A cultura da soja é um dos destaques do período e deve crescer 15,7%, de acordo com o 6º Levantamento da Safra para o Estado | Crédito: Abiove/Divulgação

O clima favorável para o desenvolvimento da safra 2019/20 de grãos vem sendo essencial para que Minas Gerais caminhe para um novo recorde na produção de grãos.

De acordo com os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção mineira foi estimada em 14,6 milhões de toneladas, volume 2,8% superior ao registrado anteriormente, que, até então, era o maior já colhido no Estado. Dentre os produtos, destaque para a soja, cuja produção vai crescer 15,7%.

O 6º Levantamento da Safra mostrou que, em Minas Gerais, a área destinada ao cultivo de grãos somou 3,47 milhões de hectares, 0,8% superior. Já a produtividade média esperada está 2,1% maior, somando 4,19 toneladas por hectare.

Para a soja, a estimativa é colher 5,8 milhões de toneladas, volume 15,7% superior ao verificado anteriormente. A produtividade média avançou 10,3%, com rendimento de 3,5 toneladas por hectare. Com preços remuneradores e mercado aquecido, a área de plantio foi ampliada em 4,9% e somou 1,65 milhão de hectares.

O resultado positivo na soja se deve, principalmente, às boas condições climáticas ao longo do desenvolvimento da safra, que apresentou um começo difícil, com a semeadura ocorrendo de maneira desuniforme em virtude do atraso das chuvas.

Milho valorizado – A produção de milho primeira safra deve crescer 0,9%, com a colheita de 4,6 milhões de toneladas. Houve um avanço de 7,6% na produtividade, 6,6 toneladas por hectare, o que foi importante para reduzir os impactos da queda de 6,2% na área plantada, que somou 702 mil hectares.

De acordo com o diretor-presidente da Conab, Guilherme Bastos, o mercado para o milho segue aquecido. “A demanda pelo cereal está maior no mercado interno, puxada pela produção maior de carne e também para a fabricação de etanol”, explica.

Para a segunda safra de milho é esperado recuo no plantio. Em Minas Gerais, a estimativa é de colher 2,42 milhões de toneladas do cereal, volume 17,4% menor. A área de plantio está estimada em 390 mil hectares, 7,2% inferior. A produtividade média pode recuar 11%, com a colheita de 6,2 toneladas por hectare.

“A queda na segunda safra se deve a menor janela de plantio, uma vez que a semeadura da primeira safra atrasou em função das chuvas tardias”, destaca Bastos.
Ao todo, Minas Gerais deve colher, na safra 2019/20, 7 milhões de toneladas de milho. Montante 6,2% inferior ao volume de 7,5 milhões de toneladas colhidos no ano-safra anterior.

Já a produção de feijão na primeira safra tende a crescer 7,7% e a alcançar 170 mil toneladas. A produtividade média está 4,4% superior, com a colheita de 1,1 tonelada por hectare. A área em produção é de 154 mil hectares, variação positiva de 3,1%.

“A tendência é de que os preços do feijão se mantenham relativamente estáveis e em bons patamares aos produtores até meados de abril, quando começa a diminuir a produção da primeira safra e começa a entrada no mercado da produção da segunda safra”, diz Bastos.

Para a segunda safra de feijão, as primeiras estimativas apontam para um recuo de 4,4% na produção, que deve somar 194 mil toneladas. A área de plantio ficou estável, com o uso de 145,3 mil hectares. A produtividade esperada é de 1,3 tonelada por hectare, 4,4% inferior.

Algodão – A produção de algodão também tende a ficar menor. A estimativa é de uma queda de 4,1% na produção, que pode chegar a 161,7 mil toneladas de algodão em caroço. A produtividade das lavouras cresceu 4,9% e a estimativa é colher 4,2 toneladas por hectare. Já a área de plantio está 8,5% menor, somando 38,4 mil hectares. A produção de algodão pluma deve cair 4,1%, com um volume de 64,7 mil toneladas.

O mercado para o algodão em plumas é de instabilidade em função do avanço do coronavírus. “O principal mercado consumidor é a Ásia, e a China, com queda na produção industrial e problemas com a logística interna, afetou o desempenho do mercado da pluma”, afirma Bastos.

Clima favorece lavouras pelo País

As condições climáticas vêm favorecendo as lavouras de grãos nas principais regiões produtoras do Brasil. A perspectiva é de que os níveis de produtividade apresentem bom desempenho nesta temporada, sobretudo para as lavouras de soja e milho, que impulsionam o volume total e devem garantir mais um recorde na safra de grãos do País.

Os números apresentados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no 6º Levantamento mostram produção estimada em 251,9 milhões de toneladas, com variação de 4,1% sobre a safra passada e ganho de 9,9 milhões de toneladas. O anúncio foi feito ontem em Brasília.

A área total, favorecida pela boa distribuição de chuvas na maioria dos estados, deve crescer 2,4%, alcançando cerca de 64,8 milhões de hectares. As culturas de primeira safra estão respondendo por 46,5 milhões de hectares (71,7%), enquanto que as de segunda, terceira e de inverno, por 18 milhões de hectares (28,3%).

Para as lavouras de soja, está reservada uma área 2,6% maior, com expectativa de boa produtividade. A produção estimada é de 124,2 milhões de toneladas e um acréscimo de 8%, o que confirma mais um recorde na série histórica, graças à boa distribuição de chuvas, sobretudo nos estados do Centro-Oeste, onde estão adiantadas as etapas de colheita.

A produção total do milho de primeira e segunda safras é de mais de 100 milhões de toneladas, com um crescimento de 0,4% acima da safra passada, tendo como estímulo as boas cotações do cereal no mercado internacional. A estimativa de área semeada do milho primeira safra é de 4,23 milhões de hectares, 3,2% maior que a da safra 2018/19. Na segunda safra, cuja semeadura começou em janeiro e segue ocupando o espaço deixado pela colheita de soja, o crescimento de área deve crescer 2,1%, tendo em vista a rentabilidade produtiva e as condições climáticas favoráveis. A terceira safra está estimada em 1,2 milhão de toneladas.

Após crescimentos significativos da área de algodão nas duas últimas safras, que também aproveita o espaço deixado pela colheita da soja, o boletim, desta vez, sinaliza um crescimento de menor variação, cerca de 3,3% na área, chegando a 1,7 milhão de hectares. A produção também recorde deve alcançar 2,85 milhões de toneladas de pluma, enquanto a destinação ao caroço chega a 4,28 milhões de toneladas, com 1,6% de crescimento frente à safra passada.

Feijão – O feijão primeira safra, apesar de menor área semeada com acréscimo de 0,2%, ganha 6,1% na produção com a ajuda da produtividade e chega a 1,05 milhão de toneladas. A segunda safra, que está em início de cultivo, deve ocupar pouco mais de 1,4 milhão de hectares, similar à safra passada. As maiores áreas estão nesse período nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná.

Por outro lado, a safra de arroz apresenta redução de 2,4% na área cultivada, totalizando 1,6 milhão de hectares e uma produção de 10,5 milhões de toneladas, 0,8% acima da obtida em 2018/19. (Com informações da Conab)