Crédito: Calil Neto

O Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio de Minas Gerais cresceu 5,12% em 2019, representando 36% do PIB estadual. O resultado positivo foi impulsionado, principalmente, pelo ramo pecuário, cuja atividade avançou 8,51% no ano passado. O PIB do ramo agrícola também cresceu, mas em menor intensidade: 2,07%.

Os resultados da pecuária foram favorecidos pela maior demanda externa por carnes em decorrência da Peste Suína Africana (PSA), principalmente, na China. Já na agricultura, uma expansão maior foi limitada pela safra menor de café. Os dados foram calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Seapa, João Ricardo Albanez, o aumento do PIB do agronegócio é extremamente positivo para o Estado e aconteceu em função do bom desempenho da pecuária.

“Redução do plantel de suínos na China, devido à PSA afetou de forma significativa os resultados. Isso porque os chineses consomem muita carne suína e, com a oferta interna menor, o país entrou no mercado comprando e alavancando as nossas exportações de carnes, principalmente, a bovina, e contribuiu de forma muito favorável para a expansão do PIB. O crescimento do PIB da agricultura também foi positivo, mas tínhamos um limite de expansão pela bienalidade negativa do café e pelos preços que não reagiram conforme esperado. Se não tivéssemos o momento favorável da pecuária, teríamos resultado bem diferente do que foi obtido”, explicou.

Projeção 2020 – Para 2020, a estimativas são cautelosas em função da pandemia de coronavírus e das incertezas provocadas pela doença. Mas, caso este desafio seja superado, a tendência é de resultado positivo, que pode ocorrer em função da maior safra de café e de grão. Além disso, a demanda por alimentos, incluindo as carnes, tende a ser maior, já que a China tende a recompor os estoques que ficaram menores devido à paralisação para contenção da disseminação do coronavírus.

“As incertezas são muito grandes, temos uma provável produção recorde de café e existe possibilidade de melhoria dos preços devido aos estoques mundiais baixos. Além disso, a China já sinaliza o retorno da compra de produtos e, talvez, entrarão no mercado com demanda muito positiva, tendo em vista que os estoques foram comprometidos diante da parada na China e na economia pelo coronavírus. Tem perspectivas boas, mas teremos que superar as condições impostas pela pandemia”, disse Albanez.

Segundo dados do Cepea, a expansão do PIB da pecuária mineira, 8,51%, em 2019 frente a 2018, foi impulsionada pela alta verificada em todos os segmentos da atividade. No segmento de insumos da pecuária, foi observado avanço de 2,68%, no primário, o aumento foi de 10,24%, e a agroindústria cresceu 4,25%. Os serviços do ramo pecuário avançaram 8,14%.

No ramo primário ou dentro da porteira, houve importante aumento tanto em preços quanto em volume produzido. De acordo com a média ponderada das atividades acompanhadas, os preços aumentaram 5,38% e a produção, 4,59%. Dentre os produtos, foram destacados pelo Cepea o crescimento do faturamento de suínos (32%), bois (17%), frango (14%), ovos (15%) e de leite (3%).

Os pesquisadores do Cepea explicam que, no caso das cadeias pecuárias, em geral, o resultado positivo ocorreu em função do bom desempenho das exportações de carnes, já que a demanda interna ficou enfraquecida em grande parte do ano no País. Com a ocorrência do surto de Peste Suína Africana (PSA) nos países asiáticos, houve forte aumento na demanda mundial por carnes e os preços internacionais das proteínas animais subiram expressivamente, o que se refletiu nos preços domésticos. O setor pecuário em Minas Gerais reagiu ao cenário favorável e expandiu a produção dentro da porteira e na agroindústria.

Agricultura também fecha ano no positivo

Quanto ao ramo agrícola, o resultado positivo do Produto Interno Bruto (PIB), 2,07%, foi reflexo dos bons desempenhos dos segmentos de insumos (9,52%), agroindustrial (3,56%) e de serviços (2,10%). Já o segmento primário recuou 2,33%, principalmente em função da cultura do café, que teve queda na produção no ano, em decorrência da bienalidade negativa, e registrou preços menores também.

Na média ponderada geral da agricultura mineira, o volume produzido pela agricultura em 2019 caiu 4,88%. Já para preços, a variação positiva entre 2019 e 2018 foi de 1,78%.
Dentro da porteira, o café, principal cultura do Estado em termos de participação no Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola, apresentou redução tanto em volume produzido (21%) quanto em preço (8%), resultando em queda no faturamento (-27%), o que influenciou o desempenho geral do segmento.

Para a cultura da soja, a retração de 10% no faturamento anual também foi reflexo da produção 5% inferior no Estado e dos menores preços reais, que caíram 6%. Na cultura do milho, o incremento no faturamento anual (12%) resultou da maior quantidade produzida (13%), uma vez que foi observada queda dos preços reais (1%) na comparação com 2018.

Já no caso da cana-de-açúcar, o aumento do faturamento (9%) foi resultado tanto do incremento da produção (8%) quanto de maiores preços reais (1%). Desempenho positivo também foi verificado no feijão, cuja produção cresceu 9% e os preços aumentaram 73%, elevando o faturamento da cultura em 88% em 2019 frente a 2018. Na batata-inglesa, houve alta de 4% na produção, de 93% nos preços e de 101% no faturamento.