No último ano, a produção da maior mineradora brasileira foi de 301,9 milhões de toneladas - Crédito: Divulgação/Vale

No ano em que, após o rompimento da barragem na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorrido em janeiro, a Vale teve que paralisar grande parte de suas operações, com o intuito de atender a legislação brasileira e adotar novos padrões de segurança, a empresa viu também seu volume de produção despencar.

Ao todo, a produção de minério de ferro da maior mineradora brasileira e terceira do mundo somou 301,9 milhões de toneladas em 2019. O volume foi 21,8% menor que as 384,6 milhões de toneladas registradas no exercício anterior.

Somente no último trimestre do ano passado, foram 78,3 milhões de toneladas contra 100,9 milhões de toneladas entre outubro e dezembro de 2018, uma diferença de 22,4% entre os períodos.

No relatório divulgado ao mercado, a companhia declarou que 2019 foi o ano mais desafiador de sua história e que já está em negociação com a Agência Nacional de Mineração (ANM), com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) e com as empresas de auditoria externa para retomar gradualmente as operações e recuperar aproximadamente 40 milhões de toneladas de capacidade por ano ainda em 2020.

“Apesar dos impactos combinados na produção, o guidance de produção de finos de minério de ferro da Vale neste ano permanece entre 340 milhões e 355 milhões de toneladas. Os volumes de produção dependerão, principalmente, da concessão de autorizações externas para retomar a produção interrompida”, disse por meio do documento.

Conforme a empresa, a ideia é adicionar produção de 15 milhões de toneladas em 2020 e 25 milhões de toneladas em 2021. Além disso, espera-se que o projeto S11D, localizado em Carajás (PA), contribua com 90 milhões de toneladas de minério de ferro, e nas Serras Norte e Leste, a Vale espera produzir cerca de 120 milhões de toneladas.

“A interrupção operacional que se seguiu à ruptura da barragem, com interdições nas operações de Vargem Grande, Fábrica, Brucutu, Timbopeba e Alegria, juntamente com a sazonalidade climática mais forte do que o normal no primeiro semestre de 2019, causou grandes impactos na produção, parcialmente compensados por: ramp-up do S11D, redução de estoques e retomada gradual das operações de Vargem Grande, Brucutu e Alegria”, comentou.

Projeção 2020 – Sobre as expectativas para 2020, a Vale disse que a produção da mina de Alegria, retomada em novembro último, contribuirá com aproximadamente 8 milhões de toneladas na produção deste exercício, adicionando aproximadamente 5 milhões de toneladas de produção em relação a 2019.

A mineradora citou ainda que a liberação da logística no Complexo de Vargem Grande, após a retomada das operações no Terminal Ferroviário de Andaime (TFA) em janeiro, permitirá embarques ferroviários de, aproximadamente, 7 milhões de toneladas de estoque de produtos retidos também neste exercício.

Já a planta de Brucutu continuará operando com aproximadamente 40% de sua capacidade, por meio de processamento a úmido com filtragem de rejeitos. Porém, alternativas de curto prazo para a disposição de rejeitos estão em avaliação e poderão aumentar a capacidade da planta para 80%.

Além disso, a Vale informou que em função das interrupções temporárias de produção e transporte nos Sistemas Sul e Sudeste, devido às fortes chuvas registradas no Estado, nos primeiros meses deste ano, a perda de produção foi de, aproximadamente, 1 milhão de toneladas.

Em Minas, queda atinge marca de 41,2%

Enquanto a produção nacional da Vale somou 301,9 milhões de toneladas em 2019, quando considerados apenas os complexos localizados em Minas Gerais, a produção do exercício passado foi de 110,8 milhões de toneladas. Um ano antes, o volume produzido no Estado foi de 188,5 milhões de toneladas. Isso significa uma queda de 41,2%.

Em Minas, a Vale opera os sistemas Sudeste e Sul. No Sistema Sudeste, que compreende as minas de Itabira, Minas Centrais e Mariana, a companhia produziu 73,1 milhões de toneladas do insumo siderúrgico em 2019, baixa de 29,9% sobre 2018. A queda ocorreu devido, principalmente, à suspensão da disposição de rejeitos nas barragens de Itabiruçu e Laranjeiras, advindos das operações de Conceição e Brucutu, respectivamente.

Já no Sistema Sul, que compreende as minas de Paraopeba e Vargem Grande, a Vale produziu 37,7 milhões de toneladas de minério no ano passado, 55,2% a menos que um ano antes. Conforme a empresa, neste caso, a queda ocorreu principalmente em razão da parada das operações em Córrego do Feijão, Fábrica e no Complexo de Vargem Grande, além de menores compras de terceiros.