A formação de estoques pressiona os preços nos supermercados | Crédito: Amis/Divulgação

A alta procura por alimentos e o encarecimento dos custos com o deslocamento das cargas fez com que os preços de importantes produtos fossem reajustados nos supermercados de Minas Gerais.

De acordo com a Associação Mineira de Supermercados (Amis), com a implantação do isolamento social para controle do novo coronavírus, houve grande demanda por itens alimentícios como arroz, ovos, leite e derivados e feijão, o que elevou os preços. Além disso, o frete está mais caro, uma vez que estão voltando vazios para a origem, o que antes do fechamento de vários estabelecimentos comerciais não acontecia.

A indicação da Amis é de que os consumidores não estoquem alimentos, para evitar o aumento dos preços e que busquem por marcas com valores mais acessíveis. O abastecimento das unidades supermercadistas está garantido, segundo o presidente executivo da entidade, Antônio Claret Nametala.

Claret explica que, com a alta demanda das últimas semanas, foi preciso renovar os estoques e os fornecedores reajustaram os valores. As redes estão em negociação com os fornecedores para chegarem a um melhor acordo.

“Nas últimas semanas tivemos uma pressão muito grande dos consumidores no sentido de compras, aparentemente, para formar estoques domésticos durante o isolamento para o controle da disseminação do coronavírus. Com isso, foi necessário recompor os estoques e nos deparamos com tabelas alteradas. Optamos por comprar e garantir a oferta dos produtos”.

Ainda segundo Claret, grande parte dos supermercados ouvidos pela Amis registrou aumento nos preços de lácteos – em especial o leite longa vida -, feijão, arroz, óleo, alho e ovos, este último já apresentava valorização em função do maior consumo na Quaresma.

“Ainda não foi possível calcular uma média de reajuste. Os fornecedores têm explicado que eles tiveram aumento na cadeia produtiva e vários estão fazendo a demonstração. É importante ressaltar que a margem de lucro dos supermercados não foi ampliada, estamos repassando o aumento dos fornecedores. O abastecimento está garantido, por isso, ressaltamos ao consumidor que ele não deve se preocupar em estocar alimentos”.

Transporte – Além da maior demanda, contribuiu para a alta nos alimentos os custos com frete. Claret explica que antes do isolamento, os caminhões abasteciam os supermercados e voltavam para as origens com cargas de variados setores que, hoje, estão fechados, o que contribuía para um menor custo com o frete. Após a implantação da quarentena, a maioria das carretas volta vazia e, com isso, houve ampliação dos custos.

“O arroz é exemplo disso. Os caminhões vinham com arroz e voltavam com outros produtos de outros segmentos e, hoje, não tem carga de retorno”.
Para garantir a chegada de produtos, os supermercados mineiros também estão distribuindo kits de alimentação para os caminhoneiros. Nos primeiros dias após os decretos estaduais e municipais para o fechamento dos estabelecimentos comerciais e de serviços, os caminhoneiros não encontravam pontos para alimentação, o que poderia impedir o funcionamento do transporte de cargas.

“Vários supermercados, para garantir o abastecimento, estão entregando aos caminhoneiros um kit que garante uma alimentação básica”, disse.

Ainda conforme Claret, a tendência é de que a demanda nos supermercados fique menor a partir dessa semana, uma vez que os consumidores já fizeram as compras necessárias e deverão ter maior tranquilidade em relação à garantia de disponibilidade de produtos.

“Nossa orientação é que evite as compras para estoque para evitar uma pressão ainda maior no preço. Sabemos que é uma questão de mercado, quando se tem um excesso de procura em relação à oferta, a tendência é de encarecimento”.

Inflação – Mesmo com o aumento dos alimentos, a tendência é de que a inflação em Minas Gerais, em março, não sofra reajustes significativos. Apesar do grupo de alimentos ser um importante setor que compõe a inflação, a queda em outras áreas deve compensar a alta dos alimentos.

De acordo com o economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, enquanto os preços dos itens básico da alimentação estão em alta, outros, como transporte, vestuário e combustíveis, tiveram redução seja pela queda de preços ou de consumo pelos estabelecimentos fechados.

“Analisando o indicador macroeconômico, acredito que o impacto desse movimento será bem pequeno. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é composto por diversos grupos e o de alimentação e bebidas, apesar de peso considerável, é só um. O impacto do grupo de alimentos será menor que o de outros, como transporte, que está com barateamento dos combustíveis e dos preços das passagens áreas e rodoviárias”.

Ainda segundo Almeida, existem outros itens com demanda represada, seja porque o consumidor não consegue acesso pelos estabelecimentos estarem fechados ou por priorizarem os itens básicos, deixando de consumir vestuário, calçados e eletroeletrônicos, que tende a ter menor pressão dos preços.