Crédito: REUTERS/Ricardo Moraes

Davi Toledo*

Um vírus que revirou a economia mundial. Nos últimos meses, o setor econômico começou a sentir fortes impactos com o novo coronavírus. Nunca vi nada parecido na história recente, pois temos uma combinação de duas crises: uma na saúde e outra na economia.

A Bolsa de Valores entrou em colapso. Tudo balançou, inclusive os investimentos, e diante do novo cenário, empresários e outros players de mercado começaram a estudar e estruturar novas estratégias para prepararem suas empresas para um período tão temido no mundo dos negócios: o da incerteza.

O dólar chegou a um patamar jamais visto na história e, diante de um terreno tão instável assim, a gestão de fluxo de caixa tornou-se fundamental. Medidas que garantam o bom funcionamento sem a necessidade de levantar mais capital precisam ser tomadas pelos gestores das grandes, médias e pequenas organizações.

Estamos falando de um período de adaptação e planejamento. Para discutir esse processo, é preciso entender que na economia brasileira, o aumento de casos do novo vírus poderá impactar o País em três frentes: a primeira delas é a falta pontual de alguns produtos devido à diminuição na produtividade. Em segundo, o aumento dos custos de produção, advindos da oscilação do preço dos insumos importados por exemplo. E, por fim, pode ocorrer o encolhimento das demandas devido ao período de quarentena.

Hoje, no Brasil existe um total de 6,4 milhões de estabelecimentos. Desse total, 99% são micro e pequenas empresas – MPE. Essa modalidade de negócio responde por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado, ou seja, 16,1 milhões. De acordo com o Portal do Empreendedor até 2013 existiam no Brasil um total de 3,7 milhões de MEI. Imagine só depois de 7 anos.

Embora seja uma verdade dura, como em toda crise, algumas organizações vão se beneficiar durante essa fase. Isso é inevitável.  Empresas focadas no mercado de e-commerce como, por exemplo, as lojas virtuais, supermercados, plataformas de cursos, ou delivery de comida, tendem a ser as menos afetadas. Agora, esse tipo de negócio experimentará o ápice dos resultados.

Apesar do vai e vem econômico nos últimos dias, é necessário que tenhamos calma e planejamento. Vejo que a crise atual é ainda mais desafiadora e o mundo, particularmente o Brasil, tem menos instrumentos para enfrentá-la. Diferente do cenário que tínhamos em 2008 com a crise do Subprime, por exemplo. O futuro é bastante incerto, será preciso cautela para reaquecer o sistema. Mais uma vez.

*Economista, especialista em modelagem financeira  e CEO da Startup – O Numismata