A produção de leite diminuiu com o aumento nos custos | Crédito: Divulgação

A oferta limitada e a maior concorrência entre os laticínios contribuíram para que os preços pagos pelo leite em janeiro, referente à produção entregue em dezembro, subissem. A alta, considerada atípica pelo período de safra, chegou a 1,08% frente a dezembro em Minas Gerais.

Em janeiro, o produtor recebeu, na média líquida, R$ 1,36 pelo litro do leite. Em relação a janeiro de 2019, a valorização chegou a 8%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com os pesquisadores, assim como em Minas Gerais, foi verificada alta nos preços da média Brasil. O levantamento mostra que o produtor recebeu R$ 1,36 por litro de leite na média Brasil líquida, alta de 1,1% frente ao mês anterior e 2,2% acima do observado em janeiro de 2019. Os pesquisadores do Cepea destacam que este é o maior preço real da série histórica do Cepea para o primeiro mês do ano.

Em Minas Gerais, a média líquida ficou 1,08% superior ao valor de R$ 1,35 registrado em dezembro. Em comparação com janeiro de 2019, quando a média líquida praticada era de R$ 1,25, a evolução nos preços foi de 8%.

A elevação dos valores do leite é resultado, segundo os pesquisadores do Cepea, da maior competição entre os laticínios, que precisam garantir a compra de matéria-prima no campo em um cenário de oferta limitada. A menor oferta de leite é considerada atípica para o período, que geralmente é caracterizado pelo aumento da produção principalmente no Sudeste e em Minas Gerais em função da retomada das chuvas e da recuperação das pastagens.

Ao contrário dos anos anteriores, a pesquisa do Cepea mostrou que o Índice de Captação Leiteira (Icap-L) recuou 1,2% de novembro para dezembro na média Brasil. O resultado está atrelado à queda de 7,3% vista no Rio Grande do Sul, à retração de 1,4% no volume captado em Minas Gerais e à redução de 0,5% verificada em Goiás.

O atraso no início das chuvas aliado ao aumento dos custos de produção, principalmente do concentrado utilizado na alimentação do rebanho e que tem entre os componentes o milho e a soja, têm contribuído para a menor produção de leite.

De acordo com os pesquisadores do Cepea, além dos fatores já citados, o aumento expressivo dos preços no mercado do gado de corte, principalmente nos últimos meses de 2019, estimularam o bate de matrizes, o que também prejudicou a produção de leite no último trimestre de 2019. Com isso, a oferta restrita levou a um aumento atípico dos preços do leite.

Ainda segundo o levantamento do Cepea, com a oferta restrita de leite nas fazendas, a tendência é de que os preços sigam firmes ao longo do primeiro trimestre de 2020. Em janeiro, no mercado spot, foi registrada alta de 5% nos preços do leite em Minas Gerais.

Regiões – No pagamento de janeiro, referente à produção entregue em dezembro, foi verificado avanço em todas as regiões produtoras do Estado.

A maior alta foi vista na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), onde o produtor de leite recebeu R$ 1,36 pelo litro de leite, variação positiva de 2,82%. Na região da Zona da Mata, o preço do litro de leite aumentou 2,43%, sendo cotado, na média líquida, a R$ 1,30.

No Triângulo e Alto Paranaíba, o litro foi negociado a R$ 1,38, aumento de 0,34%. No Sul e Sudeste, foi verificada alta de 0,15% no preço do litro de leite, que foi vendido por R$ 1,40. No Rio Doce, o pecuarista recebeu pelo produto, em média, R$ 1,30, alta de 2,5% frente ao mês anterior.