Alexandre Kalil garantiu que as medidas de restrição serão mantidas durante quarentena | Crédito: Mara Bianchetti

Sem data prevista para a reabertura do comércio, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) já estima perdas de até R$ 500 milhões na arrecadação neste exercício, em função da crise imposta pelo novo coronavírus (Covid-19) e as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde de todo o mundo.

Com receitas e despesas estimadas inicialmente em R$ 13,7 bilhões para 2020, o Executivo municipal já desembolsou cerca de R$ 100 milhões em recursos adicionais ao combate à doença, nas últimas semanas.

Em entrevista coletiva, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) voltou a afirmar que apesar dos impactos econômicos e financeiros, as medidas de restrição devem durar enquanto a Secretaria Municipal de Saúde mantiver a quarentena. E disse que as decisões da prefeitura estão sendo tomadas com consultoria de três infectologistas e o aval do secretário Municipal de Saúde, Jackson Pinto.

“Esta cidade está sendo comandada por três infectologistas chefiados pelo secretário de Saúde. Eles é que estão no comando. Eles é que decretarão o fim da pandemia e a saída, que deverá ser cuidadosa e copiará todos os protocolos do mundo”, afirmou.

Kalil se referiu ao Decreto nº 17.304, de 18 de março de 2020, cujo objetivo é evitar aglomerações e a disseminação do vírus nos estabelecimentos comerciais da capital mineira. Desde então, a maioria das atividades segue suspensa ou funcionando de portas entreabertas na cidade.

“As pessoas que defendem a retomada imediata do comércio estão achando que vai todo mundo para a rua comprar mil pares de calçados do dia para a noite. No momento certo vamos ter o desmame do isolamento, que terá que ser feito com cuidado e copiado de outros locais”, argumentou.

Para o prefeito, seguir o exemplo da Itália – onde, no início do surto da infecção, líderes políticos fizeram campanha para a manutenção das atividades – não é a melhor opção.

“Temos dois caminhos: ou seguimos o caminho de Milão, na Itália, ou o de Wuhan, na China. Vamos seguir a China e voltar vagarosamente”, completou.

Sobre os R$ 100 milhões gastos pela PBH até aqui, o prefeito citou a doação de 382 mil cestas básicas a pessoas carentes e estudantes da rede municipal de educação e a compra de equipamentos de proteção individual (EPIs) disponibilizados aos profissionais de saúde da cidade. Segundo ele, a Prefeitura de Belo Horizonte já adquiriu 1 milhão de máscaras, 400 mil aventais e 73 mil caixas de luvas de proteção.

Kalil informou que a Capital terá mil novos leitos exclusivos aos pacientes diagnosticados com a doença, em vagas a serem disponibilizadas pelos hospitais São José e São Francisco e, também, pela Santa Casa.

E disse que o estádio Mineirão, na Pampulha, não vai mais abrigar um hospital de campanha, como chegou a ser previsto. O chefe do Executivo municipal disse, apesar de ter chegado a um consenso com o governador Romeu Zema (Novo), o acordo foi desfeito.

“Quanto ao hospital no Mineirão, o governo do Estado não cedeu a esplanada para a Prefeitura de Belo Horizonte. Infelizmente”, justificou.

Circulação – Por fim, Kalil reafirmou que vai restringir a circulação de veículos vindos de cidades mineiras que declararem abertura total do comércio durante o combate à pandemia no País. Na última semana, ele chegou a anunciar a proibição da entrada de ônibus de Lagoa Santa, mas revogou a decisão após a cidade anunciar regras mais rígidas para o funcionamento do comércio.

Além disso, depois do fechamento da praça da Liberdade e do parque JK, no último fim de semana, a praça da Assembleia também será fechada a partir desta sexta-feira (10).

“Estamos estudando as medidas restritivas para a orla da lagoa da Pampulha. As pessoas ainda não entenderam que não estamos de férias. Ainda vamos estudar como vai ser (o fechamento), mas vai ser”, avisou.