Um incêndio atingiu cerca de 2 mil hectares de vegetação no Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas, no Centro Oeste de Minas Gerais. O fogo começou na segunda feira (17), em uma área próxima à Cachoeira Casca d’Anta, um dos principais pontos turísticos da região, e foi controlado no dia seguinte.
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Mesmo com as chamas controladas, equipes continuaram no local nesta quarta feira (19) para realizar o trabalho de rescaldo. A atividade busca eliminar possíveis focos que ainda possam estar escondidos na vegetação e reduzir o risco de o fogo voltar a se espalhar.
O combate mobilizou 16 brigadistas e dois voluntários. Após o controle das chamas, a área permaneceu sob acompanhamento das equipes responsáveis pela prevenção e combate a incêndios no parque.
Como começou o incêndio na Serra da Canastra
De acordo com informações da administração do parque, o fogo teve início durante uma ação planejada de manejo integrado do fogo. Esse tipo de atividade é utilizado em áreas de Cerrado como uma forma de reduzir a quantidade de vegetação seca acumulada e ajudar no controle de incêndios de maiores proporções.
No entanto, durante a ação, as condições ambientais mudaram e fizeram com que as chamas avançassem além da área inicialmente prevista.
A propagação do fogo pode ser influenciada por diversos fatores. Entre eles estão a velocidade e a direção do vento, a temperatura, a umidade do ar, o relevo e o tipo de vegetação presente no local. Na Serra da Canastra, essas características podem mudar rapidamente, dificultando o controle das chamas.
As circunstâncias do incêndio ainda estão sendo analisadas tecnicamente. Por isso, não há uma conclusão sobre eventuais responsabilidades relacionadas ao avanço do fogo.
Área próxima à Casca d’Anta foi atingida
A região atingida fica nas proximidades da Cachoeira Casca d’Anta, uma das atrações mais conhecidas da Serra da Canastra. A queda d’água está ligada ao Rio São Francisco e possui aproximadamente 186 metros de altura.
A cachoeira está localizada no município de São Roque de Minas e integra o Parque Nacional da Serra da Canastra. A unidade de conservação também abrange os municípios de Vargem Bonita, Sacramento, Delfinópolis, Capitólio e São João Batista do Glória.
Apesar da extensão do incêndio, o fogo foi controlado antes que continuasse avançando pela região. As equipes permaneceram no local justamente para acompanhar o comportamento da área e agir rapidamente caso novos focos apareçam.
Parque Nacional tem quase 200 mil hectares
O Parque Nacional da Serra da Canastra possui 197.971,96 hectares, segundo o ICMBio, e tem o Cerrado como principal bioma. A unidade foi criada em 1972 e tem entre seus objetivos a preservação de áreas naturais importantes para a biodiversidade e para os recursos hídricos.
A região é conhecida por abrigar a nascente histórica do Rio São Francisco, além de paredões, campos de Cerrado, cachoeiras e áreas utilizadas para pesquisas e turismo de natureza.
A unidade também é habitat de diferentes espécies de animais e plantas, incluindo espécies ameaçadas de extinção. A preservação da vegetação é importante não apenas para a fauna, mas também para a proteção das nascentes e dos cursos d’água presentes na região.
Manejo do fogo é usado para prevenir incêndios maiores
O uso controlado do fogo faz parte das estratégias de manejo adotadas em algumas áreas do Cerrado. Isso acontece porque o bioma possui uma relação natural com o fogo, mas incêndios muito extensos ou fora de controle podem provocar grandes danos ambientais.
O Plano de Manejo Integrado do Fogo do Parque Nacional da Serra da Canastra prevê ações de monitoramento e acompanhamento das áreas queimadas. O documento do ICMBio também registra a ocorrência de áreas atingidas por fogo natural na unidade e estabelece estratégias para reduzir os riscos de grandes incêndios.
A diferença está no controle da queima. Em uma ação planejada, fatores como vento, umidade, temperatura, relevo e quantidade de vegetação são avaliados para determinar onde e como o fogo pode ser utilizado.
Quando essas condições mudam durante a atividade, porém, existe o risco de as chamas ultrapassarem os limites estabelecidos, como ocorreu no episódio registrado nesta semana.
Área segue monitorada após controle das chamas
Mesmo com o incêndio controlado, o trabalho das equipes ainda não terminou. O rescaldo é necessário para localizar pontos de calor e evitar que brasas ou pequenos focos voltem a provocar a propagação do fogo.
A área atingida continuará sendo monitorada preventivamente pela brigada. A medida permite identificar rapidamente qualquer mudança no comportamento do fogo e realizar um novo combate caso seja necessário.