O LTE Network-in-a-Box é voltado para rede móvel privativa, com demandas especiais - Crédito: Divulgação

O primeiro produto desenvolvido pelo Centro de Referência em Radiocomunicações (CRR), que concentra as pesquisas na área de Comunicações Móveis do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em Santa Rita do Sapucaí (Sul de Minas), pode chegar ao mercado até o fim do ano.

O LTE Network-in-a-Box, desenvolvido pelos pesquisadores do Inatel, é uma solução que integra uma estação rádio base com um núcleo de rede integrado, destinada à criação de Redes 4G LTE. É ideal para clientes que necessitam de uma rede móvel privativa, com demandas especiais de segurança, desempenho e custo ou frequência de operação especial para aplicações em localidades onde o sinal das operadoras convencionais não chega.

De acordo com o coordenador de Tecnologia e Inovação do CRR, Henry Rodrigues, a transferência de tecnologia já está em andamento e por enquanto não é possível revelar o nome da indústria que tem uma de suas unidades produtivas em Minas Gerais.

“Estamos no fim do processo de transferência e em março terá início a produção do lote piloto. Acreditamos que até o fim do ano o aparelho já esteja disponível para o mercado. Por questões contratuais ainda não podemos revelar o nome da empresa, mas a manufatura do equipamento será feita no Estado”, explica Rodrigues.

Demanda específica – O projeto é um dos resultados dos quatro anos de pesquisa do CRR e o primeiro com esse viés comercial. A solução visa atender a diversos setores que possuem essas demandas específicas de locais remotos pelos quais as operadoras não se interessam ou por clientes que precisam operar em redes privadas.

Para montar uma rede LTE clássica são necessários vários equipamentos de grande porte e alto valor agregado, o que dificulta a criação de redes privativas. O LTE integra as funcionalidades desses equipamentos em uma única caixa que é instalada no alto da antena. Dessa forma, o equipamento torna a operação mais barata, simples e rápida, exigindo menos investimentos e mão de obra.

“A principal funcionalidade é a conectividade. O LTE permite que cada um monte a sua própria rede, ser a sua própria operadora. Ele é mais barato porque é só um equipamento nacional, no lugar de vários importados, mais simples porque demanda apenas um técnico para a instalação e mais fácil manutenção, justamente, porque é um só e produzido no Brasil. Por isso acreditamos no grande potencial desse produto”, destaca o coordenador de Tecnologia e Inovação do CRR.

Além disso, o equipamento é compatível com o Release 14 do 3GPP, permitindo a comunicação não somente com smartphones, mas também com terminais de internet das coisas (IoT) com as tecnologias LTE-M (LTE for machines) e NB-IoT (NarrowBand IoT). Outro diferencial é uma arquitetura de hardware e software que permitirá a evolução do produto para o padrão 5G nos Releases 15 ou 16. Pioneiro no Brasil, o LTE pode abrir, inclusive, uma janela de exportação se tornando competitivo frente a equipamentos similares produzidos em outras partes do mundo.

“O 4G evoluiu para atender o IoT. Esse equipamento permite que com uma só rede eu consiga prover conectividade para os smartphones e também para a indústria 4.0. Hoje o chão de fábrica está automatizado, mas são vários equipamentos para formar a rede. Agora será um só com o LTE”, pontua.