Crédito: Marcos Santos/USP

Ano novo, vida nova. Antes de mais nada, desejo um 2020 de muito sucesso para todo(as) que acompanham esta coluna.

Inicio o ano com um tema que irá impactar diretamente no futuro da humanidade.

Alan Turing (já o citei em artigo anterior), foi um matemático e cientista da computação. Formulou a ideia da ciência da computação e construiu algoritmos sofisticados.

Foi o percursor da religião de dados que nos deparamos hoje.

E são tantos dados que estamos perdendo a consciência humana, nossa capacidade cognitiva de reconhecer e conhecer o valores humanos.

E antes que de mais nada, é importante citar que não tenho o objetivo de trazer a visão maniqueísta, apenas expor um cenário real.

Os dados são imprescindíveis para a vida e negócios. O achismo não tem mais espaço para um mundo equalizado na mediana e extremamente competitivo. As tomadas de decisões precisam estar baseadas em números e dados.

A grande questão aqui, é levantar provocações e questionamentos acerca do excesso de dados. Inclusive já abordei o excesso de informações que dispomos hoje, no artigo; “A inteligência ficou cega de tanta informação.”

Inteligência Artificial e automação faz do mundo mais bits do que átomos. Coloca a sociedade numa linha tênue entre um mundo melhor e um mundo mais injusto, menos inclusivo.

Países menos desenvolvidos tecnologicamente, irão perder em competitividade e desenvolvimento social. Como costumo dizer em palestras e cursos, os dados são o novo petróleo.

Como atualmente os processos de tomada de decisão são puramente orientados à dados, há uma obcecação na influência dataísta. Mas cuidado com este excesso. Sensações, emoções e pensamentos possuem um papel fundamental.

Precisamos trabalhar com as duas vertentes em sinergia, o dataísmo e o humanismo.

Conforme cita Yuval Noah Harari; “os humanos renunciam à autoridade em favor do livre mercado, da sabedoria das multidões e de algoritmos externos em parte porque não conseguem lidar com o dilúvio de dados.”

Precisamos trabalhar habilidades para lidarmos com este futuro incerto e caótico, que têm tudo para ser extremamente promissor.

Empatia, comunicação, saber escutar, criatividade, liderança serventia e colaboração, são algumas características de pessoas que farão a diferença na edificação de um futuro mais humano.

Os algoritmos em breve, irão nos conhecer melhor do que nós mesmos. Nossa capacidade cognitiva irá cada vez mais desacoplar da nossa inteligência. Poderemos virar diversão de robôs mais evoluídos intelectualmente do que nós humanos.

Dentro deste contexto, deixo aqui uma reflexão que soa apocalíptica, mas é uma possibilidade desastrosa. Já imaginou nos tornamos os golfinhos e chipanzés do futuro?

O futuro precisa ser humano.

Feliz 2020!

O futuro é agora.

Grande abraço.

Bruno de Lacerda.