O Índice de Captação Leiteira sofreu queda de 7,9% no Brasil neste ano, em plena safra | Crédito: Divulgação

Em Minas Gerais, o preço do leite pago ao produtor em março (referente ao volume captado em fevereiro) registrou alta de 1,78% em relação ao mês anterior, chegando a R$ 1,45 por litro na média líquida, segundo a pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Os aumentos verificados nos valores do leite no campo de Minas Gerais estão ocorrendo desde janeiro e são atrelados à concorrência entre laticínios para garantir a compra de matéria-prima em um cenário de oferta limitada.

As estimativas em relação aos valores a serem pagos em abril são cautelosas e pode ser que ocorra queda devido ao menor consumo em resposta ao fechamento de parte do comércio alimentício para o controle do novo coronavírus.

Por outro lado, ao longo de março, houve aumento dos preços do leite longa vida em função da maior procura do consumidor final, que ficou com receio de faltar produto, e da recomposição dos estoques feita pelos supermercados e atacadistas.

De acordo com os dados do Cepea, assim como em Minas Gerais, o preço do leite, na média Brasil, em março, apresentou alta de 1,4% frente aos valores praticados em fevereiro. O litro de leite foi negociado a R$ 1,43 na média líquida.

Apesar do período de safra, o Índice de Captação Leiteira (Icap-L) do Cepea recuou 4,35% na média Brasil de janeiro para fevereiro e já acumula queda de 7,9% no ano. Além do clima adverso em algumas regiões produtoras, outros fatores também têm desestimulado o aumento da produção no campo. Segundo os pesquisadores do Cepea, com a alta nos valores do concentrado – puxada pela constante valorização dos grãos – e o maior abate de vacas leiteiras, devido à elevação dos preços no mercado de pecuária de corte, a produção no campo tem recuado.

Além disso, a perda da rentabilidade registrada nos anos anteriores comprometeu os investimentos de longo prazo na produção leiteira, limitando o atual potencial de crescimento da atividade.

Apesar da produção menor e sem estímulos para que o volume de leite aumente, para abril, pode ocorrer retração nos preços a serem pagos pela entrega de março. Com as medidas adotadas para o controle da disseminação do novo coronavírus, o que fechou diversos estabelecimentos de alimentação, o consumo de alguns produtos lácteos refrigerados, como queijos – que respondem por mais de 30% da destinação do leite nas indústrias –, ficou menor.

Para os pesquisadores do Cepea, com a queda da demanda, as indústrias lácteas poderão se deparar, em poucas semanas, com um cenário de baixo faturamento, o que será transmitido aos produtores.

Por outro lado, as recomendações de isolamento e a necessidade de menor circulação geraram incertezas nos consumidores em relação à manutenção do abastecimento. Com isso, redes atacadistas e varejistas intensificaram a procura por derivados em março, em especial o leite UHT, o que aumentou os preços.

Regiões – Ao longo de março, referente à produção entregue em fevereiro, foi registrada valorização nos preços pagos aos pecuaristas em todas as regiões de Minas Gerais. A maior foi no Vale do Rio Doce, 2,28%, com o litro de leite negociado a R$ 1,36.

O pecuarista da Zona da Mata vendeu o litro de leite, na média líquida, a R$1,37 em março, aumento de 2,15% quando comparado com o mês anterior. No Sul e Sudoeste, o preço médio líquido pago pelo litro de leite foi de R$ 1,47, o que representou um avanço de 2,08% sobre o valor recebido em fevereiro.

No Triângulo e Alto Paranaíba, a valorização do leite foi de 1,64%, com o litro comercializado a R$ 1,48, na média líquida de março.
Com alta de 1,57%, o pecuarista da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) recebeu, em média, R$ 1,43 pelo litro.