A inadimplência no Brasil voltou a subir em julho e atingiu um novo recorde, mesmo com o Novo Desenrola Brasil, programa do governo federal criado para facilitar a renegociação de dívidas, já em funcionamento desde maio.
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Segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira (28), a taxa de inadimplência entre pessoas físicas chegou a 5,81% em julho, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2011.
O resultado mostra que a dificuldade das famílias para manter as contas em dia continua avançando, apesar das medidas de renegociação lançadas pelo governo.
A alta ocorre também em um ambiente de juros elevados, que seguem pressionando o orçamento dos consumidores e dificultando a reorganização das finanças.
O que é o Novo Desenrola Brasil
O programa, também chamado de Desenrola 2.0, foi lançado por meio de uma Medida Provisória em maio deste ano, com o objetivo de reduzir o endividamento da população e facilitar o acesso ao crédito.
Podem participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105, com dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal contratadas até 31 de janeiro de 2026 e em atraso entre 91 dias e dois anos.
Quem se enquadra nas regras pode conseguir descontos de até 90% sobre o valor da dívida antiga, taxa de juros máxima de 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 vezes, com prazo de 35 dias para começar a pagar. O programa também permite o uso de até 20% do saldo do FGTS, ou até R$ 1 mil, o que for maior, para quitar total ou parcialmente as dívidas negociadas.
Já débitos de até R$ 100 são automaticamente retirados dos cadastros de inadimplentes, sem necessidade de negociação. As inscrições seguem abertas até 31 de agosto, e a renegociação deve ser feita diretamente com a instituição financeira responsável pela dívida.
Uma das exigências do programa é que, ao aderir ao Desenrola, o consumidor tenha o acesso a plataformas de apostas online, as chamadas bets, bloqueado por um ano, medida pensada para evitar que novas dívidas surjam durante o período de reorganização financeira.
Por que a inadimplência no Brasil ainda preocupa
O avanço da inadimplência no Brasil ocorre em um momento em que outros indicadores também apontam para um alto nível de comprometimento financeiro das famílias, o que reforça a leitura de que renegociar uma dívida não significa, necessariamente, resolver o problema por completo.
A situação é acompanhada de perto pelo Banco Central, já que o aumento da inadimplência pode afetar a qualidade das carteiras de crédito dos bancos e, consequentemente, influenciar as condições oferecidas em novos empréstimos no país.
Para especialistas do setor financeiro, a recuperação depende diretamente da capacidade das famílias de retomar o pagamento das parcelas em dia e evitar a contratação de novas dívidas enquanto reorganizam o orçamento.