Crédito: Washington Alves/Reuters

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou ontem que o Estado receberá R$ 500 milhões da mineradora Vale, montante que será destinado a ações de combate ao novo coronavírus (Covid-19). A quantia é uma antecipação da indenização devida pela companhia por causa do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Romeu Zema havia afirmado que faltava apenas a autorização da Justiça para a transação, uma vez que já existia a concordância por parte da empresa. Pouco depois, o saque pelo Estado foi autorizado pelo juiz Elton Pupo Nogueira, que ressaltou que, no momento, ainda não é possível avaliar integralmente o tamanho dos danos provocados pela tragédia, já que as provas estão sendo produzidas. Contudo, frisou ele, é compreensível que os lados busquem soluções parciais.

O reforço vem em um momento em que Romeu Zema tem destacado o recuo nos números devido à pandemia. Mais uma vez, ele voltou a citar uma possível queda de R$ 7,5 bilhões na arrecadação do Estado. “Temos ainda enormes desafios pela frente”, afirmou. “Estamos atentos aos desdobramentos econômicos decorrentes dessa pandemia, assim como líderes mundiais também estão”, disse.

De acordo com o governador, as secretarias de Fazenda e de Planejamento estão atuando no sentido de propor medidas que atenuem a situação. Romeu Zema destacou, contudo, que é necessário ter cautela e muito discernimento, além de frisar que o seu compromisso é com a vida.

Isolamento social – Romeu Zema afirmou que Minas Gerais foi um dos primeiros estados a adotar medidas restritivas para conter a evolução de casos de Covid-19 e que as medidas têm se mostrado acertadas até o momento. De acordo com ele, o crescimento de solicitações de internações por suspeita da doença no sistema público de Minas Gerais caiu nos últimos cinco dias.

“Isso mostra que estamos no caminho certo. É uma evidência que acertamos nas medidas e que precisamos manter essa direção. Talvez tenhamos ganhado a primeira batalha, mas ainda temos uma guerra grande pela frente”, disse.

A declaração sinaliza para a continuação das medidas de isolamento no Estado, que incluem o fechamento, por ora, de vários segmentos comerciais. Na semana passada, o governador chegou a mencionar que começaria a estudar a reabertura de alguns setores econômicos em determinadas regiões de Minas Gerais. Na última segunda-feira, porém, ressaltou a importância de o isolamento social continuar e destacou a não submissão à pressão de alguns grupos que querem um retorno das atividades talvez muito antes da hora.

Presente na coletiva de imprensa virtual na qual Romeu Zema fez os pronunciamentos ontem, o secretário adjunto de Saúde, Marcelo Cabral, reforçou que as ações de isolamento social deverão, sim, continuar. “Permanecemos avaliando as condições”, ressaltou.

Ajuda do exército – O governador Romeu Zema também anunciou que solicitou ajuda ao Exército Brasileiro no combate ao novo coronavírus (Covid-19) no Estado. O intuito são ações de desinfecção de estações de grande aglomeração, “capacitando as defesas civis municipais, contando ainda com o apoio dos Bombeiros e da Defesa Civil Estadual”, afirmou.