Usiminas pretende realizar neste ano investimentos de R$ 1 bilhão
Os aportes destinados às reformas nos altos-fornos da Usiminas continuam programados para 2022 e 2023 - Crédito: Alexandre Mota/Reuters

A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) divulgou, na sexta-feira (14), que pretende investir R$ 1 bilhão em 2020, incremento de cerca de 45% na comparação com 2019. No ano passado, a empresa realizou aportes de R$ 690 milhões, embora, em meados do ano, tenha estimado algo em torno de R$ 800 milhões. De acordo com balanço, a companhia teve um lucro líquido de R$ 377 milhões em 2019, o que representa queda de 55% em relação ao ano anterior (R$ 829 milhões). No quarto trimestre do ano passado, os lucros foram de R$ 268 milhões, recuo de 33% na comparação com igual período de 2018 (R$ 401 milhões).

O presidente da Usiminas, Sergio Leite, ressalta que os investimentos menores do que os estimados no ano passado têm a ver com atraso em alguns projetos. Havia uma expectativa, por exemplo, de obter, ainda em dezembro de 2018, a licença de instalação do projeto de filtragem e empilhamento na área de mineração. Com o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), porém, houve um atraso na concessão. As perspectivas, agora, são de conseguir a licença de instalação até o próximo mês de março.

Em relação à queda nos lucros da companhia, Sergio Leite ressalta que houve influências do cenário internacional do aço. “O mercado estava mais protecionista em função das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, diz ele. Teve, ainda, uma realidade de “margens comprimidas no negócio do aço a nível mundial”, destaca Leite. Outra influência negativa, segundo o presidente da Usiminas, foi o crescimento inferior ao que se esperava da economia no País.

Apesar de todo esse cenário, a Usiminas conseguiu reverter o resultado negativo do terceiro trimestre do ano passado, de R$ 139 milhões, lucrando os R$ 268 milhões no quarto trimestre. Entre os motivos para a alta estão as vendas do minério de ferro. O produto, aliás, teve recorde de comercializações em 2019, chegando a 8,6 milhões de toneladas, um aumento de 33,1% em relação ao registrado em 2018 (6,5 milhões de toneladas).

Mais dados – O balanço da companhia mostra também que a receita líquida da empresa alcançou R$ 3,87 bilhões no quarto trimestre de 2019, um aumento de 13% em comparação a igual período de 2018 (R$ 3,42 bilhões). No acumulado do ano, a receita líquida foi de R$ 14,94 bilhões, crescimento de 9% em relação a 2018 (R$ 13,73 bilhões).

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou a R$ 447 milhões no quarto trimestre do ano passado, o que representa um incremento de 22% em relação a igual período de 2018 (R$ 368 milhões). No ano, o Ebitda foi de R$ 1,94 bilhão, recuo de 10% em relação a 2018 (R$ 2,17 bilhões).

A margem Ebitda do quarto trimestre de 2019 aumentou 1 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2018, alcançando 12%. No ano, porém, a queda foi de três pontos percentuais, passando de 16% em 2018 para 13% em 2019.

O volume de vendas de aço chegou a 1 milhão de toneladas no quarto trimestre de 2019, queda de 2% em relação ao trimestre anterior e a igual período de 2018. No ano, as comercializações do produto somaram 4,1 milhões de toneladas, uma redução de 2% em comparação a 2018 (4,19 milhões).

Expectativas – Para este ano, Sergio Leite afirma que as expectativas são muito positivas. Apesar de o cenário internacional passar por desafios como os relacionados aos efeitos do coronavírus na economia, o presidente da Usiminas destaca que a companhia foca o mercado interno.

“O boletim Focus aponta um crescimento de 2,3% em 2020. O cenário brasileiro é positivo e a Usiminas está preparada para acompanhar esse cenário”, diz ele.

Permanecem previstas para 2022 e 2023 as reformas nos altos-fornos da companhia. Já a linha de galvanização, anunciada ainda em 2018, deve esperar um pouco mais. “É um projeto importante para nós. Continuamos o estudando”, destaca Sergio Leite, que explica que ainda não há um prazo definido em relação à implantação do projeto. Porém, ele não deve ser colocado em prática em 2020.