A indústria extrativa mineral do Estado sofreu retração de 11,61% em janeiro com o impacto da tragédia da Vale em Brumadinho | Crédito: REUTERS/Washington Alves

Apesar de a produção industrial em Minas Gerais ter avançado 1,9% em janeiro, frente a dezembro, na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, houve uma retração de 14,2% no desempenho do setor.

Queda também foi observada na produção da indústria nos últimos 12 meses, 6,8%. O rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, e as fortes chuvas que atingiram o Estado no primeiro mês do ano são fatores que prejudicaram o desempenho da indústria mineira. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento do IBGE mostrou que na comparação de janeiro com igual mês do ano passado, a produção industrial do Estado caiu 14,2%. O gerente da pesquisa industrial do IBGE, Bernardo Almeida, explica que o resultado mineiro foi a maior influência negativa para a composição do índice nacional, que recuou 0,9%.

“A indústria mineira foi a maior influência negativa. A redução da produção industrial do Estado é a 11ª consecutiva e a mais intensa desde junho 2016, quando atingia uma variação negativa de 17,8%”, explicou Almeida.

Na comparação de janeiro de 2020, com igual mês de 2019, a maior queda na produção foi apurada na indústria extrativa, que recuou 11,61%. A produção da indústria metalúrgica caiu 1,91%, seguida pela indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias, com queda de 0,73%.

A produção de minerais não metálicos recuou 0,49%. A produção da indústria de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis ficou 0,29% menor.
Dentre as altas, a produção na indústria de alimentícios subiu 0,96%, produtos têxteis, 0,36%, e máquinas e equipamentos 0,13%.

A gerente de economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Daniela Britto, explica que as chuvas prejudicaram ainda mais a produção da indústria.

“Além dos problemas de queda da produção, que já vem ocorrendo desde janeiro do ano passado, em função de paralisações, o primeiro mês do ano foi marcado por grandes volumes de chuvas e, isso, prejudica muito a atividade industrial de extração mineral.

Obviamente, como a indústria extrativa puxa outros setores – por ter uma cadeia produtiva intensa – a indústria de transformação sentiu isso também”.

Ainda conforme Daniela, por outro lado, segmentos industriais importantes apresentaram alta e contribuíram para que a queda na produção geral não fosse maior. “O setor de alimentos, que é importante e tem peso grande na indústria mineira, apresentou crescimento”, explicou.

De acordo com o gerente da pesquisa industrial do IBGE, Bernardo Almeida, em janeiro, frente a dezembro, a indústria de Minas apresentou avanço de 1,9% sendo a quinta influência positiva para o resultado nacional, que apresentou alta de 0,9% no período.

“A alta de 1,9% registrada em Minas Gerais é a mais intensa desde setembro de 2019, quando a evolução da indústria foi de 2,3%. Porém, a indústria mineira ainda acumula perdas nas demais comparações”.

Acumulado – Em relação aos últimos 12 meses, a produção industrial no Estado ficou 6,8% menor. No período, a indústria extrativa caiu 7,26%. Queda também foi verificada em outros produtos químicos (0,61%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (0,23%), minerais não metálicos e metalurgia com redução de 0,08% em cada.

A produção das indústrias de alimentícios cresceu 0,86%, seguida por indústrias de bebidas, 0,19%, veículos automotores, reboques e carrocerias (0,14%) e produtos têxteis com alta de 0,12%.

Resultado é positivo em 13 dos 15 locais pesquisados

Rio – A produção da indústria nacional cresceu em 13 dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na passagem de dezembro para janeiro, quando o setor registrou alta de 0,9% depois de dois meses de quedas consecutivas.

As taxas positivas, divulgadas ontem na Pesquisa Industrial Mensal Regional, são as maiores desde junho de 2018, quando a indústria começou a se recuperar da greve dos caminhoneiros, iniciada em maio daquele ano.

O destaque no mês foi o estado de São Paulo, maior parque industrial do País, que cresceu 2,3% e puxou a alta do indicador. “A indústria paulista vem de dois meses negativos, em que acumulou queda de 3,7%. O resultado de janeiro foi o mais alto desde agosto de 2019 (3,2%). Essa alta foi impulsionada pelos setores de veículos automotores, máquinas e equipamentos e metalurgia”, disse, em nota, o analista responsável pela pesquisa, Bernardo Almeida.

Segundo o IBGE, o Rio de Janeiro teve a segunda maior influência positiva sobre o índice, com alta de 3,9%, impulsionada pelos setores de veículos e derivados de petróleo. “Com isso, a indústria fluminense eliminou o recuo registrado em dezembro (-3,9%)”, afirmou Almeida, acrescentando que o resultado foi o maior desde julho do ano passado.

Em contrapartida, as indústrias do Pará (-4,2%) e de Mato Grosso (-2,3%) recuaram em janeiro. “No Pará, a queda foi a mais intensa desde setembro de 2019, devido ao setor extrativo, e eliminou o crescimento de 2,7% em dezembro. Já Mato Grosso registrou a segunda taxa negativa consecutiva, acumulando nesse período perda de 7,2%”, informa o IBGE. (ABr)