Ford Ranger Limited se destaca pela tecnologia embarcada
Crédito: Amintas Vidal

AMINTAS VIDAL*

A Ford Ranger, única picape vendida pela marca no Brasil atualmente, teve 22.218 unidades emplacadas em 2019. Entre os modelos médios, ela ficou na terceira posição, atrás da Toyota Hilux, que vendeu 40.419 unidades, e da Chevrolet S10, que registrou 32.161 unidades emplacadas neste mesmo período. Os dados foram fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

DC Auto recebeu a Ranger Limited 3.2 Diesel 4×4, automática, para avaliação. No site da montadora, seu preço sugerido é R$ 192,79 mil. Este preço se aplica apenas para a cor sólida vermelha, pois na branca, também sólida, o preço sobe R$ 800. Todas as outras cores, metálicas ou perolizadas, como este cinza da unidade avaliada, custam R$ 1,75 mil.

A partir do modelo 2020, a Ford Ranger passou a ser oferecida, exclusivamente, com motores a diesel. As cinco primeiras versões são equipadas com blocos de 4 cilindros e 2.2 cm³.  As duas mais completas, com blocos de 5 cilindros e 3.2 cm³.

Os principais equipamentos de série da Ford Ranger Limited são: sistema multimídia com tela de LCD  touchscreen de 8 polegadas, ar-condicionado automático de duas zonas, direção elétrica, roda de liga leve de 18 polegadas, bancos revestidos parcialmente em couro e com ajustes elétricos para o motorista, vidros, travas e retrovisores elétricos e rebatíveis, tampa traseira com assistente de abertura e fechamento, abertura das portas e partida do motor por meio de chave presencial, entre outros itens estéticos, de conforto e conveniência.

Em segurança, a versão é bem equipada: 7 airbags (2 frontais, 2 laterais, 2 de cortina e 1 de joelhos para o motorista), assistente de partida em rampas, controle automático em descidas, controle adaptativo de carga, controle de oscilação do reboque, controle eletrônico de estabilidade e tração, câmera de marcha à ré, faróis baixos em xênon e luzes de condução diurna em LED.

Motor e câmbio – A Ranger Limited vem equipada com o motor Duratorq 3.2 DTCi. Seu bloco tem 5 cilindros e exatos 3.198 cm³ de capacidade. Equipado com turbo compressor, duplo comando no cabeçote acionado por corrente e injeção direta de combustível, atinge potência máxima de 200 cv as 3.000 rpm e seu torque chega aos 47,9kgfm as 1.750 rpm.

O câmbio é automático convencional de 6 marchas com conversor de torque. O sistema de tração permite acoplamento 4×2 traseiro ou 4×4, comutáveis por botão elétrico posicionado no console central.

Ainda existe a posição 4×4 reduzida neste mesmo seletor que encurta a relação das marchas para melhor desempenho no fora de estrada. O bloqueio do diferencial traseiro pode ser acionado por outro botão, também posicionado neste console, mas agrupado a outros dois comandos, o de controle automático de decida e o de desligamento do controle de tração, todos úteis em terrenos mais radicais.

A ergonomia da Ford Ranger é muito boa. Seu interior acomoda com conforto quatro adultos de qualquer estatura e um quinto passageiro não muito alto ou uma criança, pois o túnel e o console centrais roubam espaço paras as pernas de quem vai à posição do meio do banco traseiro. Mas, apesar das dimensões avantajadas, todos os comandos estão à mão, fáceis de serem visualizados e operados.

A Ranger tem 5,35 metros de comprimento, 1,86 metro de largura e 1,84 metro de altura. Com 232 mm de vão livre, ela apresenta capacidade de submersão de 800 mm.

Já os seus ângulos de ataque, central e de saída não são dos mais generosos, mas suficientes para superar obstáculos: 28°, 25° e 26°, respectivamente.

Rodando – O câmbio tem um funcionamento suave e um acerto mais voltado para a economia de combustível. Ele passa as marchas sem trancos e em rotações mais baixas. Entretanto, demora um pouco a responder às acelerações mais agressivas.

Quando exigido, o motor despeja potência e garante um bom desempenho para uma picape com 2.216 kg. Não transforma a Ranger em um esportivo, acelerando de 0 a 100 km/h em 11,6 s, mas ela anda mais do que é prudente para um veículo com seu tamanho e peso.

Para uma picape com essas dimensões, calçada em pneus 265/60 e rodas aro 18 polegadas, o conforto acústico da Ranger é muito bom. Aos 110 km/h, e em sexta marcha, o motor trabalha as 2.100 rpm e quase não se ouve seu ruído.

Neste modelo 2020, o projeto das suspensões foi refeito para diminuir a frequência das oscilações verticais, responsáveis pelos famosos pulos que picapes costumam dar, principalmente quando estão sem carga.

