Recuo nas exportações de café nos primeiros dois meses do ano contribuiu para o pior desempenho de Minas frente a 2019Crédito: Paulo Whitaker/Reuters Usada em 28-10-19 Usada em 10-12-19

Embora o saldo da balança comercial de Minas Gerais tenha sido superavitário no primeiro bimestre de 2020, fechando em US$ 1,973 bilhão, o comércio exterior do Estado foi marcado por resultados negativos nos primeiros dois meses deste exercício na comparação com igual época do ano passado. Tanto as exportações quanto as importações caíram em volume e valor entre janeiro e fevereiro deste exercício frente aos mesmos meses de 2019.

De acordo com os dados da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais (Secint) do Ministério da Economia, o resultado do bimestre foi 23,46% inferior aos US$ 2,578 bilhões apurados a partir da diferença entre as exportações e as importações mineiras em iguais meses do ano passado.

As exportações de Minas somaram US$ 3,319 bilhões de janeiro a fevereiro de 2020, enquanto as importações chegaram a US$ 1,346 bilhão. Já nos dois primeiros meses de 2019, os embarques do Estado foram de US$ 4,026 bilhões e as compras US$ 1,448 bilhão.

Movimento semelhante ocorreu quando considerado apenas o mês de fevereiro, período em que o saldo da balança comercial de Minas Gerais foi de US$ 915 milhões, proveniente de US$ 1,526 bilhão em exportações menos US$ 611 milhões em importações. O resultado significou queda de 25,79% sobre o superávit de US$ 1,233 bilhão do segundo mês do ano passado. Naquela época, as exportações somaram US$ 1,907 bilhão e as importações US$ 674 milhões.

Destaques negativos – No caso das exportações, a baixa do bimestre aconteceu principalmente em função das menores remessas de minério de ferro e café ao exterior, produtos mais importantes entre os embarques estaduais. Já as importações foram prejudicadas principalmente pelos menores volumes vindos da China, em função da epidemia do coronavírus, que tem restringido a circulação de pessoas e mercadorias neste país.

Entre janeiro e fevereiro de 2020, os US$ 3,319 bilhões em vendas externas representaram queda de 15,56% sobre os US$ 4,026 bilhões do mesmo período de 2019. Em volume, as exportações mineiras totalizaram 16,963 milhões de toneladas frente as 26,779 milhões de toneladas de igual época passada, recuo de 36,65%.

Somente os embarques de minério de ferro entre janeiro e fevereiro deste ano somaram US$ 1,023 bilhão sobre US$ 1,208 bilhão no mesmo intervalo de 2019, queda de 15,31%. Minas enviou, ao todo, 15,06 milhões de toneladas nos dois primeiros meses deste exercício, 8,787 milhões a menos que em 2019.

As remessas de café ao mercado internacional também caíram em quantidade e rendimento. O Estado embarcou 29 milhões de toneladas ou 10% a menos em volume no acumulado até fevereiro diante do mesmo período do exercício passado. As remessas do grão ao mercado externo somaram 259 milhões de toneladas contra 288 milhões de toneladas em 2019. Já em receita, a commodity rendeu US$ 600 milhões sobre US$ 656 milhões, retração de 8,5% em igual confronto.

Em relação às importações, o produto mais comprado por Minas Gerais no mercado externo durante o primeiro bimestre foi a hulha betuminosa, que é o carvão mineral usado nos altos-fornos de usinas instaladas no território mineiro. Ao todo, foram aportados US$ 69 milhões, valor 54% menor que na mesma época de 2019, quando foram gastos US$ 153 milhões.

Em volume, foram compradas 524 mil toneladas do insumo nos dois primeiros meses deste ano, e entre janeiro e fevereiro do exercício passado, o volume chegou a 761 mil toneladas. Isso significa baixa de 31% entre os períodos.

China – As compras de Minas Gerais na China somaram US$ 269 milhões nos primeiros dois meses de 2020. Em igual época de 2019, o valor havia sido de US$ 299 milhões. O volume embarcado do gigante asiático para o Estado foi de 119 mil toneladas no primeiro bimestre do ano passado e de 84 mil toneladas nos últimos dois meses. Isso representa quedas de aproximadamente 10% e 29%, respectivamente.