Segundo o estudo, utilização da capacidade instalada permaneceu inferior à usual para o mês | Crédito: Eric Gonçalves

As incertezas relacionadas ao futuro por causa da disseminação do novo coronavírus (Covid-19) já haviam interferido no otimismo dos industriais do Estado no início de março.

De acordo com a Sondagem Industrial de Minas Gerais, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), as expectativas relacionadas à demanda, compra de matéria-prima e número de empregados apresentaram retração, atingindo 60,2, 58,6 e 54,2 pontos respectivamente. Em fevereiro, os números registrados, na mesma ordem, foram 61,1, 58,7 e 55,4 pontos.

A entidade lembra, ainda, que a lenta recuperação da economia também interferiu no recuo dos números. Entretanto, mesmo com a retração, o fato de os índices estarem acima dos 50 pontos mostra que os empresários ainda estavam otimistas no período do estudo.

Por outro lado, as intenções de investimentos apresentaram incremento pela segunda vez consecutiva, passando de 60 para 63 pontos, sendo as mais elevadas para março desde o ano de 2014, início da série histórica.

A gerente de economia da Fiemg, Daniela Britto, destaca que, quando a pesquisa foi realizada, a questão da disseminação do novo coronavírus no Brasil ainda estava em fase inicial. Sendo assim, os números do próximo mês poderão ser bem diferentes, assim como todo o cenário do setor.

“Apesar de o estudo não ter pegado o ápice da preocupação com o novo coronavírus, já começavam os impactos, pois se tinham dados da Ásia e da Europa, além de alguns casos no Brasil. O quadro já era de incertezas em relação à economia e, com o coronavírus, se intensificou”, diz ela.

Para Daniela Britto, ainda não é possível medir os impactos da doença para o setor industrial, mas eles serão grandes. “Deverá haver um choque negativo de oferta de bens e serviços e possível queda na demanda, devido à perda de renda das famílias. Entretanto, o governo está se atualizando constantemente em relação a medidas para diminuição dos impactos, o que deverá reduzi-los”, salienta.

Outros números – A pesquisa da Fiemg também mostra que o índice de evolução da produção industrial retraiu 2 pontos em fevereiro, passando de 48,8 pontos em janeiro para 46,8 pontos. Em comparação a fevereiro de 2019 (48,7 pontos), a retração foi de 1,9 ponto.

Conforme ressalta Daniela Britto, o recuo é usual para o mês, que tem menos dias úteis. Além disso, neste ano a celebração do Carnaval foi em fevereiro, o que também contribuiu para a baixa do índice. Em 2019, o período de festividade se deu em março.

Já o índice de evolução do número de empregados revelou aumento pelo segundo mês consecutivo, chegando a 51,8 pontos. A alta foi de 0,2 ponto na comparação com janeiro (51,6 pontos) e de 4,3 pontos em relação a fevereiro do ano passado (47,5 pontos). O número foi o mais elevado para fevereiro desde o início da série histórica mensal, em 2011.

“A economia estava melhorando, mesmo que de maneira lenta, estava em um movimento de saída da crise”, ressalta Daniela Britto, lembrando que, agora, esse quadro tende a mudar.

A utilização da capacidade instalada, por sua vez, atingiu 45,4 pontos no mês passado, o que mostra que as empresas estavam operando abaixo da capacidade instalada usual para fevereiro. O número representa um recuo de 0,3 ponto em relação a janeiro (45,7 pontos) e de 0,2 ponto na comparação com fevereiro de 2019 (45,6 pontos).

Por fim, os estoques de produtos finais das indústrias apresentaram queda, chegando a 49,4 pontos em fevereiro. O indicador de estoque efetivo em relação ao planejado atingiu 49,9 pontos. “A demanda foi superior ao previsto pelas empresas”, destaca Daniela Britto.

Venda de aço plano cai 8%

São Paulo – Distribuidores de aços planos do País tiveram queda de 8,1% nas vendas em fevereiro sobre o mesmo período do ano passado, para 284,6 mil toneladas, informou ontem a entidade que representa o setor, Inda.

Na comparação com janeiro, as vendas de fevereiro subiram 1,9%, segundo a entidade.
As compras de aço pelo setor subiram 27,9% na comparação anual em fevereiro e avançaram 3% frente a janeiro, para 306,2 mil toneladas.

Segundo o Inda, os estoques dos distribuidores, responsáveis por cerca de um terço das vendas das usinas siderúrgicas do País, encerraram fevereiro em 839,7 mil toneladas, um crescimento de 2,6% ante janeiro e volume equivalente a 3 meses de comercialização.

As importações de aço pelos distribuidores no mês passado desabaram 39% frente a janeiro e recuaram 31,2% na comparação anual, para 64,8 mil toneladas.

Apesar da crise desencadeada pelo coronavírus e seus impactos na indústria siderúrgica nacional, o Inda afirmou que espera que as compras e vendas de aço pelos distribuidores em março fiquem estáveis na comparação com fevereiro. (Reuters)