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Projeto de restauração do rio Pacuí começa em Montes Claros

Iniciativa lançada na comunidade de Santa Bárbara prevê recuperação de nascentes, matas ciliares e participação dos moradores na conservação da bacia.

4 min de leitura
Rio Pacuí sem água.
Foto: Divulgação

A comunidade rural de Santa Bárbara, em Montes Claros, recebeu no dia 25 de setembro o lançamento oficial do Projeto de Restauração Ambiental do Rio Pacuí.

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O encontro reuniu moradores, lideranças comunitárias, técnicos e representantes das instituições que vão tocar a iniciativa, voltada à recuperação de um dos cursos d’água mais importantes do Norte de Minas.

Restauração do rio Pacuí começa na comunidade de Santa Bárbara

O projeto tem como uma das principais frentes a recuperação de áreas degradadas ao longo da bacia do rio Pacuí. Entre as ações previstas estão a proteção de nascentes e de matas ciliares, o estímulo à conservação do solo e da água e a mobilização das comunidades que vivem na área de abrangência da iniciativa.

A expectativa é que as intervenções ajudem a reduzir processos erosivos, proteger nascentes e favorecer a conservação da biodiversidade da região.

O lançamento em uma comunidade rural não foi por acaso: a proposta busca justamente aproximar as ações da população que convive diretamente com o território e com os recursos naturais.

Projeto nasce do Atlas Hidrográfico de Montes Claros

A restauração do rio Pacuí é apresentada como um desdobramento da terceira etapa do Atlas Hidrográfico de Montes Claros, estudo elaborado pelas secretarias municipais de Educação e de Ambiente, Bem-Estar Animal e Desenvolvimento Sustentável, em parceria com uma universidade local.

O Atlas tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a realidade hídrica do município e oferecer informações capazes de embasar políticas públicas e apontar áreas prioritárias para ações de conservação.

A terceira etapa dos estudos permitiu identificar pontos da bacia que exigem atenção, o que deu origem à proposta de transformar parte desse diagnóstico em ações práticas de restauração.

O material do Atlas também deve servir como recurso didático para professores da educação básica, aproximando os estudantes da realidade ambiental do próprio município.

Moradores vão participar da conservação da bacia

Antes do lançamento em Santa Bárbara, foram realizadas reuniões com representantes da empresa responsável pelo financiamento do projeto e das instituições parceiras, para alinhar as diretrizes e as ações previstas para os próximos meses.

A presença dos moradores é tratada como um dos pontos centrais da iniciativa. A comunidade vai participar de ações de mobilização social, acompanhamento e monitoramento ambiental, além de colaborar diretamente com a preservação das áreas recuperadas.

A ideia é que a restauração não fique restrita à execução de obras físicas, mas também ajude a formar uma cultura de conservação entre moradores, técnicos e instituições envolvidas.

Por que a mata ciliar e as nascentes são tão importantes

A vegetação nas margens dos rios, conhecida como mata ciliar, ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e manter as condições ambientais dos cursos d’água.

A recuperação de áreas degradadas também contribui para diminuir o transporte de sedimentos para o rio e favorece a conservação dos habitats de diferentes espécies.

Esse cuidado tem um motivo concreto na região. Levantamentos acadêmicos sobre a bacia do rio Pacuí já mostraram redução significativa da vegetação natural e aumento expressivo de áreas de pastagem ao longo das últimas décadas, o que agrava a degradação e gera conflitos pelo uso da água, principalmente para irrigação.

Rio Pacuí é fundamental para o abastecimento da região

O rio Pacuí é afluente do rio São Francisco pela margem direita e sua bacia atravessa cerca de dez municípios do Norte de Minas, entre eles Montes Claros, Coração de Jesus, Mirabela e Ibiaí.

Além do valor ambiental, o rio tem papel direto no abastecimento de água de populações urbanas e rurais dessa região.

Um exemplo da importância estratégica da bacia é o Sistema Pacuí, implantado em 2018, que garante parte do abastecimento de Montes Claros e também fornece água para Coração de Jesus e Ibiaí, com previsão de atender a sede de Montes Claros até o ano de 2050.

A obra de captação de água na região, orçada em cerca de R$ 135 milhões na época, reforça por que conservar as nascentes e a vegetação da bacia é visto como uma prioridade para garantir segurança hídrica a longo prazo.

Com o lançamento em Santa Bárbara, o Projeto de Restauração Ambiental do Rio Pacuí entra em uma nova etapa, que deve incluir ações de campo, mobilização contínua dos moradores e acompanhamento das áreas selecionadas para recuperação, com a expectativa de que os resultados não fiquem restritos a intervenções pontuais, mas ajudem a garantir a conservação permanente dos recursos naturais da bacia.

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