A Taesa, transmissora de energia controlada pela Cemig e pelo grupo colombiano Isa, investirá em sua rede no País | Crédito: Marcos Santos USP Imagens

A Taesa, transmissora de energia controlada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e pelo grupo colombiano Isa, aumentou os investimentos previstos para este exercício.

Os aportes da companhia deverão variar entre R$ 1,04 bilhão e R$ 1,13 bilhão até o fim deste ano. Já para 2021 e 2022, são esperadas inversões de até R$ 340 milhões e R$ 20 milhões, respectivamente.

As informações foram divulgadas pela empresa na sexta-feira (13), por meio de fato relevante, e dizem respeito ao Capex nominal dos empreendimentos em construção 100% controlados pela Taesa. O aumento em relação à projeção anterior, que era de R$ 940 milhões a R$ 1,02 bilhão para 2020, ocorreu em função da transferência de recursos do ano anterior.

Segundo o documento, o valor aplicado em aportes em 2019 caiu 23,4% em relação à projeção mínima divulgada anteriormente pela transmissora, indo a R$ 314 milhões. A expectativa inicial de gastos era entre R$ 410 milhões e R$ 450 milhões.

A empresa justificou a diferença pela postergação de parte de pagamentos de Janaúba para 2020; pela redução das atividades em Mariana em consequência das fortes chuvas no Estado; pelo adiamento do pagamento de indenizações fundiárias; e pela economia de Capex em Miracema.

“É importante ressaltar que esses fatores não comprometem a conclusão prevista para os empreendimentos de Janaúba e Sant’Ana. No que tange a Mariana, o prazo específico da construção previsto no cronograma do contrato de concessão será respeitado”, ressaltou no documento enviado ao mercado.

Além disso, a Taesa também ressaltou que as projeções referentes ao Incremento da Receita Anual Permitida (RAP) após a entrada em operação dos empreendimentos 100% controlados pela empresa poderão ser de R$ 78 milhões em 2020, R$ 186 milhões em 2021 e R$ 107 milhões em 2022.

Cemig – Já os investimentos da Cemig previstos para o atual exercício chegam a R$ 2 bilhões. O montante representa quase 20% do total de R$ 10,4 bilhões a serem aportados pela estatal entre 2020 e 2024. Somente a Cemig Distribuição S.A. (Cemig D) deverá receber R$ 1,7 bilhão neste ano, provavelmente o maior investimento para uma concessionária de distribuição no Brasil.

Conforme já publicado, além das inversões em distribuição, R$ 95 milhões serão destinados à geração e outros R$ 249 milhões à transmissão, ainda neste exercício.

Em 2019, os aportes da energética somaram R$ 1,235 bilhão, dos quais R$ 986 milhões foram aplicados em distribuição, R$ 26 milhões em geração e R$ 223 milhões em transmissão.

“Esses investimentos foram destinados à conexão de aproximadamente 128 mil novos clientes e na modernização da base de ativos, visando à redução dos custos de operação e manutenção, proporcionando melhoras nos indicadores de qualidade e aumento da satisfação dos nossos clientes”, disse a companhia ao mercado financeiro no último mês.

Lucro cai – O lucro líquido totalizou R$ 177,5 milhões no quarto trimestre e R$ 1 bilhão em 2019, menores em 34,1% e 6,4%, respectivamente, quando comparados aos mesmos períodos de 2018.

A queda ocorre principalmente devido à reversão de R$ 80,6 milhões no último trimestre da receita de construção das melhorias, que ainda estão em fase de construção; redução da receita de correção monetária em função da queda nos índices macroeconômicos registrados entre os períodos comparados; além de aumento da despesa financeira líquida, resultado das captações em 2019 associadas ao aumento do IPCA entre os períodos comparados. (Com Reuters)

AES Tietê vai avaliar oferta de fusão

São Paulo – A elétrica AES Tietê informou que seu conselho de administração aprovou, em reunião extraordinária na sexta-feira (13), a contratação de assessores legais e financeiros que apoiarão a análise de uma oferta da Eneva para fusão dos negócios das companhias.

