A participação eleitoral em Juiz de Fora cresceu no primeiro turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (4). A soma de eleitores que não compareceram às urnas com os votos em branco e nulos ficou em 23,66% do eleitorado da cidade, conforme apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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O percentual ficou abaixo da faixa de cerca de 30% que especialistas haviam projetado à imprensa local antes da votação.
Ao todo, 72.952 eleitores não compareceram às urnas em Juiz de Fora, o equivalente a 18,45% do eleitorado. Os votos em branco somaram 6.610, ou 2,05% do total, enquanto os votos nulos chegaram a 10.205, representando 3,16%.
Juntos, os três indicadores ficaram 6,34 pontos percentuais abaixo da referência histórica usada como parâmetro pelos pesquisadores ouvidos antes do pleito.
Abstenção puxa o resultado geral da participação eleitoral
Entre os três indicadores, a abstenção foi responsável pela maior parcela do resultado. Do total de 394.921 eleitores aptos a votar na cidade, 72.952 não compareceram às urnas no primeiro turno.
Esse número inclui também eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo, e adolescentes de 16 e 17 anos que já tiraram o título de eleitor, mas optaram por não votar.
Os votos brancos e nulos, embora somados à abstenção para efeito de análise da participação, correspondem a situações diferentes.
Enquanto a abstenção representa a ausência do eleitor na seção eleitoral, os votos brancos e nulos partem de quem comparece, mas opta por não escolher nenhum candidato ou erra o preenchimento na urna.
O que explica o comportamento do eleitor
Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apontam que não existe uma única razão capaz de explicar a decisão de parte do eleitorado de não comparecer às urnas ou de votar em branco ou nulo.
Entre as hipóteses está a percepção de falta de representação nos candidatos disputando as eleições, fatores conjunturais do momento político e até condições externas, como o clima no dia da votação.
A análise da UFJF também associa o nível de participação ao grau de disputa da eleição. Em pleitos mais acirrados, a tendência costuma ser de maior comparecimento às urnas, já que o eleitor percebe que seu voto pode ter mais peso na definição do resultado final.
Queda em relação a eleições anteriores
O índice de 23,66% registrado em Juiz de Fora neste ano representa o menor patamar entre as últimas eleições presidenciais na cidade.
Em 2014, a soma de abstenção, brancos e nulos foi de 30,49%. Em 2018, o percentual ficou em 30,29%. Já em 2022, o índice havia recuado para 25,27%.
Com o resultado de 2026, a cidade registrou uma queda de 1,61 ponto percentual em relação à eleição anterior. O movimento acompanha, em parte, a tendência observada em nível nacional, que também teve redução nos últimos pleitos: 29,03% em 2014, 29,12% em 2018 e 25,36% em 2022, embora o indicador nacional tenha subido ligeiramente em 2026, para 25,85%.
O que pode mudar no segundo turno
A expectativa de pesquisadores da UFJF é que o comportamento do eleitorado possa se alterar na eventual segunda etapa da eleição.
A avaliação é de que, historicamente, o segundo turno tende a registrar maior abstenção, já que as disputas para deputado federal, deputado estadual e senador já ficam definidas no primeiro turno, restando apenas a decisão para os cargos majoritários.
Por isso, mesmo com o resultado mais baixo registrado agora, os números de participação em Juiz de Fora ainda podem mudar caso a disputa avance para uma segunda votação, dependendo de como o eleitorado reagir à redução do número de cargos em jogo.