Aliss035:Cervejaria Backer26 18/02/16 CREDITO:ALISSON J. SILVA

Para garantir maior segurança ao consumidor, o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (SindBebidas-MG) elaborou um termo para que os associados se comprometam a não utilizarem os fluidos anticongelantes etilenoglicol, monoetilenoglicol e dietilenoglicol no processo de produção de cerveja.

A medida é considerada importante para reduzir os riscos de acidentes e de contaminação da bebida e garantirá maior segurança ao mercado consumidor. Nos últimos anos, o setor de cervejas artesanais cresceu 20% no Estado, índice que deve ser repetido em 2020.

A iniciativa antecipa o pedido, feito pelo SindBebidas e pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – órgão responsável pela fiscalização do setor – proíba o uso dos produtos anticongelantes citados no processo de produção.

O pedido de banimento dos fluidos anticongelantes vem após a Polícia Civil de Minas Gerais identificar a presença da substância tóxica dietilenoglicol em três lotes da cerveja Belorizontina, produzida pela Backer, e que provocou a internação de, pelo menos, 17 consumidores.

De acordo com o vice-presidente do SindBebidas e diretor da Abracerva, Marco Falcone, em Minas Gerais, os produtos anticongelantes etilenoglicol, monoetilenoglicol e dietilenoglicol, normalmente, já não são utilizados pelos fabricantes de cervejas.

“Muitos fabricantes destes produtos nem vendem para indústria alimentícia. O que nós utilizamos no lugar destes anticongelantes é o etanol 30% com 70% de água, que não é tóxico. Então, o que acontece, se nós não usamos, por que estamos propondo o banimento? Para evitar qualquer possibilidade de que, em casos de acidente, ocorra a contaminação da cerveja”.

Ainda segundo Falcone, o Mapa – que normatiza, regulamenta e fiscaliza o setor – ainda não tinha uma definição sobre o uso desses líquidos adjuntos no processo de fabricação da cerveja. Por isso, o setor solicitou que seja criada uma Instrução Normativa (IN) proibindo a possível utilização desses componentes.

“Desta forma, criaremos um ambiente de maior segurança. Nossas cervejarias já trabalham com altíssimo padrão de qualidade, com reconhecimento no País. A cerveja artesanal de Minas Gerais é considerada a mais importante do Brasil. É uma medida preventiva que visa a dar ainda mais segurança ao consumidor”.

Como os produtos já não são utilizados, não haverá custo para a substituição dos sistemas produtivos. “Simplesmente, estamos pedindo, preventivamente, que se alguém quiser fazer o uso, que não faça”, disse.

Antecipando a decisão do Mapa, o SindBebidas está pedindo a todas as cervejarias associadas ao sindicato que assinem um termo de adesão e se comprometam a jamais utilizar os fluidos anticongelantes etilenoglicol, monoetilenoglicol e dietilenoglicol.

Setor – Conforme Falcone, a identificação de substâncias tóxicas na cerveja Belorizontina trará consequências negativas para o mercado mineiro pela empresa, a Backer, ser a maior do setor. A produção de cerveja artesanal no Estado gira em torno de 1,5 milhão de litros por mês.

“Certamente houve um impacto negativo no setor. A Backer é a maior produtora, com cerca de 800 mil litros de cerveja fabricados ao mês. Com a saída repentina do mercado, devido a uma interdição, já se perde praticamente metade da produção estadual. Nas demais cervejarias, creio que não houve impacto e que não haverá. O nosso setor desenvolveu um público muito maduro, muito esclarecido, que aprendeu a gostar da cerveja artesanal e não volta atrás”.

Minas Gerais é o terceiro maior produtor de cervejas artesanais do País, perdendo para o Rio Grande do Sul e São Paulo. Nos últimos anos, o setor mineiro cresceu 20%, e a expectativa, mesmo diante da interdição da Backer, é que se mantenha o mesmo ritmo neste ano, encerrando com 20% de crescimento sobre 2019.

“O setor é extremamente pujante. O público aprovou, e cada vez mais aumenta o número de consumidores. Por isso, vamos manter a projeção de 20% de crescimento. O Estado é considerado o produtor mais criativo de cervejas, o mais inovador. Tanto que fomos apelidados de a Bélgica brasileira, em virtude das cervejas extraordinárias produzidas aqui”.

Dentre os principais desafios enfrentados estão a alta carga tributária, que, hoje, nas empresas que se encaixam no Simples Nacional, corresponde a 30% do valor da garrafa. Fora do Simples Nacional, a cobrança de imposto representa cerca de 69% do valor final do produto.

Mapa encontra substância em água utilizada pela Backer

Análises realizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) constataram a contaminação da água utilizada pela Backer na fabricação de suas cervejas. A informação foi anunciada ontem em entrevista coletiva concedida em Brasília, pelo Diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Glauco Bertoldo, e pelo coordenador-geral de Vinhos e Bebidas, Carlos Vitor Müller.

“Diante da suspeita de que a contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol é sistêmica, ou seja, está presente no processo de fabricação da Backer, o Ministério determinou o recolhimento de todos os produtos da cervejaria e a suspensão da fabricação, pois outras marcas podem estar contaminadas também”, afirmou Glauco Bertoldo.

A presença das moléculas tóxicas no tanque da água utilizada na produção da cerveja é algo excepcional e é motivo de investigação pela força-tarefa formada para apurar o ocorrido.

O coordenador-geral de Vinhos e Bebidas, Carlos Müller, informou ainda que todo o processo de fabricação está sendo periciado e que, por enquanto, há três hipóteses sendo investigadas: sabotagem, vazamento e uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no processo de refrigeração do sistema.

Uso elevado – Segundo a fiscalização do Mapa, foi identificado um uso elevado do produto utilizado no sistema de refrigeração. De acordo com o Mapa, 15 toneladas do insumo foram compradas pela cervejaria desde 2018, com picos em novembro e dezembro de 2019. Como a refrigeração é um sistema fechado, em princípio, não haveria justificativa para essa aquisição em grande escala.

Conforme informaram os técnicos, os controles de produção demonstram que os lotes já detectados como contaminados passaram por distintos tanques, não estando restrita ao tanque 10, onde supostamente teria sido produzida a marca Belorizontina. Uma nova rodada de amostras está sob análise dos laboratórios federais agropecuários e os resultados serão divulgados em breve.

“É importante ressaltar que não existem limites aceitáveis para a presença das substâncias em alimentos”, destacou o coordenador Carlos Müller. “Temos (força-tarefa) que ir atrás de como ocorreu esta contaminação”, acrescentou. A Backer, que responderá a um processo administrativo, ficará fechada por tempo indeterminado e seus produtos só poderão voltar a ser comercializados após o Mapa comprovar a normalidade do sistema de produção da empresa. (Com informações do Mapa)