{"id":6719,"date":"2026-08-17T16:00:00","date_gmt":"2026-08-17T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/?p=6719"},"modified":"2026-08-17T14:57:55","modified_gmt":"2026-08-17T17:57:55","slug":"anomalias-peixes-desastre-de-mariana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/anomalias-peixes-desastre-de-mariana\/","title":{"rendered":"Desastre de Mariana pode ter causado anomalia em peixes no ES, aponta estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo publicado na revista Ocean and Coastal Research encontrou anomalias em peixes do litoral do Esp\u00edrito Santo e apontou o desastre de Mariana como principal suspeito para o resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa, divulgada em 7 de agosto, analisou 38 peixes da esp\u00e9cie <em>Stellifer naso<\/em>, coletados no estado em maio de 2022.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Peixes do ES batem recorde de anomalia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estudo, a equipe olhou de perto os ot\u00f3litos, pequenas pe\u00e7as calcificadas dentro do ouvido dos peixes que ajudam no equil\u00edbrio e na leitura do ambiente ao redor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Das 38 estruturas avaliadas, 23 tinham algum tipo de altera\u00e7\u00e3o, um \u00edndice de 60,5%. Segundo os autores, nenhum outro estudo comparado no trabalho havia encontrado uma taxa t\u00e3o alta de anomalias em peixes de \u00e1gua costeira no Brasil. At\u00e9 ent\u00e3o, o recorde de deforma\u00e7\u00e3o em ot\u00f3litos ficava em 27,11%, n\u00famero registrado em exemplares de Cathorops spixii, um bagre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As altera\u00e7\u00f5es mais comuns foram protuber\u00e2ncias fora do padr\u00e3o na superf\u00edcie da estrutura. Um dos peixes teve m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o no canal interno que ajuda o peixe a manter o equil\u00edbrio e perceber sons.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que o desastre de Mariana \u00e9 suspeito<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os pesquisadores, a explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel para tantos casos de anomalia est\u00e1 nos rejeitos de minera\u00e7\u00e3o despejados no Rio Doce pelo desastre de Mariana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A barragem de Fund\u00e3o, em Mariana, se rompeu em novembro de 2015. Em apenas 16 dias, sa\u00edram da barragem entre 50 e 60 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos. Essa massa seguiu pelo curso do Rio Doce e chegou ao mar pr\u00f3ximo a Linhares, cidade capixaba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras pesquisas j\u00e1 haviam mostrado que peixes da regi\u00e3o afetada acumulam metais no organismo e apresentam ferro em excesso. Por viver perto do fundo, em \u00e1reas onde o rio encontra o mar, a <em>Stellifer naso<\/em> pode entrar em contato com mais poluentes que voltam a circular na \u00e1gua. Para os autores, isso ajudaria a entender por que os peixes, pescados quase sete anos ap\u00f3s o rompimento, ainda carregavam tantas altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Faltam provas para fechar o caso&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que a causa esteja provada. Outros elementos, como varia\u00e7\u00f5es de temperatura e salinidade da \u00e1gua, o estado de sa\u00fade de cada peixe e quest\u00f5es gen\u00e9ticas, tamb\u00e9m interferem na forma como os ot\u00f3litos se desenvolvem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como ningu\u00e9m coletou peixes da regi\u00e3o antes de 2015, n\u00e3o h\u00e1 como cravar se o cen\u00e1rio era diferente antes do rompimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, n\u00e3o houve na regi\u00e3o fen\u00f4menos oce\u00e2nicos fortes, como ressurg\u00eancias, capazes de justificar as altera\u00e7\u00f5es por outro caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 testes qu\u00edmicos v\u00e3o mostrar o quanto o desastre de Mariana realmente pesa nessas anomalias. A ideia, daqui para frente, \u00e9 verificar se nadadeiras e outras partes do corpo tamb\u00e9m mudaram de forma. A equipe ainda planeja acompanhar a \u00e1rea nos pr\u00f3ximos anos e voltar a fazer a mesma pesquisa daqui a cinco ou dez anos, para ver se o ambiente d\u00e1 sinais de melhora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo publicado na revista Ocean and Coastal Research encontrou anomalias em peixes do litoral do Esp\u00edrito Santo e apontou o desastre de Mariana como principal suspeito para o resultado. A pesquisa, divulgada em 7 de agosto, analisou 38 peixes da esp\u00e9cie Stellifer naso, coletados no estado em maio de 2022. 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