Nos 120 anos de Milton Campos e Gustavo Capanema
Crédito: Guto Cortes

ROGÉRIO FARIA TAVARES*

Garantido pela Constituição cidadã de 1988, o acesso à cultura é pacificamente reconhecido como direito de todos. Por essa razão, cabe aos poderes públicos e à sociedade promovê-lo das mais variadas maneiras. É o que tem feito a Academia Mineira de Letras (AML), há onze décadas. Em 2020, não será diferente. Em março, a Casa de Alphonsus de Guimaraens reinicia suas atividades – sempre gratuitas e abertas ao público – com entusiasmo total, consciente de seu papel e de sua responsabilidade comunitária.

No mês da mulher, a instituição celebrará a memória da patrona de sua cadeira 38, a escritora Beatriz Brandão, nascida em Vila Rica (hoje Ouro Preto) em 1779. Prima de Marília de Dirceu (Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, musa de Tomás Antônio Gonzaga), Beatriz foi professora e pioneira na mobilização social pela emancipação feminina. Sua trajetória será analisada por sua mais importante biógrafa, a professora Cláudia Pereira, da Universidade Federal de Ouro Preto. Também em março, a AML homenageará Clarice Lispector, a propósito do centenário de seu nascimento, com a palestra da professora Nádia Battella Gotlib, livre-docente da USP e autora do excelente “Clarice – uma vida que se conta”.

Patrono da cadeira de número 19, o Padre-Mestre Correa de Almeida, um dos mais importantes poetas satíricos do Brasil, igualmente terá sua trajetória relembrada pela Academia, nos duzentos anos de seu nascimento. Para marcar o sesquicentenário de Alphonsus de Guimaraens, fundador da cadeira de número 3, já estamos programando, do mesmo modo, sessão especial, liderada pelo atual ocupante da referida cadeira, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, e pelo neto do poeta simbolista, Afonso Henriques, atual ocupante da cadeira de número 27.

Os cento e vinte anos de nascimento de Milton Campos serão devidamente rememorados, em maio. Antigo ocupante da cadeira de número 29 da Academia, ele nasceu em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira. Constituinte em 45, foi um dos fundadores da União Democrática Nacional (UDN). Em 1947, elegeu-se governador de Minas Gerais. Nas décadas de cinquenta e de sessenta, representou o estado no Senado Federal. Nas palavras de Carlos Drummond de Andrade, foi o ‘homem que todos nós gostaríamos de ter sido’.

Tema da sessão solene que faremos na AML, em junho, Gustavo Capanema, também nascido no ano de 1900, em Pitangui, igualmente ocupou a cadeira de número 29 da Academia. Formado em Direito, foi vereador em sua terra natal. Em 1933, com a morte de Olegário Maciel, foi interventor federal. Logo depois, a convite de Vargas, tornou-se o mais longevo titular do Ministério da Educação, na época Ministério da Educação e Saúde. Entre suas importantes realizações à frente da pasta, esteve a criação do Sphan, hoje Iphan, concebido pelo gênio de Rodrigo Melo Franco de Andrade para proteger e divulgar o patrimônio histórico e artístico nacional, atitude absolutamente necessária para a afirmação da cidadania, tanto naquele tempo quanto nos dias que correm.

*Jornalista e presidente da Academia Mineira de Letras