O ganho em conforto é perceptível nas reações mais comedidas às imperfeições das pistas e na menor transferência de vibrações para o interior da cabine, mas as suspensões ainda são firmes e garantem uma ótima estabilidade à picape.

A direção tem assistência elétrica, sistema pouco comum em picapes deste porte. O volante fica muito leve ao ser esterçado em baixas velocidades e seu ganho de peso é adequado ao aumento da mesma.

Os sensores de aproximação, e a câmera de marcha a ré com guias esterçáveis, auxiliam muito em manobras de estacionamento, pois a visibilidade traseira é muito prejudicada pela altura do modelo e o comprimento da caçamba.

O sistema multimídia Sync 3 é um dos melhores do mercado. O tamanho e definição da tela, a sensibilidade ao toque e a velocidade de processamento são ótimos. Seu funcionamento, tanto usando o bluetooth quanto espelhando o celular, foi estável e preciso. Botões físicos e giratórios para os comandos primários e de pressão para os secundários completam suas qualidades.

Equipamentos de auxílio à condução são ponto forte do modelo

Os equipamentos de auxílio à condução são os destaques tecnológicos desta versão Limited. O principal deles é o alerta de colisão frontal com assistente de frenagem.

Permanentemente ativo, ele emite sinais por meio de um radar que detecta veículos e pedestres que trafegam à frente e calcula a velocidade de aproximação em relação aos mesmos.

O sistema alerta à necessidade de desaceleração para evitar uma iminente colisão, emitindo um alarme sonoro e uma advertência visual no painel. Caso o motorista não reaja, o sistema freia o veículo de forma contundente e autônoma.

Já o sistema de identificação e permanência em faixas pode ser ativado pelo condutor por um botão na extremidade do comando satélite esquerdo. Ele utiliza uma câmera de vídeo que monitora as faixas das rodovias e informa ao sistema se o veículo está saindo da trajetória sem que a luz de conversão esteja ativada.

Caso ocorra um desvio nessas condições, o volante esterça para voltar à trajetória correta e vibra para alertar ao condutor. Este sistema da Ranger é mais permissivo que outros que já avaliamos, inclusive, o do Ford Edge, deixando o veículo atingir a faixa antes de agir, algo que poderia ser mais bem calibrado pela Ford.

Mais raro que os equipamentos anteriores é o sistema de reconhecimento de placas sinalizadoras de velocidade. Ele identifica a velocidade máxima permitida em cada local por meio da leitura das placas nas rodovias e informa visualmente no painel digital. Quando se ultrapassa essa velocidade, um sinal sonoro alerta o ocorrido.

Por fim, o farol alto automático permite deixá-lo sempre ativado, pois ele será colocado em posição baixa quando vier um veículo em sentido contrário ou quando aproximamos de um carro que está à nossa frente.

Consumo – A partir desta matéria, publicaremos uma avaliação de consumo urbano padronizada, além da avaliação de consumo rodoviário que já realizamos desde agosto do ano passado.

A nova avaliação é realizada em um circuito de 6,3 km no qual completamos 4 voltas, totalizando 25,2 km. Circulamos por 5,2 km em vias secundárias, velocidade máxima de 40 km/h e por 20 km em vias primárias, velocidade máxima de 60 km/h.

No total, realizamos 20 paradas simuladas em semáforos com  tempos entre 5s e 50s. Entre o ponto mais baixo do circuito, 671m e o mais alto, 823m, existe uma variação de 152 metros em relação ao nível do mar, algo que simula bem uma topografia acidentada.

O mesmo motorista, sozinho, ar-condicionado ligado na refrigeração média, ventilação na segunda posição, faróis ligados e vidros fechados completam a padronização.

Nestas condições severas de trânsito, como na maioria das cidades brasileiras, pretendemos criar uma referência comparativa muito próxima da realidade de uso urbano.

No caso da Ford Ranger Limited, seu consumo foi de 7,7 km/l neste primeiro teste, dado que reflete a dificuldade de deslocar um veículo tão pesado no anda e para das grandes cidades.

No circuito rodoviário de 38,4 km, em que realizamos duas voltas, uma aos 90 km/h e outra aos 110 km/h, o seu consumo foi bem melhor. Seguindo os mesmos padrões complementares mencionados anteriormente, aos 90 km/h ela marcou 13,8 km/l. Já aos 110 km/h, registrou 12,4 km/l.

A Ford Ranger sempre foi uma das melhores picapes oferecidas em nosso mercado. Agora, com todos os equipamentos tecnológicos oferecidos nesta versão, ela passou a ser a mais bem equipada da categoria e uma ótima opção para quem valoriza estes sistemas de segurança, que são mais comuns em sedans, mas precisa de uma picape.

*Colaborador
**Essa e outras matérias no nosso blog: www.diariodocomercio.com.br