Crédito: Fábio Ortolan/Divulgação

Aguinaldo Diniz Filho*

Já há algum tempo, na condição de presidente da mais antiga entidade de classe de Belo Horizonte, venho reiterando, até de forma repetitiva, a minha convicção de que a terrível situação social, política e  econômica que hoje percebemos em nosso País é devida ao estado de absoluta exaustão institucional a que chegamos, resultado de inúmeros equívocos que, acumulados e agravados ao longo de anos e anos, o coronavírus agora trouxe à tona.

Embora isto não seja exclusividade nossa – países de todo o mundo, em maior ou menor grau, também estão atravessando situações semelhantes que afloraram com a crise do coronavírus –, a situação do Brasil neste contexto é de grande fragilidade, embora não se disponha ainda de elementos capazes de mensurar seu grau. É impossível, hoje, ir além da mera percepção, mas com certeza esta crise sanitária e econômica, mal começada, já assumiu proporções inéditas, tanto pela rapidez da disseminação do vírus quando por sua letalidade.

Tive a oportunidade, em recente entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, de expor minha opinião de que a crise não traz consigo um dilema entre salvar vidas ou salvar a economia. Precisamos salvar a ambos, por meio de um esforço coletivo que exige união, conhecimento, coordenação e eficiência. Enfim, de uma convergência de propósitos em que fiquem num segundo plano as divergências, especialmente aquelas de natureza política, que acabam desaguando em inaceitável inação.

Felizmente, isto não tem acontecido e há, por parte do governo federal, a saudável preocupação em manter a população informada. Entrevistas coletivas, com a participação de integrantes da cúpula governamental, vêm acontecendo diariamente para esclarecer, ponto a ponto, as medidas que têm sido adotadas. Isto pode até não significar muito em termos de efetivo combate ao coronavírus (até porque não foram ainda criadas vacinas), mas constitui um fator de persuasão quanto ao único remédio eficaz: home office, o que nem sempre é possível, e evitar ao máximo sair de casa. Mas, infelizmente, isto não é possível para mais de 100 mil pessoas no Brasil – os moradores de rua.

Enfim, o mundo inteiro se encontra numa verdadeira situação de guerra na qual o Brasil, infelizmente, está no grupo dos mais fracos. Por isto é fundamental que, mais que nunca, consigamos uma união de propósitos, um pacto capaz de promover o entendimento entre todos nós brasileiros, mas especialmente das autoridades constituídas, para vencer esta guerra. Mesmo vencedores, no entanto, preciso que comecemos a nos preparar para enfrentar as sequelas, de modo especial as de natureza econômica, que são inerentes a toda e qualquer guerra.

Para isto, precisaremos de muita racionalidade, muita solidariedade, muita cautela mas, também, do senso de urgência que a situação exige. O Brasil não pode parar.

*Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas