Um levantamento nacional mostra que cerca de 29% das mulheres em Minas Gerais viveram, nos 12 meses anteriores à pesquisa, ao menos uma situação concreta de violência doméstica, mesmo sem declarar espontaneamente que sofreram esse tipo de violência.
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O resultado do estado fica dentro da margem de erro da média nacional, que também é de 29%, o que significa que Minas Gerais não se diferencia do restante do país nesse quesito.
O dado faz parte da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita pelo Instituto DataSenado, ligado ao Senado Federal, e incorporada ao Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida em parceria com o Instituto Natura e a organização Gênero e Número.
A pesquisa ouviu 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil, entre 16 de maio e 8 de julho de 2025, com margem de confiança de 95%.
Entre as mineiras entrevistadas, 27% relataram ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida, e 10% afirmaram ter vivido esse tipo de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Entre as vítimas, 86% relataram violência psicológica, 81% relataram violência moral e 84% relataram violência física. Em 58% dos casos de violência doméstica, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão.
Esses números reforçam por que a violência doméstica costuma ser maior do que aquela que aparece nos boletins de ocorrência e nos registros oficiais: muitas mulheres vivem situações concretas de agressão sem identificar aquilo como violência quando alguém pergunta diretamente sobre o tema.
Muitas vítimas ainda vivem com o agressor
Do total de vítimas em Minas Gerais, 12% ainda convivem com a pessoa que as agrediu, e dentro desse grupo, 59% moram na mesma casa que o agressor. Nas situações de violência mais grave, 45% das entrevistadas relataram que o agressor estava com ciúmes no momento da agressão, e 44% disseram que ele estava sob efeito de álcool.
A pesquisa também mostra o peso da violência doméstica na vida das mulheres que conseguiram encerrar o relacionamento: para 82% delas, a violência teve grande influência na decisão de terminar. O impacto também aparece na rotina profissional, citado por 49% das vítimas, e nos estudos, mencionado por 37%.
Conhecimento sobre proteção ainda é limitado
Apesar da gravidade dos números, o conhecimento sobre instrumentos legais de proteção segue baixo entre as mineiras. A pesquisa mostra que 65% das mulheres conhecem pouco a Lei Maria da Penha, e 11% dizem não conhecer nada sobre a legislação.
Em relação às medidas protetivas, 68% relatam conhecimento superficial e 16% afirmam não ter nenhum conhecimento sobre o recurso.
Entre os serviços de proteção, a Delegacia da Mulher é o mais conhecido, citado por 87% das entrevistadas, seguido pelo CRAS ou CREAS, com 85%, e pela Defensoria Pública, com 83%.
A pesquisa ainda mostra que 73% das mineiras perceberam aumento da violência doméstica contra mulheres nos 12 meses anteriores ao levantamento.
Panorama nacional mostra a mesma lacuna
No Brasil inteiro, quase 29 milhões de mulheres sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses, segundo a mesma pesquisa.
Desse total, cerca de 87% relataram situações concretas de violência sem chamar aquilo de violência de forma espontânea. Somando as mulheres que reconheceram a violência, mas não acionaram a polícia, o Ligue 180 ou o 190, chega-se a 93,6% das vítimas brasileiras que ficam numa lacuna entre viver a violência e buscar proteção.
Esse resultado reforça que a dificuldade de nomear e reconhecer a violência doméstica funciona como uma barreira anterior ao próprio acesso às políticas públicas de proteção, já que é bem mais difícil buscar ajuda quando a pessoa ainda não identifica o que está vivendo como um problema que merece atenção e cuidado.
Quem estiver passando por uma situação de violência doméstica pode buscar orientação e denúncia pelo Ligue 180, serviço gratuito e sigiloso mantido pelo governo federal, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.