{"id":2347,"date":"2026-06-18T11:34:47","date_gmt":"2026-06-18T14:34:47","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/?p=2347"},"modified":"2026-06-18T09:42:35","modified_gmt":"2026-06-18T12:42:35","slug":"golpes-digitais-no-brasil-seguem-roteiro-previsivel-pix-marcas-conhecidas-e-fatos-reais-distorcidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/golpes-digitais-no-brasil-seguem-roteiro-previsivel-pix-marcas-conhecidas-e-fatos-reais-distorcidos\/","title":{"rendered":"Golpes digitais no Brasil seguem roteiro previs\u00edvel: Pix, marcas conhecidas e fatos reais distorcidos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles mudam a embalagem, mas raramente o conte\u00fado. \u00c9 essa a principal conclus\u00e3o do relat\u00f3rio <em>A Jornada dos Golpes<\/em>, segunda edi\u00e7\u00e3o divulgada nesta quarta-feira (17) pelo Observat\u00f3rio Lupa, n\u00facleo de pesquisa da Ag\u00eancia Lupa. Baseado na an\u00e1lise de 115 conte\u00fados fraudulentos virais que circularam no Brasil entre maio de 2024 e abril de 2026, o estudo revela que os golpistas online operam com estrat\u00e9gias repetitivas, previs\u00edveis e cada vez mais ancoradas em elementos reais, o que torna as fraudes mais dif\u00edceis de identificar, mas tamb\u00e9m mais f\u00e1ceis de mapear.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pix, promessas financeiras e marcas sequestradas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A combina\u00e7\u00e3o mais recorrente identificada pelo relat\u00f3rio \u00e9 tamb\u00e9m a mais eficaz na captura de v\u00edtimas: promessa de ganho financeiro, apar\u00eancia de legitimidade e pagamento via Pix. Cerca de um ter\u00e7o dos golpes analisados exigia transfer\u00eancias exclusivamente pelo sistema de pagamento instant\u00e2neo. Os valores cobrados eram apresentados como taxas necess\u00e1rias para liberar benef\u00edcios, promo\u00e7\u00f5es, brindes ou indeniza\u00e7\u00f5es que simplesmente n\u00e3o existiam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao todo, 71% dos conte\u00fados fraudulentos prometiam algum tipo de vantagem financeira, enquanto 74% se apoiavam na credibilidade de empresas ou personalidades conhecidas para dar apar\u00eancia de legitimidade \u00e0s fraudes. Mais de 15 marcas do varejo, setor banc\u00e1rio, marketplaces e plataformas digitais tiveram seus nomes usados indevidamente. Mercado Livre e Nubank lideram as ocorr\u00eancias, com quatro registros cada. Shopee, Serasa e Rede Globo tamb\u00e9m figuram entre as mais exploradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de empresas, jornalistas, m\u00e9dicos e influenciadores foram utilizados para dar veracidade \u00e0s mensagens fraudulentas, muitas vezes sem qualquer consentimento ou conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A estrat\u00e9gia da distor\u00e7\u00e3o: partir do real para enganar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos achados mais significativos da pesquisa \u00e9 a escalada do uso de informa\u00e7\u00f5es verdadeiras como mat\u00e9ria-prima para fraudes. Em 66% dos golpes analisados nesta edi\u00e7\u00e3o, os criminosos partiram de fatos reais para construir narrativas enganosas, um salto em rela\u00e7\u00e3o aos 55% registrados no per\u00edodo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reportagens jornal\u00edsticas, comunicados oficiais, campanhas leg\u00edtimas, decis\u00f5es judiciais, programas governamentais e p\u00e1ginas institucionais foram adulterados para criar conte\u00fados que parecem aut\u00eanticos \u00e0 primeira vista. A pesquisadora respons\u00e1vel pelo estudo, Beatriz Farrugia, explica o mecanismo: a fraude n\u00e3o nasce de uma informa\u00e7\u00e3o totalmente inventada, mas da adultera\u00e7\u00e3o de fatos verdadeiros, marcas reconhecidas ou not\u00edcias que j\u00e1 circulam na imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa estrat\u00e9gia torna o trabalho de identifica\u00e7\u00e3o mais complexo tanto para usu\u00e1rios quanto para as