Taxas de juros mais baixas, melhora dos indicadores e linhas de financiamento atrativas devem contribuir para alta da construção - CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE


Embora o ano passado ainda não tenha apresentado números muito robustos para a construção civil, profissionais do ramo têm mostrado um ânimo maior para 2020. Em várias regiões do interior do Estado, conforme apurado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, perspectivas mais otimistas começam a surgir, apesar de elas ainda sofrerem influências de 2019, que não foi dos melhores anos para o segmento.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Poços de Caldas, Rodrigo Batista, por exemplo, o ano passado foi ruim na região e, segundo ele, “não foi notada a recuperação que tanto se fala”. Para se ter uma ideia, segundo Batista, foram perdidos 400 empregos no segmento no ano passado só no município. Além disso, diz ele, houve uma retração de cerca de 15% no setor.

Este ano, para Batista, ainda não deverá apresentar crescimento. Porém, deve ser o período em que as empresas vão se planejar para que a expansão possa vir em 2021.

Alguns desafios serão enfrentados nesse processo, segundo Rodrigo Batista. Um deles tem a ver com o fato de o local guardar proximidade com o interior de São Paulo, o que faz com que vários investimentos acabem indo para o Estado vizinho. “A gente nota que muitos deixam de lançar imóveis por aqui para fazer isso por lá”, diz ele.

Outro aspecto que deverá ser superado, de acordo com Rodrigo Batista, é a dificuldade maior que as pessoas estão tendo de conseguir crédito, “apesar dos juros mais baixos”, afirma ele. Isso porque a economia enfraquecida nos últimos anos acaba refletindo na análise negativa do crédito.

No entanto, a economia está melhorando, conforme pontua o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias da Construção Civil da Região dos Lagos Sul Mineiros, Sebastião Teixeira, contribuindo positivamente com o setor da construção. “Deve haver, em 2020, um crescimento no segmento de cerca de 3%”, afirma ele.

De acordo com Sebastião Teixeira, a região acaba sendo procurada por empresas que instalam por lá seus centros de distribuição, pelo fácil acesso a outros locais como Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo com que se fomente a área da construção civil.

As boas perspectivas para o setor também foram apontadas pelo presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias da Construção Civil do Sul de Minas, Nakle Mohallem. De acordo com ele, as vendas já estão aquecendo.

Um dos setores que devem puxar o crescimento, segundo Nakle Mohallem, é o industrial, que tem recebido mais investimentos por parte das empresas. “O ano passado não foi bom, foi pior do que a expectativa. Agora, porém, os índices econômicos estão melhorando, as taxas de juros estão baixas e há linhas de financiamento imobiliárias mais atrativas”, conclui.

Reaquecimento – As perspectivas melhores começaram a ser apontadas ainda no ano passado. De acordo com os dados mais recentes divulgados no balanço de 2019 pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), o terceiro trimestre do ano passado apresentou crescimento de 4,4% no País em comparação com igual período de 2018. A última vez que o segmento havia apresentado expansão foi em 2013.

Além disso, segundo a entidade, em Minas Gerais, a área de construção teve um incremento de 2% no primeiro semestre de 2019 na comparação com o primeiro semestre do ano anterior.