Prédio ocupado pelo Othon, com 296 quartos em 29 andares, está vazio desde 2018 | Luciana Montes

Usar o espaço de hotéis e motéis vazios para atender a pacientes com sintomas leves do coronavírus e que não têm condições de fazer isolamento domiciliar é uma ideia que está sendo debatida no mundo todo. O deputado federal Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), coordenador da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, fez a sugestão no Brasil.

Segundo ele, a medida que foi adotada na China, atenderia sobretudo a moradores de comunidades onde, muitas vezes, vivem famílias inteiras em um único cômodo.

Em Minas Gerais, o deputado estadual Alencar da Silveira Júnior (PDT) sugeriu ao governo de Minas que faça uma requisição administrativa para usar o prédio do antigo hotel Othon Palace, no hipercentro da Capital. O prédio, com 296 quartos em 29 andares, está vazio desde o final de 2018.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hoteleira de Minas Gerais (Abih), Guilherme Sanson, a proposta é absurda. “Ainda não recebemos nenhuma comunicação do governo federal ou do estadual. Acredito que essa ideia não vá para frente. Os hotéis não têm estrutura física para esse tipo de uso. Já enfrentávamos uma grave crise de demanda e agora, com tudo isso, precisamos de ajuda para socorrer o setor”, reclama Sanson.

Até quarta-feira (8), mais de 50% das reservas em hotéis associados à Abih-MG tinham sido canceladas. Para a Associação, as ações imediatas para equilibrar a situação seriam a redução do ISS, maior prazo para pagamento do IPTU e ICMS, e que o mesmo seja desmembrado das contas de energia elétrica, telefonia e água e esgoto e gás, sendo diferido seu pagamento para, pelo menos, seis meses, garantindo ainda a possibilidade de futuro parcelamento.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) se posicionou através da assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), informando que a proposta está em fase de estudos, sem nenhuma definição sobre a implantação.

No Estado, a Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) se coloca à disposição para ajudar em alguma possível negociação futura mas informa que esse é um tema que deve ser tratado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) com a PBH e as entidades que reúnem os equipamentos hoteleiros.

Até o fechamento da edição, a SES não respondeu o questionamento. O certo, porém, é caso a ideia seja considerada, o processo de negociação e uma possível implantação não seria algo rápido, ficando para o médio prazo.