pr\u00f3prias plataformas, j\u00e1 que parte do conte\u00fado \u00e9 genuinamente verdadeiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sazonalidade como ferramenta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio tamb\u00e9m documenta o uso sistem\u00e1tico de datas sazonais e temas em evid\u00eancia no notici\u00e1rio para potencializar o alcance das fraudes. Promo\u00e7\u00f5es falsas, indeniza\u00e7\u00f5es inexistentes, vagas de emprego fraudulentas, benef\u00edcios sociais fict\u00edcios e brindes supostamente gratuitos reaparecem ao longo do ano com pequenas adapta\u00e7\u00f5es contextuais, roupagem nova, roteiro velho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Beatriz Farrugia, os criminosos n\u00e3o precisam criar golpes completamente novos para continuar fazendo v\u00edtimas: eles reutilizam estruturas que j\u00e1 funcionaram, adaptam a narrativa ao contexto do momento e se aproveitam da confian\u00e7a depositada em marcas conhecidas, institui\u00e7\u00f5es e figuras p\u00fablicas. A pesquisadora aponta que esse padr\u00e3o, por ser previs\u00edvel, abre espa\u00e7o para a\u00e7\u00f5es preventivas mais eficazes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Redes abertas, coleta no privado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jornada t\u00edpica de um golpe digital come\u00e7a no ambiente p\u00fablico e migra para o privado. A maior parte das fraudes \u00e9 iniciada em redes sociais abertas, Facebook, Instagram e TikTok s\u00e3o os principais canais de dissemina\u00e7\u00e3o, e depois redirecionada para formul\u00e1rios online, onde ocorre a coleta de dados pessoais, e para aplicativos de mensagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O WhatsApp apareceu em quase 65% dos golpes do per\u00edodo mais recente analisado, consolidando-se como o principal ambiente de circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado fraudulento no pa\u00eds. A combina\u00e7\u00e3o de alcance massivo, aus\u00eancia de modera\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica equivalente \u00e0s redes abertas e car\u00e1ter de conversa privada torna o aplicativo um terreno f\u00e9rtil para esse tipo de fraude.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Plataformas monetizam golpes?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio tamb\u00e9m lan\u00e7a luz sobre um dado revelador do lado econ\u00f4mico do problema. Em novembro de 2025, documentos internos da Meta tornados p\u00fablicos pela imprensa indicaram que a empresa teria arrecadado cerca de US$ 16 bilh\u00f5es em 2024 com an\u00fancios relacionados a golpes e produtos proibidos, valor equivalente a aproximadamente 10% da receita anual da companhia. O caso, segundo o Observat\u00f3rio Lupa, ampliou o debate internacional sobre os mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o de an\u00fancios e a responsabilidade das plataformas na preven\u00e7\u00e3o de fraudes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que fazer<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Beatriz Farrugia defende uma atua\u00e7\u00e3o coordenada entre empresas de tecnologia, institui\u00e7\u00f5es financeiras, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, ve\u00edculos de imprensa e usu\u00e1rios para enfrentar os golpes online. Para a pesquisadora, os golpes digitais n\u00e3o s\u00e3o aleat\u00f3rios: seguem padr\u00f5es relativamente est\u00e1veis de narrativa, distribui\u00e7\u00e3o e monetiza\u00e7\u00e3o. Quanto melhor esses padr\u00f5es forem compreendidos, maiores ser\u00e3o as chances de antecipar amea\u00e7as, reduzir vulnerabilidades e proteger os usu\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles mudam a embalagem, mas raramente o conte\u00fado. \u00c9 essa a principal conclus\u00e3o do relat\u00f3rio A Jornada dos Golpes, segunda edi\u00e7\u00e3o divulgada nesta quarta-feira (17) pelo Observat\u00f3rio Lupa, n\u00facleo de pesquisa da Ag\u00eancia Lupa. 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