Com paralisação parcial após a tragédia de Brumadinho, a mineração apresentou retração de 29,8% - Crédito: Divulgação

A produção industrial mineira voltou a cair em novembro de 2019. Em relação a outubro do mesmo ano, foi observado recuo de 3,4%, enquanto frente a igual período de 2018, a queda foi de 1,7%. Com isso, o parque industrial do Estado acumulou perda de 4,9% entre janeiro e novembro do ano passado sobre o ano anterior. Nos últimos 12 meses até novembro, o índice apresentou baixa de 1,3%, mesmo resultado de setembro e outubro, indicando para um resultado também negativo no encerramento do exercício.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal destaque negativo no Estado, em todas as bases de comparação, veio do setor extrativo mineral, em decorrência da paralisação parcial da mineração em Minas Gerais, depois do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), prestes a completar um ano.

Em âmbito nacional, onze dos quinze locais pesquisados mostraram taxas negativas, sendo que Paraná (-8%), Espírito Santo (-4,9%) e Pernambuco (-4,1%) assinalaram os recuos mais acentuados. Por outro lado, Rio de Janeiro (3,7%), Ceará (3,4%) e Mato Grosso (2,7%) apontaram os avanços naquele mês. Essa disseminação de resultados negativos é a maior desde novembro de 2018, quando também foram registradas taxas negativas em 11 locais.

O analista do IBGE, responsável pela pesquisa, Bernardo Almeida, explicou que os números negativos já eram esperados para Minas Gerais, dada a situação observada do parque extrativo mineiro desde janeiro do ano passado. No caso do País, segundo ele, a queda de 1,2% apurada em novembro em relação ao mês anterior, reflete o desempenho ainda acanhado da indústria nacional.

“O cenário conjuntural nos indica um desempenho bem abaixo do que era inicialmente esperado para 2019. No início do segundo semestre, tivemos três meses positivos em âmbito nacional, mas neste mês (novembro) voltamos a observar queda. Isso reflete o desempenho ainda lento da economia, com panorama temeroso devido às incertezas que ainda pairam com relação ao desemprego e até a crise na Argentina, que afetou nossas exportações”, explicou.

Atividades – Quando considerados os setores, Minas Gerais apresentou avanço em apenas três das 13 atividades avaliadas em novembro de 2019 sobre o mesmo mês de 2018. Os principais recuos foram observados na indústria extrativa (-29,8%), fabricação de outros produtos químicos (-15,5%), fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,1%) e fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-7,7%).

Por outro lado, os avanços ocorreram nas atividades de fabricação de produtos têxteis (14,2%), fabricação de bebidas (7,2%) e fabricação de produtos alimentícios (3,7%).

Com isso, no acumulado dos onze meses de 2019, período em que a produção industrial mineira caiu 4,9% em relação ao período de janeiro a novembro de 2018, as maiores quedas ficaram por conta da indústria extrativa (-24,1%), seguido pela fabricação de outros produtos químicos (-16,9%) e fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-2,4%).

Na outra ponta, a fabricação de bebidas teve o maior aumento (7,1%), assim como a fabricação de celulose e papel e produtos de papel avançou 6,7% e a fabricação de máquinas e equipamentos, 6,4%, sempre na comparação com os onze meses de 2018.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, quando a indústria do Estado teve baixa de 1,3%, o pior desempenho setorial também foi na produção extrativa (-21,9%) e o melhor, na produção de máquinas e equipamentos (7,4%).

Atividade retrai em 11 de 15 locais pesquisados

Rio de Janeiro – A produção industrial recuou em 11 dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na passagem de outubro para novembro de 2019. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada ontem, a maior queda foi observada no Paraná (-8%).

Outros locais que tiveram recuo acima da média nacional (-1,2%) foram o Espírito Santo (-4,9%), Pernambuco (-4,1%), Bahia (-3,5%), Minas Gerais (-3,4%), São Paulo (-2,6%), Goiás (-2,1%), Pará (-1,8%) e Rio Grande do Sul (-1,5%). Também tiveram queda a Região Nordeste (-1%) e Santa Catarina (-0,4%).

Por outro lado, três estados tiveram alta na produção no período: Rio de Janeiro (3,7%), Ceará (3,4%) e Mato Grosso (2,7%). O Amazonas manteve o mesmo nível de produção nos dois meses.

Outras comparações – Na comparação com novembro de 2018, houve quedas em dez locais, com destaque para o Espírito Santo (-24,3%). Cinco regiões tiveram alta. Os maiores crescimentos na produção foram registrados no Rio de Janeiro (13,3%), Amazonas (11,5%) e em Goiás (10,3%).

No acumulado de 12 meses, foram registradas quedas em oito locais. O Espírito Santo também foi o destaque negativo nesse tipo de comparação, ao recuar 13,5%. Sete locais tiveram alta, com destaque para o Paraná (5%). (ABr)