Retração registrada em novembro em Minas Gerais foi puxada pelo setor de transporte de cargas, de acordo com o IBGE - Crédito: Divulgação

O setor de serviços em Minas Gerais apresentou um recuo de 1,1% em novembro na comparação com outubro, na série com ajuste sazonal. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto isso, no Brasil, o decréscimo foi de 0,1%.

De acordo com o técnico da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), Rodrigo Lobo, a pressão negativa em Minas, no mês de novembro em relação a outubro, veio, em grande medida, pelo menor dinamismo do transporte rodoviário de carga.

“Em geral, se associa essa menor receita a um menor movimento da produção industrial, pois o escoamento se dá, em grande medida, no modal rodoviário”, diz ele. Ainda no setor de transporte, a parte de logística relacionada ao transporte de carga também apresentou redução, conforme ressalta o técnico do da PMS.

Além disso, de acordo com Rodrigo Lobo, a área de desenvolvimento e licenciamento de software, dentro dos serviços de informação e comunicação, e a de atividade de apoio à produção florestal, que se encaixa em “outros serviços”, também apresentaram recuos.

Mais dados – Quando a comparação é feita entre novembro de 2019 com o mesmo período de 2018, Minas Gerais teve um avanço de 0,5%, mas ainda aquém do número apresentado pelo Brasil, de 1,8%.

“Enquanto os serviços de comunicação e informação estão avançando no Brasil, em Minas Gerais eles estão caindo. Na comparação entre novembro de 2019 com igual período de 2018, a redução foi de 1,8%”, frisa Rodrigo Lobo.

O técnico da PMS destaca ainda outros fatores que influenciaram o avanço menor do setor de serviços nesse período em Minas Gerais na comparação com o Brasil: o recuo em transportes, de 0,6%, e em outros serviços, de 1,2%, totalizando três variações negativas em um total de cinco atividades investigadas.

Já as duas atividades que apresentaram crescimento na comparação entre novembro de 2019 e novembro de 2018 foram os serviços profissionais, administrativos e complementares (4,6%) e serviços prestados às famílias (2,4%).

Acumulados – No acumulado de janeiro a novembro do ano passado em relação ao mesmo período de 2018, Minas Gerais apresentou avanço de 0,4%. A maior expansão veio de outros serviços (17,9%), seguido por serviços profissionais, administrativos e complementares (4,8%), serviços de informação e comunicação (1,4%) e serviços prestados às famílias (0,2%). Já o recuo ficou por conta dos transportes, serviços auxiliares ao transporte e correio (-5,2%).

Por fim, no acumulado dos últimos 12 meses, em relação ao mesmo período do ano anterior, Minas Gerais teve uma variação positiva de 0,4%, com maior avanço também em outros serviços (18%), seguido por serviços profissionais, administrativos e complementares (4,2%) e serviços de informação e comunicação (1,3%). Apresentaram redução os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,5%) e serviços prestados às famílias (-0,4%).

Desempenho no Brasil é o pior em 3 anos

Rio e São Paulo – O setor de serviços do Brasil interrompeu dois meses de ganhos e registrou o pior resultado para novembro em três anos, pressionado principalmente pelos transportes, mas ainda caminha para terminar o ano no azul.

O volume de serviços recuou 0,1% em novembro sobre o mês anterior, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem.

Essa foi a leitura mais fraca para o mês desde 2016, quando novembro apresentou perda de 0,3%, e a primeira queda no ano desde agosto.

Em relação ao mesmo mês de 2018, houve alta de 1,8%, terceira taxa positiva. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de queda de 0,2% na base mensal e alta de 1,8% na anual.

Apesar das perdas em novembro, o setor de serviços caminha para fechar 2019 no azul, após estabilidade em 2018 e três anos de queda, mostrando recuperação em meio a uma inflação fraca no país e retomada da atividade econômica – nos 11 primeiros meses de 2019, os ganhos acumulados são de 0,9% no volume.

“O setor de serviços vai fechar no positivo em 2019, e isso não acontecia desde 2014. 2019 foi um ano melhor para os serviços, mas ainda há uma longa perda para recuperar daqui para frente e isso tem a ver com ambiente econômico”, destacou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Entre as cinco atividades pesquisadas, três tiveram resultados negativos em novembro, com destaque para o recuo de 0,7% do setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio.

Esse setor foi pressionado pelos segmentos de transporte terrestre (-1,6%), de armazenagem e serviços auxiliares aos transportes (-1,1%) e de transporte aéreo (-3,3%).

Os outros dois em campo negativo foram os serviços prestados às famílias (-1,5%) e os serviços de informação e comunicação (-0,4%).

Na outra ponta, outros serviços tiveram o maior ganho no mês, de 1,7%, enquanto o volume de serviços profissionais, administrativos e complementares subiu 0,1%.

“Os serviços não estão mudando trajetória de ascensão, o que houve foi apenas uma acomodação, um ajuste de um setor que vem com ganhos no segundo semestre e numa trajetória positiva”, completou Lobo, explicando que no segundo semestre o ganho acumulado no setor é de 2,9%, o que compensa a queda de 1,8% do primeiro semestre. (Reuters)