Um grave acidente com ônibus na BR-040 deixou dez pessoas mortas e dezenas de feridas na madrugada deste domingo (16), em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. O veículo havia saído de Belo Horizonte com destino a Copacabana, na Zona Sul carioca, e tombou por volta das 4h30, no quilômetro 91 da rodovia.
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Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o ônibus levava 47 passageiros, além dos dois motoristas. As vítimas foram socorridas pela concessionária responsável pelo trecho, pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu, e encaminhadas a hospitais da região, entre eles o Santa Teresa, em Petrópolis, e o Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. As circunstâncias que levaram o veículo a sair da pista ainda estão sob apuração da Polícia Civil.
A tragédia atingiu diretamente moradores da Vila Acaba Mundo, comunidade da Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Doze pessoas do bairro estavam entre os passageiros, e ao menos quatro delas morreram no acidente, incluindo uma mãe e sua filha de 7 anos. A comunidade se mobilizou desde a manhã de domingo para buscar informações sobre os moradores que viajavam no coletivo, e a associação de moradores da vila divulgou uma nota de solidariedade às famílias enlutadas.
Irregularidades marcam o acidente com ônibus na BR-040
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus não tinha autorização para realizar transporte interestadual de passageiros. O veículo está registrado em nome de uma empresa e havia comunicação de venda para outra, mas nenhuma das duas possui habilitação para esse tipo de serviço nos sistemas oficiais da agência.
A ANTT também não encontrou registro de habilitação para a empresa apontada como organizadora da viagem, e identificou que o ônibus ainda circulava com um adesivo de vistoria em nome de uma terceira empresa igualmente sem autorização. Diante do conjunto de irregularidades, a agência classificou a operação como transporte clandestino de passageiros.
Em nota, a empresa responsável pela organização da viagem informou que está apurando as circunstâncias do acidente e que segue prestando as informações necessárias às autoridades e aos familiares das vítimas.
O que acontece agora
O caso é investigado pela delegacia de polícia responsável pela região onde ocorreu o acidente, que trabalha para identificar as causas do tombamento e apurar a responsabilidade das empresas envolvidas na viagem. Até a manhã desta segunda-feira (17), oito das dez vítimas já haviam sido identificadas pela perícia, e os corpos foram encaminhados para exames no posto regional de polícia técnico-científica de Petrópolis.
O caso reacende a discussão sobre a fiscalização do transporte rodoviário de passageiros no país. Viagens clandestinas, organizadas fora dos canais autorizados pela ANTT, costumam escapar das exigências de segurança aplicadas ao transporte regular, o que aumenta os riscos para quem viaja nesses veículos.