A mesorregião Sul e Sudoeste de Minas Gerais encerrou 2025 como a segunda maior exportadora do estado, com US$ 9,3 bilhões em vendas ao exterior, o equivalente a 22,5% de tudo que Minas vendeu para o mundo no período. Os dados integram a terceira edição do Panorama do Comércio Exterior de Minas Gerais, divulgado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG).
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A Região Metropolitana de Belo Horizonte liderou as exportações mineiras com US$ 15,8 bilhões (38,3%), seguida pela região Sul/Sudoeste (US$ 9,3 bilhões e 22,5%) e pelo Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba (US$ 8,7 bilhões e 21,1%). Juntas, essas três regiões concentram mais de 80% das vendas externas mineiras em 2025.
Varginha na liderança estadual, graças ao café
O destaque individual mais expressivo da mesorregião é Varginha. A cidade foi o principal município exportador de Minas Gerais em 2025, com US$ 3,3 bilhões em vendas, tendo como principal produto o café, despachado sobretudo para Alemanha, Estados Unidos, Japão e Itália. Varginha representou 7,9% de todas as exportações do estado no ano.
O resultado não foi isolado. Guaxupé, também na região, aparece em quarto lugar no ranking estadual com US$ 2,4 bilhões, com vendas concentradas em café para Estados Unidos, Alemanha, Turquia e China.
Nos dados referentes ao início de 2025, o peso do café para a mesorregião ficou ainda mais evidente: entre os principais produtos exportados pela região em janeiro estavam café (31,4%), minérios de ferro e seus concentrados (27,4%), ouro (5,8%), ferro-ligas (3,8%) e açúcar (2,6%). Na região Sul e Sudoeste como um todo, a participação do café nas exportações chegou a 92%.
O peso da região no contexto estadual e nacional
O desempenho regional se insere em um ano recorde para Minas Gerais no comércio exterior. Em 2025, o estado alcançou US$ 45,7 bilhões em exportações, superando todos os valores registrados desde o início da série histórica, em 1997, com crescimento de 8,6% em relação a 2024. Minas foi responsável por 13% das exportações brasileiras e registrou superávit de US$ 27,3 bilhões na balança comercial, o segundo maior do Brasil.
Os dez principais parceiros comerciais do estado foram China, Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Canadá, Japão, Países Baixos, Reino Unido, Itália e Bélgica, responsáveis juntos por 70,8% do valor total exportado, somando US$ 32,3 bilhões.
Diversificação de mercados como estratégia
Além do crescimento em volume, o panorama aponta um processo de diversificação de destinos. Entre o primeiro semestre de 2018 e o mesmo período de 2025, Minas saltou de 182 para 206 parceiros comerciais, um aumento de 13%.
Para a região Sul/Sudoeste, esse movimento tem se traduzido em novas conexões comerciais. A Paraíso Verde, empresa de São Sebastião do Paraíso especializada na extração de óleos vegetais, é exemplo desse avanço: após participar de missão comercial ao Paraguai em 2024, fechou negociação para distribuir seus produtos no país vizinho em 2025.
Em 2025, o Governo de Minas também levou empresários do polo calçadista de Nova Serrana para a Argentina e um grupo de empreendedores do setor de alimentos e bebidas para o Paraguai, como parte das ações de promoção comercial no exterior.
O que o relatório revela sobre o futuro da região
O Panorama do Comércio Exterior produzido pela Sede-MG vai além dos números agregados. O documento analisa os modais de transporte utilizados pelas empresas exportadoras, os recintos aduaneiros movimentados e os mercados de destino por produto, informações que podem orientar tanto decisões empresariais quanto políticas públicas de infraestrutura logística.
O levantamento ressalta a importância da manutenção e do aperfeiçoamento das rotas portuárias utilizadas pelas empresas do estado, dado que o transporte marítimo permanece como a principal via de escoamento das exportações mineiras, em função da distância dos mercados consumidores internacionais.
Para a região Sul/Sudoeste, onde o café domina a pauta exportadora, a qualidade das rotas logísticas até os portos representa um fator diretamente ligado à competitividade das exportações, especialmente num mercado em que preços e prazos de entrega são determinantes para a manutenção de contratos com compradores europeus e asiáticos.