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José Eloy dos Santos Cardoso*

Os recuos das economias mundiais e das economias brasileira e dos estados não são culpa exclusiva do coronavírus. Antes desse mal que assola as economias mundiais e brasileira, a paralisação da economia do Brasil já era esperada por vários economistas que, no passado, só falavam em guerras e efeitos colaterais do embate comercial entre os Estados Unidos e a China, os dois gigantes de todo o processo produtivo mundial.

Esse grau de incerteza no comércio internacional foi descrito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que, retroagindo a 1995, com índices calculados, mostrava que no ano de 2019, os índices daquele ano superava em dez vezes a marca de 2018, depois de quase 25 anos de estabilidade. A guerra de preços entre os Estados Unidos e a China já existia antes do temido coronavírus e o futuro da economia mundial já estava quase definido pelos movimentos de defesa dos principais ativos financeiros, como ações, moedas e títulos públicos e privados.

Em 2019, os Estados Unidos já praticava juros negativos que previam um futuro negro para a economia mundial. A disputa tecnológica entre a China e os Estados Unidos como a utilização nas redes de comunicação da tecnologia 5G e os conflitos do Oriente Médio, em termos de explorações e exportações de petróleo, já indicavam um mau presságio para o ano de 2020. Como alguns países produtores de petróleo já tentavam jogar os preços do barril desse bem para cima, já encareciam os custos de produção e a demanda global.

Tecnologias de ponta como a 5G deverão, queiramos ou não, e os economistas mundiais também, determinar no futuro que esse seja o padrão tecnológico mundial para as infraestruturas tanto civil quanto militar que podem, em tese, provocar até perigos nas seguranças dos países mundiais porque poderão produzir padrões de escuta que transformarão o mundo do futuro. Por esse motivo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou a China que domina esse padrão tecnológico como perigoso inimigo no futuro. A empresa Huawei pode ser a principal inimiga dos EUA, assim como todas as filiadas a ela.

No fundo, o Brasil também tem medo da tecnologia 5G, porque ela pode trazer complicações nas atividades econômicas mundiais e, por tabela, no complicado e difícil comércio internacional brasileiro. O Brasil exporta 30% do petróleo que produz nas suas águas profundas, mas importa 15% do que consome internamente.

O coronavírus apareceu de fato no início de 2020, para complicar a situação brasileira e, também, a de Minas Gerais. Se em 1960 a economia mineira estava estagnada por falta de trabalho e oportunidades e suas finanças eram na época também complicadas, imaginemos agora com os efeitos do coronavírus, que produz empresas paradas, trabalhadores desempregados e o nosso querido Estado sem dinheiro até para pagar o 13º e salários atuais de seus funcionários públicos.

É muito penoso para nós ler notícias da Itália, onde a localidade de Bérgamo está em falta até de caixões para abrigar seus inúmeros mortos vitimados pela pandemia. O que será de nós mineiros desde agora, mesmo que nosso País não deva enfrentar um triste momento como este.

*Economista, professor e jornalista