Estabelecimentos comerciais considerados não essenciais interromperam o funcionamento no Estado para evitar a disseminação da doença | Crédito: Manoel Evandro

Apesar de o presidente da República Jair Bolsonaro ter defendido a volta das atividades comerciais e da pressão do setor econômico, as medidas de isolamento social para o combate à disseminação do novo coronavírus (Covid-19) permanecerão no Estado. A afirmação foi feita ontem pelo secretário de Estado da Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral.

O secretário frisou que todo o governo está preocupado com o impacto financeiro e consequentemente social que as ações poderão trazer para o Estado. No entanto, lembrou que, no momento, não existe sequer a sinalização de que a medida de isolamento tomada há uma semana esteja surtindo efeito, uma vez que leva de sete a 14 dias para o resultado.

“Entendemos a pressão do setor econômico. Está realmente difícil. Há uma queda da atividade econômica”, destacou ele, sem mencionar um prazo de quando as coisas poderão voltar à normalidade. “Assim que tivermos a sinalização de que as medidas estão tendo resultado, poderemos reavaliar como será a condução”, completou.

Carlos Eduardo Amaral defendeu que a situação precisa ser analisada dia após dia, já que as mudanças no cenário são muito aceleradas. Conforme o secretário destacou, se antecipar as ações de retomada, corre-se o risco de gerar desequilíbrio na saúde. Por outro lado, se retardá-las, poderá haver um maior desequilíbrio econômico.

“Não haverá ação sem risco. Por um lado, há o risco econômico, de trazer um desequilíbrio econômico ainda maior na sociedade. Por outro lado, há o risco sanitário, que é real, nós estamos vendo”, disse.

Enfrentamento em Minas – O secretário de Estado da Saúde de Minas Gerais também declarou que estão sendo disparadas várias medidas para os estados e municípios combaterem o novo coronavírus. “Entendemos que realmente agora nós teremos um aporte grande, financeiro, para auxiliar os municípios, os hospitais”, destacou.

Nesse contexto, acrescentou ele, será feita uma ampliação de 100% do custeio mensal do programa do governo estadual Pro-Hosp, “que já implicará em um aumento de remuneração para os hospitais, que são hospitais âncoras no atendimento às vítimas da Covid-19”, salientou. Além disso, também será feito um incentivo para 141 hospitais do Pro-Hosp, somando R$ 71 milhões. “Faremos também um aporte excepcional de mais de 25% do valor do Pro-Hosp gestão compartilhada para alguns hospitais maiores da Região Metropolitana”, mencionou ele.

Como se espera um aumento da demanda por consultas nas Unidades de Pronto Atendimento (Upas) de todo o Estado, serão investidos R$ 61 milhões nesses locais. Além disso, ressaltou o secretário, “Nós faremos um aporte na atenção primária dos municípios do Estado de R$ 32 milhões, com objetivo de auxiliar os municípios na prestação de serviço de atenção primária”, acrescentou.

Governo acerta parcerias para ampliar leitos

O governo do Estado vai firmar parcerias com hospitais privados e municipais para o aumento do número de leitos em Minas Gerais. O Hospital Mater Dei Betim e o Hospital Regional de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), já vão ceder uma parte de suas estruturas para os casos de pacientes em estado grave em decorrência da contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19). O governador Romeu Zema (Novo), inclusive, fez uma visita a esses locais ontem. A ideia é que as ações se ampliem para outros municípios.

“Provavelmente vamos precisar de muitos leitos para atender as pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. Por isso, estamos tomando todas as medidas, na Região Metropolitana e no interior, para ampliarmos a estrutura disponível. Muitos hospitais têm alas vagas e leitos ociosos, que podem ser utilizados neste momento. Tudo isso está sendo levantado, para que, caso venha a ser necessário, o Estado disponha de leitos suficientes para atender as pessoas que necessitarem”, disse o governador.

No Mater Dei Betim, serão utilizados para o tratamento dos enfermos quatro andares que não estavam em funcionamento. O local já tem estrutura para exames respiratórios, ressonância e tomografia. O Hospital Regional de Betim, por sua vez, cedeu o recém-finalizado Centro Materno-Infantil, que vai contar com 120 leitos.

Os empresários irão assumir os custos dos equipamentos durante o período de crise. Já os profissionais que atuarão nos locais serão cedidos pela Secretaria de Estado de Saúde.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, também esteve presente na visita. Ele afirmou que o segmento está à disposição para auxiliar na ampliação da capacidade de atendimentos da RMBH.

“Aproveitando a infraestrutura já disponível, essas parcerias podem gerar até 200 novos leitos na Grande BH”, disse ele.