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Terras raras em Minas Gerais podem virar nova corrida do ouro

Projeto Novo Cruzeiro, no norte do estado, identifica pontos com potencial para neodímio, praseodímio, gálio e lítio.

4 min de leitura
Elementos encontrados nas terras raras em Minas Gerais.
Foto: Dado Ruvic

A empresa canadense Atlantico Energy Metals anunciou a identificação de 12 terras raras em Minas Gerais no projeto Novo Cruzeiro.

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A área fica na região conhecida como Vale do Lítio, que reúne os municípios de Itaipé, Ladainha e Novo Cruzeiro, e se tornou um dos principais pontos de investimento em minerais críticos do país nos últimos anos.

Os 12 alvos combinam ocorrências de terras raras em Minas Gerais com novos pontos de interesse para gálio e lítio. O projeto ocupa cerca de 24.387 hectares e reúne 15 licenças de exploração contíguas, o que dá à empresa uma extensa área para aprofundar as pesquisas nos próximos meses.

Terras raras aparecem em três frentes do projeto

O levantamento identificou padrões de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio nas porções leste, nordeste e sudeste do terreno. Esses quatro elementos fazem parte do grupo das terras raras e têm papel central na fabricação de ímãs permanentes, usados em motores de veículos elétricos e em turbinas eólicas.

Uma das amostras coletadas apresentou concentração de 1.427,05 ppm de TREO, sigla usada para óxidos totais de terras raras. Em divulgações mais recentes, a companhia relatou resultados ainda maiores em amostras de acompanhamento, com picos de 2.806,7 ppm de TREO e de 349,1 ppm de óxidos magnéticos de terras raras, a fração mais valorizada do grupo por ser aplicada diretamente na produção de ímãs de alta performance.

Gálio ganha destaque em nova área do projeto

Na região de Rio Bravo, a oeste do projeto, o gálio passou a ser tratado como um dos principais focos da exploração.

O elemento foi detectado em 100% das 114 amostras de acompanhamento analisadas, com teores que variaram entre 16 e 72 ppm, chegando a um pico de 96,8 gramas por tonelada em um dos pontos avaliados.

O gálio é usado na fabricação de semicondutores, em equipamentos de redes 5G e em tecnologias voltadas à inteligência artificial, setores que vêm pressionando a demanda global pelo mineral.

A crescente dependência de poucos países fornecedores tem levado empresas de mineração a buscar novas fontes em regiões pouco exploradas, como é o caso do norte de Minas Gerais.

Além das terras raras e do gálio, a empresa também identificou um alvo de lítio que reúne anomalias geoquímicas e uma feição magnética de aproximadamente cinco quilômetros.

A combinação sugere a presença de um sistema pegmatítico, tipo de formação rochosa associada a depósitos de lítio na região.

Próximas etapas da exploração

Os resultados divulgados têm como base um relatório técnico produzido em fevereiro deste ano e ainda são considerados preliminares.

A Atlantico Energy Metals planeja avançar para uma etapa mais detalhada de exploração, com mapeamento geológico e adensamento da amostragem nas áreas já identificadas.

Está prevista também a investigação do perfil de intemperismo do solo, processo que ajuda a entender como o gálio e as terras raras se concentram na superfície ao longo do tempo.

A empresa vai realizar ainda estudos de geofísica de campo e análises da rocha-fonte, com atenção especial ao alvo de lítio localizado ao sul do projeto.

Na fase laboratorial, serão aplicados critérios de garantia de qualidade e possíveis reanálises dos resultados já obtidos, prática comum em projetos de mineração ainda em estágio inicial.

Por enquanto, o Novo Cruzeiro não possui recursos minerais nem reservas oficialmente declaradas, o que significa que os dados servem para orientar as próximas frentes de pesquisa, e não para estimar volumes de produção.

Minas Gerais reforça posição estratégica

A descoberta reforça o papel de Minas Gerais na corrida global por minerais críticos. O estado concentra parte crescente dos investimentos estrangeiros no setor, com projetos voltados à extração de lítio, nióbio e terras raras que atraem empresas de diferentes países.

O Brasil já responde por uma fatia relevante do refino mundial de terras raras, mas ainda depende da exportação de boa parte desse material como matéria-prima, sem agregar valor no processo.

Projetos como o Novo Cruzeiro têm potencial para ampliar o conhecimento geológico sobre esses recursos em território mineiro e diversificar as fontes globais de fornecimento, hoje concentradas em poucos países.

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