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Inovação na produção de cachaça é tema em encontro em Minas Gerais

2º Dia de Campo reuniu produtores, técnicos e pesquisadores na Zona da Mata.

4 min de leitura
Pessoas reunidas para entender mais sobre a produção de cachaça no 2º Dia de Campo Da Cana ao Destilado.
Foto: Divulgação

Cerca de cem pessoas participaram, no último sábado, 12 de setembro, do 2º Dia de Campo Da Cana ao Destilado, realizado na Cachaça Tia Maria, no distrito de Abreus, em Alto Rio Doce, na Zona da Mata mineira. O encontro reuniu produtores, pesquisadores, técnicos e empresas ligadas a diferentes etapas da cadeia produtiva da produção de cachaça.

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A programação foi promovida em parceria pelo Sistema Faemg Senar, pelo Sindicato Rural de Barbacena e pelo Sicoob Credivertentes, com a presença de fabricantes de alambiques e tonéis, além de empresas de equipamentos e insumos para o setor.

Tecnologia e manejo da cana marcam o encontro

O dia começou com uma apresentação voltada ao manejo da cana-de-açúcar em soqueira, tema conduzido por um pesquisador da Universidade Federal de Viçosa ligado à Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento Sucroenergético.

A discussão reforçou a importância de aproximar novas tecnologias da realidade do produtor rural, especialmente diante das dificuldades relacionadas à falta de mão de obra no campo.

Uma das empresas parceiras do evento também realizou uma demonstração de colheita mecanizada, atividade que despertou bastante interesse entre os participantes.

A combinação entre manejo agrícola mais eficiente e mecanização aparece como um dos caminhos discutidos para reduzir custos e aumentar a produtividade dos canaviais destinados à produção de cachaça na região.

Envelhecimento com fragmentos de madeira ganha espaço

Outro destaque da programação foi a apresentação sobre alternativas para o envelhecimento da cachaça usando fragmentos de madeira.

A técnica, legalizada no fim de 2022, permite o uso de pedaços de árvores dentro de tonéis de inox ou madeira para alterar as características sensoriais da bebida sem depender exclusivamente de barris inteiros.

Segundo a apresentação feita durante o encontro, esse método pode reduzir o período necessário de armazenamento e, consequentemente, os custos de produção.

A técnica também tem potencial ambiental, já que permite o uso de árvores cultivadas pelos próprios produtores para obtenção dos fragmentos, reduzindo a dependência de madeira extraída de outras fontes.

Terceirização do envase é outra aposta dos produtores

A manhã de atividades técnicas foi encerrada com uma palestra sobre terceirização do envase e as oportunidades para produtores registrados como atacadistas, tema conduzido por um fiscal agropecuário do Instituto Mineiro de Agropecuária.

A discussão abordou como pequenos e médios produtores podem ampliar sua capacidade de comercialização sem precisar investir sozinhos em toda a estrutura de engarrafamento.

Esse tipo de arranjo tem ganhado espaço entre produtores de cachaça que buscam formalizar a produção e alcançar mercados maiores, sem abrir mão da identidade artesanal que caracteriza boa parte dos alambiques da região.

Bacia do Rio Piranga busca indicação geográfica para a cachaça

O encontro também marcou o anúncio de uma iniciativa para ampliar o reconhecimento da produção regional. Representantes da Associação Nacional de Cachaça de Alambique e da Associação dos Produtores da Cachaça do Vale do Piranga anunciaram o pedido de reconhecimento da Bacia do Rio Piranga como região de indicação geográfica para a produção de cachaça.

A área reúne 57 municípios produtores e conta com 170 alambiques registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária, número apontado como o maior do Brasil em uma única região.

O reconhecimento pode contribuir para fortalecer a identidade da produção local e ampliar o espaço da bebida nos mercados nacional e internacional.

O que é a indicação geográfica e por que ela importa

A indicação geográfica é um registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial que reconhece que determinado produto tem características ligadas diretamente à região onde é produzido, seja por fatores naturais, como clima e solo, seja por técnicas desenvolvidas ao longo do tempo pelos produtores locais.

Hoje, apenas três regiões brasileiras têm esse reconhecimento específico para a cachaça: Paraty, no Rio de Janeiro, Abaíra, na Bahia, e Salinas, em Minas Gerais.

Em Minas Gerais, a região de Salinas recebeu o selo em 2012, o que ajudou a consolidar o município como a principal referência nacional em cachaça artesanal, hoje reconhecida como Arranjo Produtivo Local pelo estado e responsável por parte significativa da produção mineira registrada no país.

Um reconhecimento semelhante para a Bacia do Rio Piranga tende a proteger a identidade da produção de cachaça feita nessa região, evitando que produtos de outras origens sejam vendidos usando o nome da área e reforçando a garantia de qualidade para quem compra a bebida.

Para além das discussões técnicas, o 2º Dia de Campo Da Cana ao Destilado funcionou como espaço de troca entre produtores em diferentes estágios de maturidade dentro da cadeia produtiva.

Participantes destacaram a oportunidade de conhecer novas etapas do processo e buscar alternativas para levar inovação ao campo, reforçando o caráter coletivo que iniciativas como essa têm assumido na Zona da Mata mineira.

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