Nesse momento de insegurança a informação é um alento para todos, pondera Filizzola | Crédito: Divulgação

A crise detonada pelo novo coronavírus assusta o mundo pelo aspecto da saúde, com números alarmantes, e também, de maneira pouco imaginada pela maioria, corrói a economia mundial. O volume de perdas é tão grande que se torna praticamente impossível manter-se atualizado sobre o tamanho do prejuízo.

O potencial de desastre dessa crise, porém, ainda pode nos deixar uma lição e uma mudança de hábito que, se não é exatamente uma novidade, pode ganhar velocidade: a cooperação entre empresas e entre empresas e clientes e, especialmente, o compartilhamento de informações e conhecimentos entre eles.

Em Belo Horizonte, a Piquini Comunicação Estratégica abre espaço em sua agenda e oferece consultoria gratuita a pequenas e médias empresas que estejam com dificuldade de articular sua comunicação com empregados, clientes e fornecedores nesse momento de crise. Cada consultoria terá duração de uma hora via internet e é preciso fazer uma inscrição.

De acordo com o consultor Marco Piquini, ajudar as empresas, principalmente as menores, a fazer uma comunicação efetiva com seus diferentes públicos, mantendo e estreitando laços, que será fundamental durante a crise e na retomada dos mercados.

“Por mais necessidade que tenhamos de vender o produto, uma comunicação puramente comercial pode soar oportunista. Estamos vivendo uma nova realidade que vai mudar as bases do relacionamento entre pessoas e empresas. Neste momento, as empresas têm que preservar o que têm de melhor, a marca delas. É hora de comunicar valor, a responsabilidade social que elas têm. Foi pensando nisso que a ideia da consultoria surgiu. Será que as empresas estão sabendo como fazer isso?”, explica Piquini.

Tecnologia – Com sede em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e departamento comercial em São Paulo, a Qranio também resolveu dividir sua expertise com clientes e outras empresas de forma gratuita.

A plataforma mobile trabalha na criação de treinamentos personalizados para empresas e usa gamificação para estimular seus usuários com conteúdos educacionais. Seu foco é criar cursos que possibilitem que os funcionários destas organizações tenham acesso às informações na hora e no local que necessitam, por meio de recursos que incentivam o autodesenvolvimento.

Segundo o CEO da Qranio, Samir Lásbeck, a empresa vai disponibilizar gratuitamente sua plataforma para que professores, escolas públicas, privadas e alunos possam continuar suas atividades a distância até a normalização das aulas.

“Acreditamos que esse é um momento em que as pessoas e empresas começam a exalar os seus valores. É um momento de solidariedade e compartilhamento. No caso da Qranio, queremos fazer algo efetivo. Nossa preocupação é atender a todos. Todas as escolas vão ser bombardeadas. A segunda preocupação é ajudar na ponta: aluno e professor. Não vamos medir esforços. São três grandes ações: disponibilizar nossas ferramentas para que os professores possam passar tarefas e colocar trilhas de estudos para os alunos. A ideia é que aquele que usa a nossa ferramenta, libere seu conteúdo. Abrir o aplicativo em todas as categorias. E disponibilizar 2.500 moedas dentro do jogo para facilitar a interação e, se for necessário, vamos liberar mais. O objetivo é ajudar as escolas e qualquer professor. Um ponto importante é que as pessoas com domínio técnico vão poder disponibilizar conteúdos para quem quer estudar, com a criação de trilhas. Ao longo desse período, que não sabemos quanto vai durar, vamos pensar em soluções específicas de acordo com a necessidade de cada escola”, promete Lásbeck.

Vídeos on-line – Também na Capital, a Samba Tech, empresa referência no mercado de vídeos on-line, especializada em soluções que garantem infraestrutura de alta qualidade para venda, distribuição, gerenciamento e armazenamento de vídeos, também vai colocar seus conhecimentos e produtos a favor do mercado, liberando conteúdos e ferramentas para empresas clientes ou não.

Para o CMO da Samba Tech, Pedro Filizzola, essa é uma ação prevista para durar três meses, mas pode ser estendida de acordo com o desenrolar da crise. “Logo que as notícias começaram a aumentar, nos reunimos para entender como o nosso sistema de educação poderia ajudar. Como poderíamos fazer algo a mais para o mercado. O nosso propósito é levar conteúdo a todos os lugares. Então estamos ofertando uma tecnologia para que escolas e governos possam utilizar a ferramenta de vídeo gratuitamente. Acreditamos que a educação transforma e nesse momento de insegurança a informação é um alento para todos”, pondera Filizzola.

Startups têm soluções no combate ao Covid-19

O poder de inovação de pequenos negócios, como as startups, contribui para o enfrentamento de problemas atuais da sociedade. Com alta capacidade em desenvolver produtos ou serviços de forma rápida com uso de tecnologia, as startups assumem o protagonismo na busca de soluções inovadoras no combate ao coronavírus.

De acordo com o gerente de inovação do Sebrae, Paulo Renato Cabral, a inovação pode se apresentar de várias formas, desde pequenas mudanças na rotina dos negócios, ao focar no diferente e antecipar tendências, até mesmo ao propor soluções de grande impacto, como o desenvolvimento de uma vacina.

A startup Hi Technologies, formada por empreendedores, anunciou que disponibilizará para o mercado, a partir de 15 de abril, um teste realizado em média de 15 minutos para o diagnóstico da doença. A empresa, que atua na área da saúde, desenvolveu, em 2017, um laboratório portátil conectado à internet, chamado Hilab, capaz de detectar rapidamente doenças infectocontagiosas por meio de exames de sangue, realizados de forma prática e pouco invasiva.

De acordo com o CEO, Marcus Figueredo, neste primeiro momento, o teste será disponibilizado para o Estado de São Paulo, onde há o maior número de casos da doença, e também para Curitiba (PR), sede da empresa. A startup tem recebido demandas do Brasil inteiro de governos, planos de saúde, hospitais e empresas. Segundo ele, a agilidade das startups é ponto chave em um momento como a pandemia do coronavírus. “Estamos acostumados a nos adaptar de forma rápida para mudar os produtos ou serviços para atender as necessidades que podem surgir repentinamente”, afirmou.

Outra startup que também apresentou solução inovadora para ajudar no enfrentamento da doença é a Siga, startup de geomarketing, de Maringá (PR). Em menos de 24 horas, a equipe preparou uma plataforma para mapear os casos suspeitos e confirmados do coronavírus, a partir dos dados disponibilizados pelos boletins diários do Ministério da Saúde. Em apenas 6 horas, foram aproximadamente 1.500 acessos.

O geógrafo e CEO da Siga, Mateus Felini, explica que a ideia surgiu depois de perceberem informações desencontradas e mensagens falsas sobre o assunto. Ele acredita que a visualização em forma de mapa contribui para maior conscientização das pessoas: “Nosso objetivo foi apresentar uma fonte confiável e de fácil acesso para todos, gerando uma sensação de participação. Ao reconhecer seu próprio território no mapa, as pessoas se sentem mais conscientes da dimensão do problema”.

Fundada em 2018, a startup Siga fornece dados para as empresas traçarem estratégias na abertura e expansão dos negócios, como, por exemplo, na escolha do melhor ponto de venda. No final do ano passado, participou de um programa de aceleração, promovido pela Evoa, aceleradora de startups, parceira do Sebrae. Na ocasião, o Sebrae colaborou no desenvolvimento da estruturação da empresa para se tornar mais competitiva no mercado. (ASN)