Produção industrial mineira em 2019 registrou queda de 5,6%
Crédito: REUTERS/Washington Alves

A produção industrial em Minas Gerais fechou o ano de 2019 com queda de 5,6% na comparação com 2018. O resultado teve impacto, sobretudo, da indústria extrativa, que acumulou perdas de 25,3% no período. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme destaca a supervisora de pesquisa econômica da entidade, Claudia Pinelli, o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), trouxe fortes impactos para o setor.

A tragédia, que aconteceu em janeiro do ano passado, diz ela, teve uma grande contribuição para o pior resultado para um acumulado do ano desde 2016, quando a queda registrada foi de 6,1%.

Os dados divulgados pelo instituto ainda mostram que, neste ano, Minas Gerais ficou em segundo lugar negativo nessa base de comparação em relação aos outros estados pesquisados, atrás apenas do Espírito Santo (-15,7%).

Entretanto, além da queda na indústria extrativa, ressalta Claudia Pinelli, houve também um forte recuo na atividade de fabricação de outros produtos químicos (-16,5%) no acumulado do ano de 2019. “Essa atividade envolve uma gama de produtos, como fertilizantes, tinta, verniz, entre outros itens”, afirma ela.

Também apresentaram resultados negativos no período as atividades de fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-2,1), fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-1,8) e fabricação de produtos de minerais não metálicos (-0,8%).

Já os maiores crescimentos no acumulado do ano ficaram por conta da fabricação de bebidas (6,6%), fabricação de produtos têxteis (6,4%) e fabricação de produtos alimentícios (3,9%).

Dezembro – A produção industrial também apresentou queda no Estado em dezembro de 2019 na comparação com novembro, de 4,1%, na série com ajuste sazonal. Os dados divulgados pelo IBGE mostram, ainda, que essa foi a terceira taxa negativa consecutiva do setor no Estado, com um acúmulo de perda de 8,7% nesse período.

Os números registrados em dezembro do ano passado na comparação com novembro foram os piores desde dezembro de 2015, quando o recuo foi de -9,7%.

Segundo a supervisora de pesquisa econômica do IBGE, as reduções nos números já são esperadas no mês de dezembro, influenciadas pelas férias coletivas – uma realidade em várias empresas nessa época – e pelo fato de que muitas produções para as festas de fim de ano já se passaram no período. No entanto, lembra ela, os resultados deste ano também tiveram um impacto maior da indústria extrativa.

Quando é feita uma comparação entre dezembro de 2019 com igual período de 2018, por exemplo, a queda verificada no Estado é de -13,6%. O resultado registrado em Minas Gerais, nessa base de comparação, só não apresenta uma redução maior do que a verificada no Espírito Santo, que foi de -24,8%.

Atividades – Em Minas Gerais, das 13 atividades divulgadas pelo IBGE, apenas quatro apresentaram avanços na comparação entre dezembro de 2019 com o mesmo mês de 2018: fabricação de produtos têxteis (52,1%), fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (9,2%), fabricação de produtos do fumo (4,2%) e fabricação de bebidas (2,3%).

Já do lado das quedas, a indústria extrativa puxou os resultados nessa base de comparação, com recuo de -38,6%. Claudia Pinelli observa que a fabricação de celulose, papel e produtos de papel também apresentou uma queda acentuada em dezembro, de -35,7%.

Entre as atividades que tiveram os maiores recuos em dezembro de 2019 na comparação com igual período de 2018 estão também fabricação de máquinas e equipamentos (-35,6%), fabricação de outros produtos químicos (-12,5%) e fabricação de produtos de minerais não metálicos (-11%).

Perspectivas – Esse cenário negativo, no entanto, deve ficar para trás. De acordo com o analista de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Marcos Marçal, as estimativas são de que 2020 apresente um incremento de 3,2% na produção industrial, sobretudo com a recuperação da indústria extrativa. As expectativas são de que somente o setor apresente um incremento de 6,9%, diz ele.

“Esperamos que algumas minas voltem a produzir ao longo do ano. No primeiro semestre, isso já deve ocorrer com algumas e, no segundo semestre, com um volume ainda maior”, afirma.

Além disso, avalia Marcos Marçal, as taxas baixas de juros, a diminuição do desemprego e a expansão do crédito devem favorecer o aumento do consumo, o que, consequentemente, deve refletir no aumento da produção.

Por outro lado, também haverá desafios neste ano. O analista de estudos econômicos da Fiemg destaca que a crise na Argentina diminui a quantidade de produtos exportados, o que pode impactar principalmente as vendas de veículos e de máquinas e equipamentos.