A empresa controlada pela norte-americana AES disse ainda, em comunicado, que enviou à Eneva uma lista preliminar de documentos que entende serem necessários para subsidiar a avaliação da proposta, classificada pela AES Tietê como hostil.
A análise, disse a empresa, será realizada pelo conselho de administração, “no exercício de seu dever fiduciário”.

A AES Tietê não informou no comunicado quem serão os assessores e nem forneceu detalhes sobre a contratação.

A Eneva apresentou a proposta de fusão de negócios com a AES Tietê em 1° de março. O negócio envolveria cerca de R$ 6,6 bilhões, com R$ 2,75 bilhões em dinheiro e o restante em ações. (Reuters)

Light estuda venda de participação em Belo Monte

São Paulo – A Light tem planos de vender sua participação na hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, em meio a uma estratégia de desinvestimento de ativos não essenciais, disse, na sexta-feira (13), a presidente da companhia, Ana Marta Horta Veloso.

Em teleconferência com analistas, a executiva destacou ainda que a empresa responsável pela distribuição de energia na região metropolitana do Rio de Janeiro conseguiu reverter tendência de alta em perdas não-técnicas, causadas por ligações ilegais, os populares “gatos” de energia.

As perdas por essas ligações clandestinas corresponderam a 54,45% do mercado de clientes residenciais (baixa tensão) da Light ao final de dezembro, contra 55,42% em setembro e 55,36% em junho. “Pela primeira vez em dois anos, registramos queda tão significativa em um trimestre”, afirmou a CEO, destacando a melhoria de tendência para o indicador.

O combate às perdas é o principal pilar da gestão da Light, segundo a executiva, que destacou também ações como a busca por redução de custos com pessoal, materiais e serviços (PMSO) e a venda de alguns ativos, principalmente os vistos como não essenciais ou nos quais a empresa não detém o controle.

Além de Belo Monte, os ativos que podem ser alvo de desinvestimento incluem a fatia da empresa na Guanhães Energia, que controla pequenas hidrelétricas em Minas Gerais, segundo Ana Marta.

Tanto na usina do rio Xingu quanto na Guanhães, a Light é sócia junto com a estatal mineira Cemig, ex-controladora da empresa.

Novo caminho – Os planos da Light de se desfazer das participações vêm após a Cemig ter deixado de ser controladora da empresa em julho do ano passado, ao reduzir sua fatia na elétrica por meio de uma oferta pública.

Em Belo Monte, a Light é sócia indireta com 25% da Amazônia Energia, um veículo que detém 9,8% da usina no Pará, criado em parceria com a Cemig. A Cemig também possui 49% da Guanhães Energia.

Sob a gestão de Ana Marta Veloso, que assumiu o comando da companhia em maio de 2019, a Light já vendeu sua participação na Renova Energia, empresa de geração limpa na qual também era sócia da Cemig.

A companhia vendeu sua parcela de 17,17% na Renova, que tem enfrentado consecutivos prejuízos, pelo valor simbólico de apenas R$ 1, em negócio fechado em outubro junto a um fundo controlado pelos fundadores da empresa de energia renovável, Ricardo Lopes Delneri e Renato do Amaral.

Dois dias depois da transação, a Renova entrou com pedido de recuperação judicial no qual listou dívidas de R$ 3,1 bilhões, incluindo débitos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao final da teleconferência de sexta-feira, a CEO da Light destacou que a elétrica é agora “uma companhia privada” com condições de implementar um plano de turn-around e melhoria dos resultados.

A Light teve prejuízo líquido de R$ 366 milhões no quarto trimestre, frente a lucro de R$ 92 milhões no mesmo período do ano passado, devido ao reconhecimento de provisões estimadas para crédito de liquidação duvidosa (PECLD) extraordinárias no valor de R$ 525 milhões.

Segundo a presidente da companhia, essas provisões foram um evento não-recorrente, “que vai acontecer agora e não mais”. (Reuters)