José Fortes*

Melhor novembro dos últimos anos! É o que mostram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), material divulgado mensalmente pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia.

A retomada está acontecendo, ainda que mais lentamente do que gostaríamos, mas está chegando. Bom, e como fica a Engenharia Civil neste contexto, já que, como indicam os mesmos dados de novembro, houve um volume alto de demissões neste segmento (mais de 7 mil postos a menos).

Vamos aos fatos: sim, houve retração ao longo dos últimos anos. Isso porque comprar um imóvel está longe de figurar na lista de primeira necessidade. Apesar de sê-lo.

Investimentos de maior relevância como este tendem, portanto, a ficar descansando em uma gaveta fria até que as coisas voltem para os eixos.

Ainda que o momento político não esteja em sua melhor fase, o cenário atual está mais claro. E, com isso, as empresas tendem a liberar investimentos. O que gera empregos. E o dinheiro de quem retomou a vida profissional é o propulsor da roda que faz uma série de negócios voltar a girar. Entre eles, a construção civil.

Se olharmos para além do mês de novembro, o setor está voltando a se fortalecer. O próprio Caged mostrou isso ao longo de 2019. A queda de empregos em novembro é considerada previsível, por conta de sazonalidades como as festas de final de ano.

Para fazer um bom cruzamento de informações, vejamos o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), indicador produzido pela Caixa Econômica Federal, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que avalia os custos por metro quadrado para obras habitacionais: 2019 acumula um aumento de 3,8% e uma variação de 4,03% em 12 meses.

Ao levarmos em consideração que este indicador nos dá uma pista de que, com maior procura, a oferta fica mais cara, temos certa segurança em concluir o reaquecimento do setor. E há uma série de outros indicadores que também têm demonstrado isso.
Mas o que vem pela frente?

Há dois pontos muito importantes e que farão grande diferença no que está por vir: pessoas e tecnologia. Nem um grão de areia sai do chão sem que alguém decida contratar uma obra e tenha, do outro lado, empresas com profissionais qualificados para executá-la.
Em outra frente, está cada vez mais dentro do dia a dia do segmento o uso de tecnologia em todas as etapas do planejamento ao acompanhamento real time de custos e execução dos projetos. Sem contar softwares e hardwares que aumentam, e muito, a precisão das atividades.

A queda de novembro tende a ser uma pequena variação em uma curva de crescimento. O emprego, portanto, está voltando a mostrar “a cara”. O que é ótimo. Agora, se olharmos para um contexto maior, a pergunta que deve ser feita é: qual é o tipo de emprego que a construção civil precisará nos próximos anos? O Brasil está preparado para oferecer esta nova mão de obra? Temos uma boa discussão por aqui.

*Diretor de Construção Civil da Engemon, grupo de engenharia e tecnologia