Os parasitas proliferam na pecuária nacional com a negligência dos produtores - Crédito: Stephane Klein

As doenças provocadas por parasitas em bovinos causam prejuízos significativos aos pecuaristas. Dentre os parasitas, os vermes redondos gastrointestinais são responsáveis por perdas próximas a US$ 7,1 bilhões ao ano no Brasil.

Muitas vezes, por não serem enfermidades visuais, as verminoses acabam sendo negligenciadas pelos produtores e os efeitos principais são o comprometimento da produtividade do rebanho, principalmente, no leiteiro.

Dentre as verminoses que causam prejuízos está a Stephanofilaria spp (causador da úlcera de lactação), doença que leva à queda na produtividade e da qualidade do leite e pode ampliar o intervalo entre partos.

De acordo com o médico veterinário e gerente técnico da Ceva Saúde Animal Ltda,  Marcos Antonio Malacco, as perdas anuais nos rebanhos brasileiros em função de parasitas – incluindo os vermes redondos, carrapatos e moscas – chegam a US$ 15 bilhões, somente os vermes redondos respondem por cerca de 50% do valor.

“Como as verminoses não são tão visualizadas, como carrapato e as moscas, por exemplo, às vezes, acaba sendo negligenciada pelos produtores. A maior parte das manifestações são subclínicas, ou seja, o animal não apresenta sintomas”, explica.

Mais comum em bovinos leiteiros, a estefanofilariose é reconhecida por lesões, que começam com irritação na pele e surgimento de pápulas e evoluem para nódulos com secreção e perda de pelos. As feridas podem chegar a 25 centímetros de diâmetro.

“A úlcera é um problema grande. Além de atrativa para moscas, o que pode causar o desenvolvimento de bicheiras, a úlcera também pode ser contaminada por bactérias, inclusive pelas que causam a mastite. Por coçar muito e por atrair moscas, as vacas ficam irritadas, comprometendo o bem estar e refletindo na redução do apetite, queda da produção e da qualidade do leite”, destaca.

Período chuvoso – Transmitida pela picada da mosca-do-chifre, a doença tem maior incidência nos períodos mais chuvosos e quentes do ano, quando há mais vetores biológicos. Uma das formas de reduzir as chances de manifestação da enfermidade nos rebanhos é ter um bom controle das moscas, o que pode ser feito com a limpeza das áreas, cuidados com os dejetos nas propriedades e o uso de esterqueiras tampadas, por exemplo.

No Brasil, com chancela do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o produtor pode tratar os animais com o medicamento Eprecis, da Ceva. O indicado é que os produtores tratem os animais em épocas específicas. No caso dos animais adultos, a indicação é a aplicação logo após o parto, depois do pico de lactação e no dia de secagem das vacas, o que é importante para o preparo da próxima lactação.

De acordo com Malacco, o animal com verminose terá menor produtividade e demandará mais tempo para emprenhar novamente.

“Com a falta de apetite e o gasto de energia para produzir o leite, o animal doente terá um pico de produção menor, além disso, por perder o apetite, pode ocorrer anorexia voluntária. O animal enfraquecido vai emprenhar tardiamente, o que eleva o intervalo de parto e causa prejuízos, uma vez que o recomendado é uma prenhez por ano”, afirma.