019 com baixos níveis de estoques e demanda aquecida. O mercado doméstico de aços longos, os sinais de reação no setor de construção civil no Brasil se confirmaram nos últimos meses do ano, o que resultou em aumento de 17% nas nossas vendas de aço para concreto armado no quarto trimestre de 2019. Para 2020, o avanço dos lançamentos da construção civil, que estavam restritos aos grandes centros, devem se estender a outras regiões do País, favorecendo uma retomada mais consistente para o setor da construção e contribuir para a maior demanda pelos nossos produtos”.

Ainda conforme Werneck, é esperado um avanço maior no setor de infraestrutura a partir do segundo semestre de 2020, seguindo os destravamentos dos investimentos públicos e das parcerias com o setor privado.

O segmento de varejo também segue bastante positivo, segundo Werneck. “Nossas vendas subiram 34% em 2019, frente a 2018, enquanto a base de cliente cresceu 55%. Além disso, as vendas vias canais eletrônicos passaram a representar 11% dos volumes vendidos devido ao lançamento da loja virtual”, disse Werneck.