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Crianças de Juiz de Fora vão opinar no planejamento de espaços públicos

Prefeitura de Juiz de Fora e ONU-Habitat ouvem 60 alunos da rede municipal em oficinas com desenhos, maquetes e mapas afetivos.

3 min de leitura
Crianças ajudando no planejamento de espaços públicos.
Foto: Pixabay

A Prefeitura de Juiz de Fora, em parceria com o ONU-Habitat, inicia em setembro uma série de oficinas que incluem crianças no planejamento de espaços públicos da cidade.

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A iniciativa é conduzida pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (SEDUPP) e faz parte do projeto Tecendo a Cidade, Planejando com Viés Participativo.

Cerca de 60 estudantes de 7 a 12 anos, de três escolas municipais, participam das atividades. A Escola Municipal Antônio Carlos Fagundes, no Francisco Bernardino, recebe a oficina no dia 1º de setembro, das 13h às 17h.

A Escola Municipal Áurea Bicalho, no Linhares, tem sua atividade no dia 2, das 7h às 12h, e a Escola Municipal Georg Rodenbach, no bairro Grama, encerra o cronograma no dia 3, também das 7h às 12h.

Durante os encontros, os alunos usam desenhos, maquetes, jogos e mapas afetivos para mostrar como vivem seus bairros no dia a dia, apontando dificuldades e sugerindo melhorias.

Incluir crianças no planejamento de espaços públicos parte da ideia de que elas enxergam a cidade de um jeito diferente dos adultos.

Enquanto pais e responsáveis costumam priorizar demandas como creches e educação de qualidade, as próprias crianças conseguem apontar problemas mais concretos do espaço urbano, como falta de segurança para brincar na rua ou ausência de áreas de lazer perto de casa.

Depois de cada oficina, as ideias levantadas pelos alunos passam por análise das equipes técnicas da Prefeitura, que usam esse material como base para recomendações de melhorias arquitetônicas e urbanísticas nos bairros.

Tecendo a Cidade nasceu após enchente em Juiz de Fora

O projeto Tecendo a Cidade começou em 2021, com a criação do Observatório da Cidadania JF, plataforma de dados usada para orientar políticas públicas municipais.

Em março deste ano, a iniciativa ganhou uma nova fase, lançada cerca de um mês depois de Juiz de Fora enfrentar um desastre climático que afetou boa parte da cidade.

Essa nova etapa reforçou a ideia de tornar o planejamento urbano mais resiliente diante de eventos climáticos extremos, com ações voltadas primeiro a mulheres e meninas, por meio das oficinas Cidade Mulher, e agora ampliadas também para crianças.

A escuta de crianças e outros grupos no planejamento urbano não é exclusividade de Juiz de Fora. Cidades como Foz do Iguaçu e Barracão, no Brasil, além de municípios do Paraguai e da Argentina, já desenvolveram projetos de praças a partir da escuta infantil, usando metodologia parecida.

No Rio de Janeiro e em Pernambuco, abordagens semelhantes ajudaram na prevenção da violência urbana e no fortalecimento de programas sociais locais, mostrando que esse tipo de participação pode gerar resultados concretos além do próprio desenho dos espaços públicos.

Experiência vai virar caderno metodológico

Depois de concluídas as oficinas nas três escolas, a experiência acumulada em Juiz de Fora deve ser sistematizada em um caderno metodológico, sob coordenação do ONU-Habitat.

A ideia é que esse material sirva de referência para outras cidades da América do Sul que queiram aplicar um processo parecido de escuta infantil no planejamento urbano, transformando a experiência local em um modelo replicável para diferentes realidades.

Ao incluir a voz das crianças diretamente no processo de planejamento de espaços públicos, Juiz de Fora se soma a um movimento mais amplo de cidades que tentam tornar a gestão urbana mais participativa, ouvindo grupos que normalmente ficam de fora das decisões sobre como os bairros e espaços coletivos devem ser construídos.

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