Crédito: Alisson J. Silva 12/02/08

Embora a indústria mineira tenha apresentado índices abaixo do usual no último mês de 2019, o setor produtivo registrou recordes de desempenho quando comparado com o mesmo mês dos anos anteriores.

A produção, por exemplo, apresentou o melhor desempenho para o período nos últimos dez anos e a intenção de investimentos está em alta. Os números podem ser atribuídos à retomada gradual da economia brasileira, que justifica também a oscilação observada no decorrer de todo exercício passado.

Segundo a economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Daniela Muniz, os resultados apurados pela Sondagem Industrial no mês passado, ficaram abaixo dos 50 pontos, indicando recuo. No entanto, a análise geral é positiva. Isso porque, os últimos meses do ano tradicionalmente são marcados pela desaceleração da indústria.

“Os pedidos de fim de ano estão chegando para indústria cada vez mais cedo, principalmente em função da Black Friday, que vem ganhando mais notoriedade no País. Com isso, é normal que os últimos meses do ano sejam marcados por uma desaceleração em relação aos períodos anteriores. De qualquer maneira, foram registrados recordes históricos na produção, na geração de emprego e na utilização da capacidade instalada sobre os mesmos meses dos anos anteriores”, comentou.

De acordo com o levantamento, o índice de evolução da produção de dezembro chegou a 42,3 pontos, número abaixo da linha de 50 pontos, sendo 8,5 pontos menor que o verificado em novembro (50,8 pontos). Por outro lado, o índice avançou 3,3 pontos frente a dezembro de 2018 e foi o mais elevado para o mês desde 2010 (45,6pontos).

O indicador de evolução do número de empregados caiu 2,6 pontos sobre novembro (51 pontos) e voltou a sinalizar recuo do emprego industrial, marcando 48,4 pontos em dezembro. Mas, da mesma maneira que a produção, cresceu 2 pontos em relação a dezembro de 2018 (46,4 pontos) e foi o melhor para o mês desde o início da série histórica mensal, em 2011, exceto o de 2017 (48,7 pontos).

Já o índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual, registrou 43,8 pontos no mês passado, caindo 3,4 pontos em relação a novembro (47,2 pontos). O resultado mostra que a indústria operou com capacidade produtiva abaixo da habitual para o mês. Entretanto, o indicador aumentou 2,5 pontos frente ao verificado em dezembro de 2018 (41,3pontos) e foi o melhor para o mês em nove anos.

Com a baixa da produção, os estoques de produtos finais das indústrias apresentaram queda em dezembro, conforme índice de 47,9 pontos. Dessa forma, as empresas encerraram o mês com estoque abaixo do planejado indesejado de estoques e o indicador de estoque efetivo em relação ao planejado marcou 48,7 pontos, mostrando que a demanda ficou além da esperada.

Expectativa – Em relação às expectativas da indústria para os próximos meses, Daniela Muniz ressaltou que os empresários seguem otimistas, confirmando a perspectiva favorável em relação ao aumento da demanda.

“Os indicadores estão apontando um ritmo de elevação nos próximos meses. Um dos pontos que estão contribuindo para o otimismo dos empresários é a trajetória de recuperação da economia. No entanto, vale lembrar que ainda são necessários outros fatores para que o crescimento ocorra de forma sustentável, como a aprovação de novas reformas estruturantes”, alertou.

A expectativa da demanda avançou 5,6 pontos em janeiro (62,4 pontos), na comparação com dezembro (56,8 pontos). O indicador também cresceu frente a janeiro de 2019 (59,1pontos), em 3,3pontos, e foi o mais elevado para o mês desde 2010 (64,9pontos).

Os industriais também esperam elevação das compras de matéria-prima, conforme índice de 59,5 pontos. O indicador ficou praticamente estável frente a dezembro (54,9 pontos). Por outro lado, cresceu 5,3 pontos na comparação com o primeiro mês de 2019 (54,2 pontos) e foi o maior para o mês desde 2010 (60,9pontos).

Empregos – O indicador de expectativa do número de empregados sinalizou perspectiva de aumento das contratações nos próximos seis meses pelo 15° mês seguido. O índice marcou 55,8 pontos neste mês, com avanço de 3,1 pontos em relação a dezembro (52,7 pontos). O índice cresceu 2,6 pontos na comparação com janeiro de 2019 (53,2pontos) e foi o maior para o primeiro mês do exercício, desde o início da sua série histórica mensal, em 2011.

Já o índice de intenção de investimento marcou 59,1 pontos, queda de 2,5 pontos em relação ao último mês de 2019 (61,6 pontos). Por outro lado, o indicador cresceu 4 pontos na comparação com janeiro do ano passado (55,1pontos) e foi o mais elevado para o mês desde o início da série histórica, em 2014.

Resultados indicam uma reação

Brasília – A produção da indústria brasileira caiu em dezembro na comparação com novembro, divulgou ontem a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No entanto, a retração foi menor que em outros anos, e outros dados indicam reação na atividade.

De acordo com a pesquisa Sondagem Industrial, o índice de evolução da produção caiu 7,1 pontos em relação a novembro e fechou dezembro em 43,8 pontos. Indicadores abaixo de 50 pontos mostram queda. Acima de 50 pontos, indicam crescimento.

Esse foi o segundo mês seguido de queda. Em novembro, o índice de produção tinha recuado 4,3 pontos em relação a outubro.

Apesar da retração em dezembro, o indicador mostrou melhora em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em dezembro de 2018, o índice de evolução da produção estava em 40,7 pontos.

O índice de evolução do número de empregados caiu 1,3 ponto em dezembro na comparação com novembro, chegando a 48,7 pontos. Segundo a CNI, é comum a produção industrial cair em dezembro, por causa do fim das encomendas para as festas de fim de ano, mas a queda em 2019 foi inferior à de 2018.

Recuperação – Apesar da queda da produção em dezembro, outros indicadores mostram recuperação da indústria. A utilização da capacidade instalada somou 63% em dezembro, alta de dois pontos percentuais em relação ao registrado em dezembro de 2018. Esse foi o maior índice para o mês desde o início da série, em 2010.

O nível de estoques em relação ao planejado encerrou em 49 pontos. Quando está abaixo de 50 pontos, o indicador mostra queda nos estoques e possibilidade de aumento da produção.

A disposição da indústria para investir nos próximos seis meses aumentou. O índice de intenção de investimento subiu 1,1 ponto em relação a dezembro e fechou janeiro em 59,2 pontos, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2014. Esse foi o quarto mês seguido de alta no indicador.

A intenção não significa que os investimentos sairão do papel, mas servem de parâmetro para a indústria. Segundo a CNI, é fundamental que os planos de investimento se concretizem, de forma a gerar mais empregos e acelerar a recuperação da economia.

A pesquisa foi realizada de 6 a 17 de janeiro com 1.965 indústrias de todo o País. Do total, 744 são pequenas, 711 são médias e 510 são de grande porte. (ABr)